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Coronavírus: a diferença entre números da DGS e os que são divulgados pelas câmaras

por Redação

26 de Março de 2020, 20:51

Foto Igor Ferreira

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Números DGS

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A diferença entre os números que são divulgados diariamente pela Direção-Geral de Saúde (DGS) sobre a situação epidemiológica em Portugal dos casos de Covid-19 não batem certo com a informação que é divulgado, muitas vezes, pelas páginas oficiais dos municípios. Uma diferença que pode ser explicada pela forma como está a ser preenchido o programa informático.

Na região de Viseu, por exemplo, o boletim desta quinta-feira, 26 de março, indica que no concelho de Viseu há 20 casos confirmados. Dos restantes 23 municípios do distrito, só há referência a três casos em Resende e outros tantos em Nelas. Ora, pesquisando nas páginas oficiais das próprias autarquias, percebe-se que os números não são iguais.

Em Resende, onde estão confirmados pelo próprio provedor, a existência de 22 casos na Santa Casa da Misericórdia, a situação tem sido acompanhada e a informação atualizada na página oficial da Câmara no facebook. Em Nelas, a autarquia tem feito a divulgação através da página institucional da internet e com relatórios quase diários. Um dos últimos, por exemplo, confirma a existência de cinco casos positivos. O mesmo acontece com a autarquia de Vouzela, Castro Daire, que ainda há poucos minutos divulgou haver mais três casos, ou S. Pedro do Sul. Em Cinfães, por exemplo, foi a autarquia que informou da morte de um homem de 86 anos e que estava internado num hospital. “Segundo informações da Autoridade de saúde, risco de contágio não existente”, lê-se na publicação onde a autarquia também apresenta as condolências aos familiares. Alguns autarcas sentem-se estupefatos com o facto de “a bota não bater com a perdigota”, afirmando ser “estranho que não se saiba o número correto no que diz respeito ao distrito”.

Estes são alguns dos exemplos que levam à “confusão” entre o que é divulgado oficialmente e a informação que está publicamente difundida.

Contactados pelo Jornal do Centro, alguns profissionais da área da saúde avançam com algumas explicações. “Isto está relacionado com os registos no terreno”, frisa um clínico, explicando que por vezes, dado ao volume de trabalho, há casos que são suspeitos que acabam por ser informados mais tarde por parte das autoridades de saúde pública.

“Já veio, entretanto, uma orientação para todos os médicos também preencherem o registo informático SINAVE e vai também ficar disponível outra plataforma que vai fazer a gestão dos doentes da linha SNS24 e dos centros de saúde”, avança. “As coisas vão começar a ser mais fidedignas”, assegura.

Já na última quarta-feira, o primeiro-ministro tinha sido questionado sobre alegadas divergências entre os números oficiais e os de algumas autarquias.

António Costa afirmou que DGS agrega a informação inscrita no sistema pelos profissionais do setor relativa à doença Covid-19 e "não produz números".

"Cada médico faz a inscrição numa plataforma comum dos casos que identifica, essa é a origem. Os números da DGS são simplesmente a agregação dessa informação descentralizada, a DGS não produz números, agrega os números que lhe são transmitidos por todos e publica-os", respondeu António Costa que acrescentou que, “se todos os profissionais fizerem esse registo, os números da DGS são credíveis”.

 

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