“O Turismo representa um instrumento decisivo para o desenvolvimento local, na Região Centro, em 2011, significou mais de 187 milhões de euros de receitas”

Pedro Manuel Monteiro Machado

Quem é Pedro Manuel Monteiro Machado?

Mestre em Ciências de Educação pela FPUC; Vice-Presidente na Câmara Municipal de Montemor-o-Velho e Vereador a tempo a inteiro no mandato 2002/05, tendo-lhe sido atribuído os pelouros de Educação, Acção Social, Cultura, Associativismo, Comunicação, Juventude e Tempos Livres, Ambiente, Saúde;

Chefe de Gabinete do Secretário de Estado da Administração Local, Dr. José Cesário, no XVI Governo Constitucional; Presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro.

Eleito Presidente da Associação para O Desenvolvimento e Promoção Turística do Centro de Portugal, Agência Regional (ARPT). Vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, em 11 de Outubro de 2009 – para o mandato 2009/2013, tendo tomado posse a 31 de Outubro de 2009, na Câmara Municipal de Montemor-o-Velho.

 

 

Como vice-presidente da câmara de Montemor e não se recandidatando o actual presidente, há quem fale muito no seu nome. Qual a sua posição face a uma possível candidatura à autarquia?

Estou a cumprir o meu mandato à frente do Turismo Centro de Portugal que, em circunstâncias normais, termina em Novembro de 2012. Qualquer decisão sobre o município de Montemor-o-Velho cabe em primeira instância aos órgãos concelhios do partido e, em segunda instância, tem muito a ver com aquela que vier a ser a Referência do Mapa do Turismo Regional e Nacional, deixando para depois dessa data qualquer decisão sobre a matéria. O futuro do Turismo Centro de Portugal consolidado que está na estratégia que leva cerca de quatro anos, quer do ponto de vista da afirmação da Marca Centro, quer do reconhecimento institucional da mesma marca, nunca poderá ser decidido ou avaliado por um único protagonista ou partidos políticos, uma vez que, a meu ver, o sucesso que conquistámos, se deveu em boa parte, à capacidade de diálogo com todos os autores, quer políticos, quer empresários, quer instituições e esta correlação não pode ser feita à mesa de qualquer uma das forças partidárias, seja ela do arco do poder ou da oposição.

 

É verdade que pode ficar no Turismo do Centro, consolidar todo este trabalho e mais tarde, como já foi manifestado por conimbricenses, ser candidato a essa cidade que bem conhece e onde reside há muitos anos?

É verdade que posso de facto abraçar este desafio que é um trabalho que está longe de estar acabado. A afirmação e consolidação de uma marca turística leva décadas a colocar, quer no mercado, quer no circuito da distribuição, quer, finalmente e o mais importante, na memória do consumidor. A Marca Centro tem apenas quatro brevíssimos anos de existência e é minha opinião de que induzir na Região Centro e no panorama nacional esta marca, exige pelo menos uma década. Quando projectamos uma marca há pelo menos três questões às quais a marca tem de responder: 1ª Pelo que é que queremos ser conhecidos? 2ª Como é que nos podemos destacar da “multidão”? 3ª Que pensamentos e sentimentos queremos que venham à mente das pessoas quando estão expostas ao nome da marca? Razão pela qual, serão necessários pelo menos dez anos para que a Marca Centro possa responder, de facto, a estas três questões. Esta é a minha preocupação…

 

Que opinião tem sobre o facto de não ter sido nomeado Secretário do Estado do Turismo, como era para muitas pessoas do sector, dos Municípios e dentro do seu próprio partido (PSD) o mais natural?

Com naturalidade. E sinto-me até lisonjeado com o facto de alguns o terem pensado. Essa é uma escolha que cabe ao primeiro-ministro, que na devida altura faz as opções que considera mais ajustadas ao exercício e funções que os cargos exigem, mas também nunca olhei para o exercício desta função como um trampolim para exercer esse lugar.

 

O que aconteceu para a Secretaria de Estado ser entregue ao CDS?

Objectivamente, um governo de coligação com distribuição de pastas pelos dois partidos que suportam essa mesma coligação, tendo sido atribuído ao CDS a pasta do Turismo, o que não era novidade porque no XVIº Governo da República, Telmo Correia foi ministro do Turismo num governo de coligação, sendo o primeiro-ministro Santana Lopes.

 

Partilha a sua direcção com personalidades oriundas da região de Viseu, a saber: Jorge Loureiro, Adriano Azevedo e José Arimateia. Como avalia o trabalho por eles desenvolvido neste contexto?

Em duas dimensões perfeitamente distintas. Uma de carácter profissional, pela qual reconheço a Jorge Loureiro e Adriano Azevedo, ex-dirigentes da ex-Região de Turismo Dão-Lafões, a mesma competência, o mesmo empenho e a mesma vontade de valorizar a marca Viseu e Dão Lafões num contexto de uma região agora alargada e a afirmação de uma marca que ajuda a consolidar a Marca Centro de Portugal. No plano pessoal, dar público testemunho da amizade, da lealdade e da cumplicidade com que, ao longo destes três anos e meio, pude contar com eles. Ao José Arimateia o reconhecimento de um gestor de um dos grupos de referência no panorama regional-nacional e internacional, como é o caso do Grupo Visabeira, bem como a agradável surpresa de, tendo-nos conhecido há relativamente pouco tempo, poder ter um amigo e um defensor acérrimo do Centro de Portugal.

 

Como comenta o trabalho e interacção dos Municípios e os seus Presidentes de Câmara do Distrito de Viseu, com os projectos e trabalho propostos e liderados pelo Turismo do Centro?

Os municípios têm hoje um papel crucial na defesa, estruturação, consolidação e principais promotores do desenvolvimento local e intermunicipal, alavancando o sector do Turismo. São os responsáveis pela qualificação do espaço público – factor decisivo para a atractividade de um destino turístico – pelo facilitar das dinâmicas empresariais e da instalação de equipamentos públicos e privados – factor decisivo para a competitividade do destino turístico – na implementação de políticas municipais que promovam a defesa, salvaguarda e a requalificação do nosso património cultural, construído, natural, arquitectónico, etc., recursos sem os quais não podemos implementar uma verdadeira estratégia de promoção turística do território. Exige-se, por isso, que os autarcas do século XXI tenham esta percepção de que o Turismo representa, hoje, um instrumento decisivo para o desenvolvimento local e que no caso da Região Centro, em 2011, significou mais de 187 milhões de euros de receitas. Refiro, a título de exemplo, o caso do presidente Fernando Ruas, com quem foi possível estabelecermos uma parceria decisiva para a melhoria significativa das condições de informação turística na cidade de Viseu, ou do presidente Carlos Marta, com quem foi possível trabalharmos um novo paradigma no que diz respeito ao envolvimento da Comunidade Intermunicipal Dão-Lafões, nesta aposta estratégica que é o Turismo.

 

Que projectos Turísticos de grande dimensão gostaria de estimular, conjuntamente com os vários agentes públicos e privados nesta região de Viseu?

Em primeiro lugar gostaria de que as parcerias público-privadas que estabelecemos para o sector do Turismo pudessem acrescentar valor económico a essas empresas, no sentido de contribuírem para a melhoria significativa dos indicadores do emprego e da qualidade de vida daqueles que diariamente trabalham neste sector. A experiência dos últimos quatro anos que estabelecemos com a Agência Regional de Promoção Turística do Centro de Portugal, sediada na Casa Amarela, em Viseu, tornou possível o envolvimento de cerca de 170 empresas da Região Centro que, fruto desta parceria entre o sector público local e o sector privado, potenciasse um orçamento de cerca de um milhão de euros por ano para a promoção externa, do qual o Turismo de Portugal foi responsável pela injecção de cerca de 800 mil euros, graças ao esforço de 100 mil euros da Turismo Centro e 100 mil euros das empresas da região. Criámos hoje uma rede para a valorização e promoção do sector do Turismo, que assenta nesta parceria entre as empresas do sector, simultaneamente beneficiárias, mas também investidoras, e no organismo público regional que, em conjunto, definem estratégias, instrumentos promocionais, mercados-alvo e plano de acção. É evidente que enquanto responsável pelo Turismo regional, reconheço a necessidade de potenciarmos eventos de carácter nacional e internacional que, para além da afirmação e promoção de destinos e dos nossos produtos turísticos, nos podem posicionar nos circuitos da procura interna e da procura externa para o Centro de Portugal. Falo, em concreto, de concertos musicais, grandes certames nacionais e internacionais, tais como gastronómicos e/ou de moda e desporto, que captam a atenção, quer dos médias generalistas, quer da imprensa da especialidade.

A Sub-Marca “Viseu-Dão Lafões” tem no contexto da Marca Regional “Centro de Portugal”, condições de afirmação com autonomia, capacidade de influência e peso específico?

A marca Dão-Lafões deu-nos a oportunidade, nestes três anos e meio que levamos de exercício, de podermos contar com novos e qualificados empreendimentos, sobretudo oriundos da iniciativa privada, em que o Grupo Visabeira naturalmente se destaca, reforçado por uma marca distintiva como é caso dos vinhos do Dão, e aqui uma referência clara à CVRDão e ao dr. Arlindo Cunha, com quem foi possível agilizarmos muitas acções, bem como o trabalho desenvolvido pelos autarcas, no esforço de requalificação de zonas históricas, instalação de novos equipamentos, o caso de Viseu em que é visível e notória uma imagem de uma cidade moderna, contemporânea e acessível, ou, exemplo da parceria com Santa Comba Dão e Tondela, com a construção da Ecopista do Dão, que nos coloca no circuito da captação de novos nichos de mercado, como é exemplo o cicloturismo, a par de uma gastronomia diferenciadora que anualmente atrai milhares de turistas. Prova dessa notoriedade da Marca Dão-Lafões e do seu contributo para o reforço do Centro de Portugal foi a realização do maior congresso nacional de Turismo – APAVT – nos dias 1, 3 e 4 de Dezembro, que trouxe a Viseu mais de 500 profissionais do Centro de Portugal num importantíssimo eixo de intervenção turística, como é o caso dos congressos e seminários. Se somarmos a estes exemplos equipamentos como o Museu Grão Vasco ou toda a narrativa em volta da lenda e da história do mítico Viriato, temos uma matriz absolutamente distintiva na oferta turística nacional e internacional.

 

Que considerações lhe merece o trabalho desenvolvido e de pareceria da CIME-DÃO LAFÕES, liderada por Carlos Marta?

Com a CIM Dão-Lafões foi possível estabelecermos um novo paradigma na abordagem deste sector, em particular na criação de condições para assumirmos o Turismo como um factor de desenvolvimento económico, mas também numa nova abordagem na mentalidade dos decisores autárquicos, na forma como abordam este sector. Entre outros exemplos destaco o vereador Guilherme Almeida, no município de Viseu, a par do seu presidente, bem como outros presidentes de câmara desta Comunidade, com quem foi possível trabalharmos. Realço, no essencial, o dinamismo e um espírito críticos na transformação de recursos em produtos turísticos que há alguns anos atrás não teria sido fácil implementar. Desta boa relação foi possível uma participação decisiva na última edição da Bolsa de Turismo de Lisboa, que nos ajudou a conquistar o estatuto de Destino Convidado Bolsa de Turismo de Lisboa 2013, o início do processo de Qualificação do Cabrito da Serra do Caramulo, com fortes impactos económicos, quer para a fileira da restauração, quer para a fileira dos produtores e da comercialização e ainda o lançamento de uma nova imagem, mais moderna, mais apelativa e mais competitiva para a região de Dão-Lafões que, seguramente num período não muito longínquo trará os seus benefícios.

 

Como vê a reforma anunciada para o sector do Turismo e quais as consequências daí advenientes na promoção interna e externa?

Urgente. Necessária e a pecar por tardia. No âmbito da promoção externa defendemos uma gradual agregação entre a actual Agência Regional de Promoção Turística do Centro de Portugal para os mercados externos, que tem desenvolvido ao longo destes últimos cinco anos um trabalho assinalável (pouco visível no contexto daquilo que é a sua publicidade na região) mas determinante para a afirmação da região de Viseu e do Centro de Portugal nos mercados externos, entre eles Espanha, França, Itália, Reino Unido, Alemanha, Benelux e Brasil, responsável pelos números que sucessivamente temos vindo a atingir e que em Fevereiro de 2012, com 7,2% de crescimento, ao colocar na 1ª região a nível nacional a crescer, em termos de dormidas e de receitas turísticas, essa agregação, dizíamos, com a entidade Regional Turismo Centro de Portugal, responsável pela promoção interna e valorização dos produtos turísticos da região, por forma a estruturarmos uma resposta mais eficaz na valorização da Marca Centro de Portugal. Esta reforma vem dar resposta ao desafio de podermos planear e implementar uma estratégia coerente para os produtos e marcas da Região Centro NUT II, que nesta data se encontram dispersos dentro da mesma NUT por três organismos autónomos (Pólo da Serra da Estrela, Pólo Leiria-Fátima e Turismo do Centro) criando fragmentação de produtos turísticos (Ex: Aldeias de Xisto e Aldeias Históricas), descontinuidade do território (Serra da Lousã e Serra da Estrela) e mais grave, do nosso ponto de vista, desarticulação entre o território promovido no seio da agência para a promoção externa e o destino promovido pela Turismo Centro de Portugal. Num tempo de fortes constrangimentos orçamentais e num aproveitamento máximo de todos os recursos técnicos, materiais e financeiros, urge uma referência que possa colmatar os défices apresentados e potenciar novos recursos para aquela que é a função principal dos organismos regionais de Turismo, a saber: promoção de marcas e produtos; valorização de recursos e das parcerias; implementação de dinâmicas públicas e privadas que promovam a coesão e o desenvolvimento social e cultural.

Publicado por em 18 de Maio de 2012, 11:00. Arquivado em À Conversa, Destaque. Pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Pode deixar uma resposta, ou trackbacks a esta entrada

1 Comentário para ““O Turismo representa um instrumento decisivo para o desenvolvimento local, na Região Centro, em 2011, significou mais de 187 milhões de euros de receitas””

  1. Horácio de Matos

    Ao Estado cabe, de forma prioritária, a Promoção Institucional do Destino Portugal, das suas regiões e de toda a oferta turística devidamente legalizada. A existirem incentivos para a promoção nacional e internacional das empresas turísticas estes devem de ser entregues fora da lógica de actuação pública e directamente às iniciativas promocionais empresariais estimadas garantindo o Estado a não discriminação de nenhuma iniciativa desse âmbito empresarial.

    Vamos clarificar a acção pública na economia e não confundi-la ainda mais…

    Horácio de Matos
    Empresário e dirigente de associação de empresas turísticas

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