“Vamos fabricar o maior gelado de Portugal”
A primeira edição do Festival de Gelado Artesanal é grande atração da edição de 2012 das festas “Ver Paiva”, que vão decorrer até domingo, dia 12.
O objetivo das festividades de Vila Nova de Paiva passa por atrair o maior número de pessoas, não só para visitar o concelho, mas também fazer parte das iniciativas agendadas. Todo o evento é voltado para a população, permitindo o envolvimento de toda a comunidade no ambiente de festa. Ontem o dia foi dedicado aos emigrantes, mas há ainda três dias de animação, música e degustação de produtos endógenos.
Pelo sucesso das edições anteriores, a Mostra de Artesanato, Gastronomia e Artes Decorativas, que vai já na 5ª edição, representa o que de melhor se faz no concelho. Com um saldo bastante positivo, esta mostra que vai desde o artesanato à gastronomia, pretende divulgar os artesãos do concelho e do distrito de Viseu. A autarquia pretende assim contribuir e apoiar esses artistas no sentido de divulgar os seus projetos, e os diferentes modos de criação. Alguns deles irão trabalhar ao vivo. Decorrerão workshops para todas as idades, e eventos complementares, uma vez que foram pensadas atividades culturais em todos os segmentos, desde uma garraiada aos espetáculos musicais, a cargo do grupo de música popular portuguesa 7 Saias, dos Made in Portugal, do artista cabeça-de-cartaz, Leandro, terminando com a orquestra filarmónica oriunda de França, AFREUBO.
Mas o “rei da festa” será mesmo o gelado. É neste contexto que o Jornal do Centro quis conhecer a fundo, a primeira edição do Festival de Gelado Artesanal. Para isso, o presidente da Câmara de Vila Nova de Paiva, José Morgado, explicou a importância deste produto para a região e a ligação com o tecido emigratório. Os produtores de gelado estão confiantes no sucesso da iniciativa e também eles apelam à adesão das populações.
O que podemos esperar da primeira edição do Festival de Gelado Artesanal?
O município está com grandes espectativas, assim como os empresários do gelado na Alemanha aliados a este festival. Como se sabe, o concelho de Vila Nova de Paiva, tradicionalmente ligado à emigração, teve várias vertentes. Na década de 50 para o Brasil, na década de 60/70 França, 80 para a Suíça e, posteriormente, já no final dos anos 80, início dos anos 90, para a Alemanha. Os jovens foram para lá como empregados de mesa e, posteriormente, começaram a trabalhar para os empresários italianos, que foram envelhecendo e deixaram caducar o seu estabelecimento, e eles, de empregados passaram a patrão. Neste momento, o conselho de Vila Nova de Paiva tem mais de cem empresários ligados à restauração e à gelataria na Alemanha. Há dois anos que estes realizam um congresso que tem a vertente de formação e apresentação de produtos em Vila Nova de Paiva, estando também ligado à inovação, à formação de sabores, de regras de higiene e segurança no trabalho, ao manuseamento de produtos e laboratórios. Neste congresso lançaram um repto: realizar um festival do gelado em Vila Nova de Paiva. Penso que vai ser um festival inovador e com um produto que toda a gente gosta, com muitas formas e muitos sabores.
Vila Nova é, por esta altura, a capital do gelado?
Eu não queria apelidar Vila Nova como a capital do gelado, porque nós temos outros produtos endógenos. Já fizemos a feira do fumeiro, no belíssimo Parque Urbano do Touro. Já fizemos o festival da truta e esta sim é a rainha dos nossos produtos endógenos. Mas, tendo esta oportunidade, obviamente que queremos aproveitá-la, porque é muito importante este setor para a economia local. E eu quero-lhe dizer que, estes empresários, que trabalham muito no estrangeiro, dedicam-se muito e investem nas nossas terras. E, visto que estas pessoas já erradicaram nesta indústria, temos que aproveitar o seu “saber-fazer” e aproveitar as economias que eles trazem e que aplicam aqui.
Quantos produtores de gelado estão envolvidos?
Isto é um festival e uma amostra, porque é o fabrico artesanal, com produtos tradicionais. Vamos ter cerca de 6 a 7 produtores em continuidade. Contudo, vem uma equipa especializada de Itália, com produtos vindos de lá, que aqui não existem. Eles próprios fornecem o mercado nacional. E também com toda a logística, desde logo relações públicas, de decoração, da parte comercial, todos eles também vão estar na organização, para que o festival seja um sucesso.
Que outras atrações estão previstas nesta edição do “Ver Paiva”?
A parte do artesanato e da mostra gastronómica, com as nossas barraquinhas com produtos tradicionais e também a parte festiva e cultural com alguns cantores de renome, neste caso as Sete Saias e o cantor Leandro. Nestes três dias (10 a 12) pretendemos não ter só a parte festiva, cultural, mas também de mostra de produtos tradicionais e este ano com esta inovação, o festival do gelado.
Com esta inovação a autarquia espera atrair pessoas fora do concelho, é uma festa que quer quebrar barreiras?
Vila Nova tem 5500 habitantes durante todo o ano. Nesta época chegamos a triplicar, quadruplicar, contando com cerca de 20 mil habitantes. Mas nós não queremos só esta mostra, queremos uma mostra mais regional e obviamente que estamos a contar que os concelhos limítrofes também adiram, visto que isto está a ser bem divulgado. Estamos a promover bem este festival e as festividades e queremos que as pessoas venham, porque também vai haver uma grande novidade. Também foi o nosso repto, com estes empresários, tentar bater um record. Vamos ter a ousadia de fabricar, ao vivo, o maior gelado feito em Portugal. O record do Guiness, pertence atualmente ao Canadá, onde foi fabricado um gelado cerca de 9000 quilogramas. Estão encomendados cerca de 120 quilogramas de açúcar, 80 de baunilha e 40 de morangos. Será, portanto, um gelado com mais de 100 quilogramas e, como tal, uma curiosidade bonita de apresentar ao público, que depois irá ser provado por todos nós. É a oferta do município e destas pessoas, para todos aqueles que nos visitam.
Falou há pouco destes emigrantes que agora voltaram e vêm mostrar um pouco do que fazem. Isso prova que há uma grande relação entre os emigrantes e Vila Nova de Paiva?
Não tenho dúvida nenhuma. Todos os nossos emigrantes tradicionais, desde meados do século XX, quer os brasileiros, quer os franceses, quer os suíços voltam sempre com muito carinho e obviamente que são sempre bem-vindos. Revisitam as suas famílias, as suas terras e veem que nós estamos a evoluir e que, hoje, podemos dar boas infraestruturas. Neste momento temos não só património cultural de alguma qualidade, como também, aproveitando a nossa bacia hidrográfica, muitas praias fluviais.















