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Será jogada este domingo a primeira mão das meias-finais da Taça da 1ª Divisão Distrital. Em Moimenta do Dão, o Alvite chega só com 12 jogadores disponíveis. Aos 11 que iniciam o jogo, junta-se apenas mais um que vai sentar-se no banco de suplentes.
Isto porque a equipa viu cinco jogadores expulsos pelo árbitro no jogo da segunda mão da competição, em Vila Chã de Sá. Vários jogadores foram punidos com alguns jogos de suspensão. A penalização mais alta foi a de afastar um jogador por quatro jogos.
E a equipa de Moimenta da Beira até poderia ter vivido uma situação mais complicada, caso os regulamentos não previssem que, na falta de um guarda-redes (um está lesionado e outro acabou suspenso por um jogo), o clube pudesse inscrever um guardião à última da hora. Situação que estava praticamente resolvida no momento em que este artigo foi escrito e que o Jornal do Centro confirmou junto do Alvite.
A dificuldade na preparação do jogo foi precisamente confirmada ao Jornal do Centro pelo treinador do Alvite. “Em cinco defesas, quatro foram expulsos. É normal termos dificuldade porque tivemos de adaptar jogadores em posições que não são as deles. Temos de ir a jogo e tentar fazer o melhor”, explica Marco Silva.
No lançamento deste primeiro jogo, o técnico diz que restou ao Alvite “recuar jogadores que jogam em posições mais ofensivas e colocá-los na defesa”, por faltarem atletas na zona mais recuada do campo. “Não há rotinas, há falta de entrosamento. Tem de ser, não temos outra solução”, lamenta.
E daqui em diante, a situação mantém-se praticamente alterada. “Na segunda mão volto a ter o guarda-redes porque apanhou segundo amarelo e só fui suspenso um jogo. Os outros apanharam três jogos, o resto foi tudo quatro jogos. Nem que vá à final, não consigo ter mais nenhum jogador de campo disponível”, afirma Marco Silva.
O técnico garante não se rever no que viu em Vila Chã de Sá, mas confessa ter dito aos jogadores que não lhes podia apontar nada. “Depois de ver o meu jogador agredido brutalmente e a ser pontapeado no chão, é normal os jogadores irem defender o colega. A partir daí começaram empurrões entre todos. Não posso condenar os meus jogadores por terem ido defender um colega”, sublinha, recordando o que aconteceu no jogo da segunda mão dos quartos de final da Taça.
Questionado sobre se alguma vez ponderou não ir a jogo, Marco Silva não escondeu que sim, que pensou sair da prova e não entrar em campo. “Sinceramente, pensei. Falei com o presidente, mas chegámos à conclusão de que mais vale ir a jogo do que estarmos a criar um mau ambiente, quer para a equipa adversária, quer para a Associação”, assume.
Resta, portanto, “ir a jogo, tentar lutar com as nossas forças”. “Tudo vamos fazer e acredito que não será fácil para a equipa adversária, também”, confia o treinador do Alvite.
Marco Silva defende que esta é uma situação em que não entra a verdade desportiva. “Vamos alterar a nossa forma de jogar. Jogadores que tinham outra rotina, mais andamento, não podem jogar. Não vai ser a mesma coisa. Tenho de ser sincero e dizer que a probabilidade de vitória passa a ser 35%-65%”, concretiza.
Ao Jornal do Centro, Marco Silva assume também que no Alvite o objetivo não era entrar na Taça, mas sim algo que não foi conseguido: chegar ao apuramento de campeão da 1ª Divisão distrital. “Quando entrei a meio da época já não era possível chegar à fase de apuramento de campeão. Então voltámo-nos para outro objetivo: ir à final da Taça”, revela.
O treinador do Alvite confessou também não ser um fã desta competição. “A Taça não veio acrescentar nada. Nem sei bem qual o objetivo. No meu entender, em vez de três séries, fazia-se duas e aumentava-se os jogos no campeonato em vez desta Taça”, defende.
Opinião partilhada por Paulo Seixas, treinador do Moimenta do Dão. O treinador lamenta que a 1ª Divisão distrital não tenha já sofrido alterações após as mudanças devido à pandemia.
“Por causa da Covid-19, não houve descidas na Divisão de Honra e chegámos a um ponto em que a Divisão de Honra tinha 24 equipas. Tornou-se difícil fazer uma calendarização adequada para a Primeira Distrital. Preferia a Primeira Divisão mais alargada e o molde antigo em que as equipas entravam na Taça Sócios de Mérito. Fazia mais sentido. Não sei se para o ano é mais possível. Para mim deveria haver duas séries, como era antigamente e uma calendarização mais faseada”, explica o treinador do Moimenta do Dão.
Paulo Seixas lamenta que a Taça de Sócios de Mérito tenha perdido importância porque é agora disputada por menos clubes. “O modelo anterior em que todas as equipas participavam, fazia mais sentido. Como é que uma competição pode ter o valor devido, se há equipas que acabam de jogar em fevereiro e outras algum tempo depois? Não faz qualquer sentido quando é a mesma competição”, argumenta.
O técnico dá o exemplo de quem vencer a Taça da Primeira Distrital. “A equipa que ganhar a final será no fim de semana de 30 de abril e vai estar duas semanas sem competir até chegar a Taça de Sócios de Mérito. Isso não faz sentido”, clarifica.
Sobre o jogo deste domingo, o técnico do Moimenta do Dão não espera facilidades. “Temos noção de que as equipas da Zona Norte são muito aguerridas e o Alvite não foge à regra. No entanto, nós, Moimenta do Dão, tudo iremos fazer para levar de vencida esta eliminatória”, refere.
Paulo Seixas assume que a intenção era de ir “à fase de apuramento de campeão” e lamenta não ter conseguido concretizar essa vontade. “Não vale a pena estarmos agora a arranjar desculpas. Estamos cá e vamos fazer de tudo para chegar à final”, promete.
Olhando para o adversário, o treinador do Moimenta do Dão entende que “em parte as expulsões do Alvite podem dificultar-nos a preparação porque não estamos a contar com alguns jogadores que vão estar”. No entanto, o técnico alerta para o facto de poder ser um motivo “para o Alvite se unir ainda mais e tornar o jogo ainda mais difícil.”