Quinta do Soqueiro: A fauna e a flora aqui tão perto…
Ao alcance da maioria das Escolas de Viseu, num percurso pedestre a poucas centenas de metros da maioria delas, está a Quinta do Soqueiro, hoje sede da Direcção Regional de Florestas do Centro. Junto ao Parque do Fontelo, numa área de 5,5 hectares, abre-se pedagogicamente ao público e às Escolas este espaço encantador, arborizado com mais de 30 espécies autóctones representativas da região e, agora também, propondo um mini zoo composto por diversas espécies cinegéticas apreendidas pelas entidades policiais no âmbito de processos de contra ordenação, fauna da qual a Autoridade Florestal Nacional é fiel depositária. Os Serviços Florestais, designação que não esquecemos, funcionaram em Viseu junto à antiga Estação da CP, tendo passado para a Quinta do Soqueiro desde a década de 50. Hoje, visitar este espaço é aceder, entre outros, às seguintes espécies cinegéticas: veado, gamo, javali, raposa, furão, perdiz-vermelha, faisão, pega rabuda, gralha, codorniz, pato-real, etc. Ou seja, para além do sossego e da fresca sombra, o visitante pode “receber” ao vivo uma aula de botânica e de zoologia. Para tal, foram requalificados espaços aprazíveis para a preservação e manutenção desta fauna, assim como identificados e catalogados os carvalhos, choupo, castanheiro, medronheiro, araucária, cedro-branco, sequoia, nogueira, cedros…etc., etc.
O Jornal do Centro foi falar com o Director Regional das Florestas do Centro, Viriato Garcez, engenheiro florestal pela UTAD e vereador da câmara municipal de Vouzela desde 2009.
O que é a Direcção Regional das Florestas do Centro?
A Direcção Regional das Florestas do Centro (DRFC), com sede em Viseu, é uma das unidades Orgânicas desconcentradas que integra a estrutura nuclear da Autoridade Florestal Nacional (AFN), de âmbito regional ao nível II da Nomenclatura de Unidades Territoriais (NUTS), representa cerca de 26% (2.367.305 ha) de ocupação da área de Portugal Continental, abrangendo 77 Concelhos pertencentes a 6 Distritos, com cerca de 180.424 ha de área Pública Total, sendo que 148.179 ha correspondem a área de Perímetros Florestais e 32.245 ha a área de Matas Nacionais.
Qual a sua missão?
Tem por missão promover o desenvolvimento sustentável dos recursos florestais e dos espaços associados e, ainda, dos recursos cinegéticos, apícolas e aquícolas das águas interiores e outros directamente associados à floresta e às actividades silvícolas, através do conhecimento da sua evolução e fruição, garantindo a sua proteção, conservação e gestão, promovendo os equilíbrios intersectoriais, a responsabilização dos diferentes agentes e uma adequada organização dos espaços florestais, assumindo as funções de autoridade florestal.
Quais as atribuições do Director Regional das Florestas do Centro?
O Director Regional de Florestas do Centro é responsável pela aplicação de políticas para as fileiras florestais, bem como o desenvolvimento integrado do sector e das suas indústrias; na coordenação da gestão do património florestal do Estado; na aplicação das políticas para a gestão das áreas comunitárias; na regulação da gestão dos espaços florestais privados; no apoio ao associativismo e aos modelos de gestão sustentável em áreas privadas; na gestão do património edificado; é responsável pela aplicação de políticas cinegéticas, apícolas, aquícolas das águas interiores e as relativas a outros produtos e recursos da floresta; é responsável na promoção e coordenação dos planos de intervenção que visem a redução de impactes e a eliminação de efeitos promovidos por agentes bióticos e na concretização das políticas de defesa da floresta contra incêndios.
A DGFC responde a qual tutela?
Responde à Tutela da Autoridade Florestal Nacional, com sede em Lisboa, que por sua vez responde ao Ministério da Agricultura, mais concretamente à Secretaria de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural.
Fale-nos deste espaço, a Quinta do Soqueiro.
A Quinta do Soqueiro tem aproximadamente 5,5 hectares de área maioritariamente florestal , onde podemos visualizar um bosquete com várias espécies arbóreas
Podemos chamar-lhe um pequeno paraíso, em termos de flora?
Podemos. Eu costumo dizer que quem trabalha neste espaço são pessoas com sorte. É um espaço aprazível, lúdico, onde estamos em contacto permanente com um bom ambiente, um espaço de floresta que as pessoas podem visitar e usufruir.
Mas além da flora que já será, alguma, secular, temos agora também a fauna. Qual fauna e de onde é oriunda?
O que temos aqui transitoriamente e enquanto fiéis depositários são espécies apreendidas, num espaço condigno. Estão aqui até à decisão dos processos levantados. Espécies recolhidas em toda a região centro e até algumas vindas de outros pontos do país, visto em Viseu termos estas instalações onde os podemos albergar, ao contrário de outros colegas que não detêm esse espaço. Temos aqui veado, gamo, javali, raposa, furão, perdiz-vermelha, faisão, pega rabuda, gralha, codorniz, pato-real, etc.
A alternativa, se este espaço não existisse, seria o abate das espécies apreendidas?
Não. As espécies não podem ser abatidas e se não houvesse este espaço haveria outros espalhados pelo país para as recolher. Temos, por exemplo, um espaço muito semelhante a este em Castelo Branco, na Idanha.
A Quinta do Soqueiro fica numa zona da cidade espacialmente privilegiada e tem o Agrupamento das Escolas do Viso, o Colégio da Via Sacra, o Agrupamento da Ribeira, a ESEN, a ESAM, etc. a meras centenas de metros. Os docentes têm a noção do conteúdo deste espaço, para aulas vivas, em termos de botânica e de zoologia?
Sim, isso tem vindo a acontecer e sempre que requerido, disponibilizamos um guia para os conduzir através dos 5,5 hectares disponibilizando informação sobre as várias espécies arbóreas. Mesmo ao fim de semana as coisas podem acontecer. Ainda há relativamente pouco tempo houve um peddy-paper ligado a uma Escola próxima, que decorreu num sábado, tendo por aqui passado uma quantidade imensa de alunos e professores. Eu estive aqui nos serviços e foi gratificante ver esta Quinta cheia de crianças. Isto tem vindo a acontecer. Nós sempre estivemos abertos à comunidade. A palavra tem vindo a passar e, para além de Viseu, ainda há dias cá esteve um autocarro com crianças de São Pedro do Sul. Fundamental é a quantidade de espécies arbóreas. De seguida, vem a fauna aqui recolhida.
Acha que faz sentido deixarmos um apelo às Escolas, aos professores, aos alunos para virem partilhar o que a Quinta do Soqueiro tem para oferecer?
Quero agradecer ao Jornal do Centro o ter manifestado vontade de divulgar esta realidade e este espaço que é de toda a comunidade e que, provavelmente, algumas pessoas ainda desconhecem. Esta divulgação também contribuirá para isso e se até hoje tem passado por aqui muita gente, muita mais passará no futuro. As pessoas passam nesta rua e não conseguem ter a noção, visualizar a riqueza natural que ela alberga, para além do edifício que é visto da entrada principal.
Quer concluir com uma mensagem?
Quero dizer que sempre foi nossa vontade prestar um bom serviço às pessoas, aos utentes. Estou certo que, com a reestruturação de que vamos ser objecto, vai-nos tornar mais próximos, mais eficazes e é isso que me motiva enquanto funcionário público, é fazer um melhor trabalho para os cidadãos e dar melhor resposta às suas solicitações. É esta a nossa grande preocupação. É esta a grande preocupação da tutela. É isto que nos move no nosso dia-a-dia: maior eficácia e maior proximidade ao cidadão.















