Violência nos bares de Jugueiros, Centro Histórico e Rossio com câmaras de vigilância

A instalação de câmaras de videovigilância é uma das medidas que a Câmara de Viseu anunciou como reforço de segurança no centro histórico. Em curso está o projeto que vai levar à instalação deste equipamento que, numa primeira fase, vai abranger 17 zonas da cidade, a maior parte das quais no centro histórico e na envolvente do Rossio.

As câmaras ficam ligadas à PSP. Depois da denúncia de vários casos que reportaram problemas de insegurança, a autarquia viseense garantiu que haverá um reforço do patrulhamento policial na parte velha da cidade, tendo sido contratado serviço gratificado da Polícia de Segurança Pública. “Vai permitir colocar no terreno uma equipa de agentes que assegurará a vigilância de segunda-feira a sábado, entre as 22h00 e as 2h00 da manhã, e aos domingos, entre as 20h00 e as 24h00”, anunciou Almeida Henriques, presidente da Câmara de Viseu.

Segundo o autarca, “este reforço terá um custo mensal de 3 mil euros aos cofres da autarquia”. “O município está, mais uma vez, a substituir-se ao Estado Central neste papel de segurança pública, ao suportar o custo de um reforço de patrulhamento”, referiu Almeida Henriques. “A segurança dos cidadãos está em primeiro lugar, mas é uma resposta temporária à necessidade já diagnosticada de reforço de meios e efetivos da Polícia de Segurança Pública na cidade”, salientou o autarca.

A este policiamento adicional acresce ao patrulhamento já existente no centro histórico que inclui uma patrulha regular das 8h00 às 20h00, sete dias por semana, e o decorrente do Contrato Local de Segurança firmado com o Município, com ação entre as 18h00 e as 24h00 de segunda a sexta-feira, e uma equipa de intervenção rápida de quinta-feira a sábado das 20h00 às 4h00.

Os casos de insegurança

Este reforço do policiamento e das medidas de segurança no casco velho da cidade surge depois de uma mulher ter sido assaltada e agredida verba e fisicamente por dois jovens com cerca de 20 anos na rua Direita. Sandra Ramirez não esconde o medo que sentiu perante o “ataque” de que foi alvo e das ameaças que a dupla de assaltantes lhe fez.

Esta cidadã natural do Urugai e que há vários anos escolheu Viseu para viver queixa-se de não haver “policiamento à noite” na artéria. Durante o dia diz não ser preciso porque os comerciantes e moradores olham uns pelos outros. Sandra Ramirez ainda pensou em não apresentar queixa às autoridades, mas como cidadã achou que era um dever fazê-lo. “Eu vou mudar- me, lamento muito ter que sair desta zona porque é fabulosa, mas ultimamente tenho sofrido muito com a falta de segurança. Com toda a reconstrução que tem havido na cidade não podemos estar com este nível de insegurança nas ruas em Viseu”, defende.

Também em Jugueiros, junto à Escola Superior de Tecnologia, quem lá mora e sobretudo quem trabalha nos bares que são sobretudo frequentados pela comunidade académica se queixam da falta de segurança que, dizem, tem vindo a piorar de há um ano para cá. De acordo com o proprietário de um bar, que não se quis identificar para evitar represálias,“nos últimos meses têm sido recorrentes os conflitos criados por ciganos”, que entram no estabelecimentos, consomem e não pagam e ainda ameaçam as pessoas.

Alguns proprietários dos espaços de diversão chegaram mesmo a ser agredidos. “A polícia nada faz, chega quase sempre uma hora depois de chamada”, lamentam. A droga que é vendida junto das escolas é outro dos problemas e a polícia está atenta ao fenómeno. Nos últimos meses foram várias as operações desencadeadas pela PSP para pôr cobro ao “pequeno tráfico” praticado junto aos estabelecimentos de ensino. Com estas ações, que são para continuar, a força pretende “controlar o fenómeno” e “dissuadir quer os alunos de consumir quer os traficantes”, explica o comandante da PSP de Viseu, Vítor Rodrigues.

“Viseu é uma cidade muito segura”

Sobre a rua Direita, o responsável garante que a via “é segura” e que o assalto e as agressões a Sandra Ramirez foram “um caso isolado”. “É das zonas mais seguras na cidade de Viseu e que policiamos com muita frequência. Temos uma especial preocupação ali até pela vida noturna que a zona histórica tem”, diz. Vítor Rodrigues garante desconhecer os desacatos e conflitos ocorridos em Jugueiros e que os donos dos bares denunciam. Assegura que essa parte da cidade é patrulhada e aconselha lesados a apresentarem queixa. Para o comandante da Polícia de Segurança Pública, “Viseu é uma cidade muito segura” e com poucos crimes”. “Basta ver que apesar de ser uma cidade com pouca criminalidade e de estar em crescimento nos últimos anos ainda por cima temos vindo a diminuir a criminalidade”, remata.

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