Teatro Viriato reage à “deselegância” de Almeida Henriques

João Fiadeiro (coreógrafo) e Cristina Carvalhal (atriz) foram os nomes que estiveram em cima da mesa nas negociações entre o Centro de Artes do Espetáculo de Viseu (CAEV), a autarquia local e o Ministério da Cultura para possíveis substitutos de Paulo Ribeiro como diretores artísticos do Teatro Viriato, em Viseu. Os dois nomes acabaram por não avançar e o cargo é ocupado por Paula Garcia que foi nomeada diretora-geral e de programação.

Desde o anúncio da ida de Paulo Ribeiro para a Companhia Nacional de Bailado que ficou a expetativa de quem iria ocupar o cargo deixado pelo coreógrafo. O primeiro nome foi “vetado” pela Câmara de Viseu. O segundo, uma proposta da autarquia, acabou por não aceitar o cargo de diretor artístico.

O anúncio de que Paula Garcia, que já era diretora adjunta do Teatro Viriato, seria diretora-geral e de programação aconteceu um dia antes do final do ano. Na altura, e ainda antes do próprio Teatro ter feito oficialmente comunicado, já o presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, comentava que se tratava de uma escolha “pouco ambiciosa” quando o que queria era “uma solução positiva, renovadora e ambiciosa para a direção do Teatro Viriato”.“Entendo que a solução que o CAEV acaba por adoptar é uma solução interna e sem ambição”, disse o autarca.

“Deselegante”

Declarações que de imediato mereceram reparo quer por parte de artistas que nas redes sociais lamentaram a “deselegância” das palavras quer da própria direção do CAEV (entidade responsável pela gestão do Teatro Viriato) que acabou por lançar um comunicado de esclarecimento. Nele, afirma que a escolha de Paula Garcia garante “a continuidade e qualidade do projeto artístico da instituição” e explica as negociações que foram feitas até à nomeação final.

Segundo a nota envida à Comunicação Social, a direção informou que o então presidente da direção, Paulo Ribeiro, apresentou uma solução diretiva – João Fiadeiro – para o Teatro Viriato a 23 de novembro passado. Paula Garcia seria a diretora- geral e José Fernandes o diretor administrativo e financeiro.

No entanto, a proposta do CAEV foi “rejeitada pela Câmara de Viseu”. Depois de uma reunião do autarca de Viseu com o ministro da Cultura, a 29 de novembro, a direção do CAEV foi informada da proposta do município e cujo nome era a atriz Cristina Carvalhal.

“Nesse mesmo encontro, agendado por iniciativa do CAEV, os representantes da direção tiveram a oportunidade de detalhar o projeto artístico inerente à proposta inicial do CAEV e formularam uma nova alternativa: a criação de um conselho artístico, que integraria os criadores propostos pela Câmara e pelo CAEV. Contudo, a proposta foi rejeitada”, conta a direção.

Avanços e recuos

Nas reuniões sequentes, em que o município se fez representar por Jorge Sobrado, adjunto do presidente da Câmara de Viseu, diz o CAEV que entendeu integrar na direção pela autarquia, na qualidade de diretor artístico, “tendo iniciado com a mesma os contactos e reuniões para a formalização do contrato, com definição de funções, entre outras”. “A 23 de dezembro fomos informados pela pessoa proposta pelo senhor presidente de que a mesma não aceitava o cargo de diretor artístico”, esclarece o comunicado.

Perante esta situação, a direção do CAEV deu cumprimento à cláusula relativa à direção do Teatro Viriato e nomeou Paula Garcia como diretora- geral e de programação do Teatro Viriato, “tendo dado conhecimento prévio ao senhor presidente da Câmara de Viseu”. “Frustradas que foram as iniciativas no sentido de alcançar essa solução desejável, consubstanciada num criador e programador com dimensão artística nacional, e apesar da recetividade e boa cooperação do senhor ministro da Cultura, transmiti ao CAEV a responsabilidade exclusiva pela nomeação do futuro diretor, por forma a evitar um vazio de gestão da instituição”, vincou, por seu lado, Almeida Henriques.

Tiro no pé, diz BE

O Bloco de Esquerda insurgiu-se contra a forma como o presidente da Câmara se referiu à escolha de Paula Garcia. “ A notícia da nomeação não merecia a reacção grosseira do presidente do executivo municipal que ao classificar esta solução como “uma resposta interna, de transição e destituída de ambição”, preferindo “um criador e programador com dimensão nacional” mostra, mais uma vez, que dá preferência ao “foguetório” mediático, em detrimento da competência, da experiência e do trabalho consolidado”, lê-se num comunicado emitido pela estrutura partidária. Para o BE, “Almeida Henriques deu um tiro no pé, ao desvalorizar o serviço público prestado pelo Teatro Municipal de Viseu”.

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