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| ed. 282 |
| 10 de Agosto de 2007 |
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| FEIRA DE SÃO MATEUS |
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| “Tradições antigas num espaço renovado” |
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Este ainda vai ser um ano de transição ou tudo o que havia para mudar, ao nível do recinto, já foi mudado?
Os dois anos anteriores foram de transição, em que tudo o que havia para mudar já foi mudado. Nos limites da feira, junto ao Rio Pavia, ainda decorrem trabalhos, mas são da responsabilidade do Programa Polis e nada têm a ver com a feira.
Como define, na actualidade, a Feira de São Mateus?
È uma feira com tradições antigas num espaço renovado. Apesar de reconhecer que nem tudo está bem, considero que é uma feira humanizada e que decorre serenamente, sem conflitos.
Há ainda coisas novas que podem aparecer na feira, ou tudo foi já experimentado?
A feira é muito abrangente, mas podem aparecer sempre coisas novas. Por exemplo, este ano tivemos uma proposta para ter uma pista de gelo. Seria uma mais valia para o certame, mas o espaço que temos não nos permite ter aquele tipo de diversão.
Nesta 615ª edição quem vão ser os cabeças de cartaz?
Há vários grupos e para todos os gostos. Pelo palco da feira vão passar The Gift, Roberto Leal, André Sardet, José Cid, Quim Barreiros, Xutos e Pontapés, Cristiane Sollari, entre muitos outros.
Ao nível de programação, há algum evento que destaque?
Há vários. Vamos ter, por exemplo, logo no dia 15 de Agosto, o Cantigas da Rua, um espectáculo que reúne vários artistas e que terá a apresentação de José Carlos Malato. Temos também a tradicional noite de fado com os grupos Cantares de Coimbra e Fado de Lisboa. Destaco ainda o espectáculo de variedades com Fernando Mendes na revista “Peso Certo” e, pela primeira vez, vamos eleger a “Mini Miss São Mateus 2007”.
Quanto vai custar a edição 2007 da Feira de São Mateus?
No total, deveremos gastar cerca de 900 mil euros, sendo o orçamento geral que possuímos de um milhão de euros.
De onde provêm as receitas?
As receitas provêm exclusivamente de duas fontes: do aluguer de espaços e da bilheteira. O aluguer de espaços está limitado ao espaço que possuímos e, se mais espaço tivéssemos, mais alugávamos. A outra fonte de receita é a bilheteira, na qual esperamos fazer cerca de 500 mil euros, um valor que pode variar sempre mediante as condições climatéricas que se fizerem sentir ao fim-de-semana.
O preço dos bilhetes mantém-se? Durante a semana a entrada continua a ser livre?
Mantém-se nos 2.50€ aos sábados, domingos, e também uma sexta-feira. Todos os outros dias, à excepção dos dias da responsabilidade da Paróquia de São José, da Associação Viseense dos Bombeiros Voluntários, da Sociedade de São Vicente de Paulo e da Liga de Amigos da Rádio Renascença, a entrada no recinto é gratuita. Nesses dias a feira é fechada e todas as receitas de bilheteira revertem a favor dessas entidades.
Quanto tempo leva a preparar um certame com esta envergadura?
Demora alguns meses. Em Dezembro, a organização já faz contactos e alguns contratos com artistas. No entanto, é a partir de Março que começamos a definir mais pormenorizadamente o programa.
Qual a opinião pessoal que tem sobre a feira, pós-requalificação?
A requalificação da Feira de São Mateus impunha-se a todos os níveis. Actualmente já existem acessos para deficientes e a área da restauração sofreu grandes melhorias, assim como os arruamentos.
Essas mudanças ao nível da restauração motivaram críticas, e alguma resistência, por parte dos feirantes. Pensa que foi a decisão correcta que se tomou em nome da higiene dos espaços e do conforto das pessoas?
Claro que sim, apesar de não sermos nós a entidade competente nessa matéria. As inspecções às condições de higiene sempre foram da responsabilidade da ASAE e da Inspecção das Actividades Económicas. Houve críticas, mas os espaços foram adjudicados durante vários anos, o que facilmente lhes vai permitir recuperar o investimento feito.
A feira caracteriza-se por ser muito heterogénea ao nível dos espectáculos que proporciona. É uma tentativa de agradar a “gregos e troianos”?
Sem dúvida que sim, mas até isso é subjectivo. No ano passado trouxemos os Mercado Negro e Boss Ac, grupos mais direccionados para os jovens, e houve pouco público. Já com o Quim Barreiros tivemos “casa cheia” e a maioria eram jovens. Nunca é demais lembrar que esta é uma feira de cariz popular e temos de dar a povo aquilo que ele quer. Por outro lado, temos de proporcionar espectáculos que nos tragam retorno financeiro.
Sendo há mais de vinte anos o rosto da Feira de São Mateus, pensa ter já deixado um legado suficiente, ou ainda há algo que gostaria de fazer em prol do certame?
Tenho dado sempre o meu melhor, sem esperar nenhum retorno, nem nenhum agradecimento. Sou um voluntário, muitas vezes em prejuízo da família.
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ed. 282, 10 de Agosto de 2007
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