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Com a evolução das redes sociais, os comentários começaram a ter um forte peso na maneira como as pessoas interagem com o que lêem. Analisamos alguns dos comentários nos últimos 30 dias nas redes sociais do Jornal do Centro e concluímos que há vários exemplos de xenofobia, racismo e discriminação. Mas também cabe o elogio e a informação.
Na área do desporto os homens são os mais ativos. É o espaço onde se lêem mais insultos, revoltas e piadas como “aceita que dói menos”. Também é comum culpar o órgão de comunicação social quando a notícia não é favorável, principalmente no futebol quando o resultado não agrada. Mas há quem dê os parabéns pelo sucesso dos clubes, atletas ou associações e se sinta orgulhoso pelas conquistas.
A área da saúde também não escapa às críticas. Com urgências a fechar, falta de médicos e horas de espera, as queixas dos utentes aumentam sempre que há alguma notícia relacionada e o desabafo é, quase sempre, o mesmo: “os serviços estão piores”.
E a seguir ao futebol, é a política que mais “amores e desamores” tem nos comentários. Na análise efetuada, e no rescaldo da campanha e das eleições legislativas de 10 de março, notou-se uma maior interação com conteúdos relacionados com o ADN, Chega e AD. Os comentários levaram a longos debates e discussões escritas entre os utilizadores e “comentadores”. Poucas propostas foram deixadas nos comentários, mas houve felicitações aos deputados eleitos por Viseu para a Assembleia da República.
Com o clima cada vez mais alterado, as preocupações a ter pelo meio ambiente aumentam. Quando é noticiada uma reflorestação, ou algum corte de árvores ou diferenças de temperatura abruptas, as pessoas tendem a ter uma boa interação, demonstrando o seu interesse pelo futuro do planeta. Apresentam ideias que ajudam a melhorar a sustentabilidade e felicitam quem ajuda a intervir no aquecimento global. O governo e as suas políticas são muitas das vezes apontados como os culpados.
E em todos estes temas, os comentários têm em comum muitas expressões e declarações de xenofobia, racismo e discriminação.
Mas vamos a exemplos. Nos comentários a uma notícia sobre a conquista de direitos da mulher, há quem ainda deixe opiniões machistas. Numa outra, os roubos são associados a determinada etnia, recorrendo ao uso de analogias discriminatórias e raciais.
Podemos retirar desta análise que o mundo das redes sociais ser um espaço harmonioso, mas conflituoso, em que os meios para atingir alguém não medem o impacto das consequências.
“Há uma necessidade muito grande de informar as pessoas dos efeitos que podem causar um simples comentário que até podia nem ser com a pior das intenções. A desinformação gera mais desinformação e é preciso alertar os leitores que nem todos os comentários correspondem à realidade ou a experiências reais. Para solucionar este problema, algumas empresas já optam por responder a todos os comentários para que não haja margem para erro”, realçam, sobre este tema, vários utilizadores que fazem das redes sociais o seu local de trabalho.
Estudos recentes apontam que as redes sociais vieram afetar o campo da saúde mental, principalmente nos jovens, pelo ideal da perfeição, pela facilidade em rebaixar o outro, entre outras.
Ferramenta de trabalho
O espaço dos comentários pode ser público ou não. Permite aos negócios ou criadores perceberem o feedback do seu conteúdo ou produto. Hoje em dia, quando se deseja ir a algum lado, uma das coisas que se avalia são os comentários. Um mau comentário sobre um negócio pode vir a encorajar os seus clientes a desacreditarem o produto. O feedback dos locais é quase como um currículo, estes comentários conseguem mudar a maneira como se percepciona o conteúdo. Como as pessoas evitam perder o máximo tempo possível quando se vêm confrontados com um produto que não conhecem, em vez de lerem a informação correta limitam-se a olhar para os comentários e tirar as suas próprias conclusões.
Este problema acaba por ser uma alavanca para as “fake news”. Os títulos das notícias têm como principal objetivo captar a atenção do leitor, mas, por vezes, o leitor prefere fazer uma análise rápida e apenas contenta-se com o título e com o que dizem sobre a notícia, sem querer perceber realmente o que aconteceu.
Estudo indica: 86% dos jovens viciados nas redes sociais
Um estudo sobre o impacto das redes sociais na saúde mental revelou que 86% dos jovens portugueses admitem estar viciados nestas plataformas, um valor superior à média europeia (78%), e 90% já as utilizam desde os 13 anos. Publicado em 2023, concluiu que 80% dos jovens preferem comunicar pelas redes sociais, em vez de pessoalmente, e considera que estas são para os seus pares uma parte de si mesmos. Admitem, também, ficar aborrecidos se não puderem aceder às plataformas.
Dois em cada cinco jovens reconhecem que as redes sociais têm impacto negativo na sua saúde mental “muito por culpa dos conteúdos tóxicos a que assistem”, nomeadamente incentivos à automutilação (25%) e 90% já foi exposto a conteúdos de beleza tóxicos, revela o estudo.
Cerca de metade (45%) observou conteúdos que incentivam comportamentos de restrição ou distúrbio alimentar, 70% já consumiu informações que os incentivaram a utilizar de forma excessiva filtros nas suas fotografias e vídeos.
Três em cada quatro jovens viram conteúdos que mostravam “corpos perfeitos e irrealistas” e dizem concordar que as redes sociais têm o poder de os fazer querer mudar a sua aparência.
O trabalho agora conhecido é apoiado no lançamento de uma petição internacional em colaboração com a Mental Health Europe, uma rede europeia que trabalha na prevenção de problemas de saúde mental, que pretende levar o tema da segurança ‘online’ dos jovens ao Parlamento Europeu e legislar as redes sociais.
O estudo também analisou a visão dos pais sobre esta problemática, tendo concluído que 48% se sentem culpados por não estarem a proteger suficientemente bem os filhos daquilo que veem e ouvem diariamente ‘online’, 52% acredita que plataformas têm mais poder para moldar a autoestima e a confiança dos seus filhos do que eles enquanto pais e 40% confirma que os conteúdos têm impacto negativo na saúde mental dos filhos.
Mais de 85% dos pais concorda que as redes sociais precisam de mudar para darem uma experiência mais positiva aos adolescentes e que é necessário adotar leis para responsabilizar as plataformas pelos danos que estão a causar à saúde mental dos jovens.