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A corrida a um posto de carregamento livre… e a funcionar

Edição de 10 de maio de 2019
10-05-2019
 

Uma equipa de reportagem do Jornal do Centro viajou, por uma manhã, com um carro elétrico. O ideal para a cidade, com a autonomia a responder às necessidades do dia a dia. Não fosse metade dos postos para carregar os veículos estar sem funcionar... na “cidade inteligente e amiga do ambiente”

São cada vez mais os carros elétricos nas estradas portuguesas. E, à medida que aumenta a adesão, aumentam as dificuldades.

A oferta está a crescer, os preços até estão mais baixos, o problema é mesmo “atestá-los”. É o cabo dos trabalhos. Dos 10 postos de carregamento existentes na cidade de Viseu, apenas metade funciona (ver mapa abaixo).

São várias as vantagens para os utilizadores. Desde a isenção no Imposto Único de Circulação (IUC) à poupança nos parquímetros de estacionamento. Mas nem tudo são rosas. A autonomia dos elétricos tem vindo a aumentar, mas não o suficiente para que os seus utilizadores se deixem de preocupar. Bruno Ribeiro, condutor em Viseu e ao volante de um Renault Zoe, conta que “o primeiro desafio é chegar a um posto com, pelo menos, 20 por cento de autonomia”. “O segundo é que esteja livre e o terceiro”, mas não menos importante, “que funcione”. Revela, ainda, que foi obrigado a “encostar” o carro com autonomia mais baixa (100 quilómetros), pois “corria o risco de não conseguir voltar para casa no final do dia de trabalho”. Ainda assim, as horas de almoço são passadas no Fórum, enquanto o carro carrega. Mas apenas durante duas horas, senão começa a pagar estacionamento.

Na Rua Alexandre Lobo, por exemplo, o Jornal do Centro constatou que o equipamento pede que o utilizador passe o cartão aderente “MOBI.E”, que escolha a opção “Carregar veículo” e o número do posto em que o carro está estacionado. Quando o utente está pronto a ligar os cabos, depara-se com a mensagem “posto indisponível”.

No caso da Biblioteca Municipal e da Rua Major Leopoldo da Silva (atrás do prédio da Segurança Social), os equipamentos encontram-se “em manutenção”.

Durante a viagem cruzámo-nos com vários condutores de automóveis elétricos. Todos com o mesmo objetivo: carregar a viatura. Antes que estacionem, alertamos: “não está a funcionar”.

Um utilizador de um Tesla, em Viseu, diz que existe um “rácio” entre o número de carros e os carregadores disponíveis e que “para uma utilização mais frequente, havia necessidade da instalação de mais postos na cidade”. “É pena a cidade não ter um posto da Tesla. Quando comprei o carro (ainda não há um ano) estava no mapa das prioridades da marca”, lamenta, informando que a viatura é carregada em casa na maioria das vezes. “Afinal de contas, apesar de há tantos anos se falar na mudança de paradigma automóvel, não há condições mínimas para os utilizadores”, conclui o condutor.

Outro utilizador conta que “chegam a estar cinco carros à espera de um carregador”. “Acabamos por carregar só meia hora cada um para dar lugar ao próximo”, explica. O utente fala numa situação “insustentável” e afirma que, por exemplo, o posto de carregamento localizado na zona da Santa Cristina está fora de serviço “há um ano e tal” e o da Sé não funciona já há três meses. Segundo o automobilista, as queixas já chegaram à Câmara de Viseu e à empresa responsável pelos postos, mas nada foi feito. “A Câmara diz que nada pode fazer porque não é um assunto da sua competência. A MOBI.E diz que são as autarquias que têm de fazer acordos com os operadores”, lamenta. “Infelizmente não se paga, por isso nem sequer temos onde reclamar”.

Também Bruno Ribeiro preferia ter de pagar o carregamento, desde que estes funcionassem. “Quando estes postos, ainda grátis, passarem, tal como os rápidos, a ser pagos, se calhar as coisas mudam”, espera.

Quem tem a responsabilidade?

Contactada, a MOBI.E foi clara. Assim que recebe informação de que um posto não está a funcionar, reporta para o operador. “O problema da maioria dos postos de Viseu é serem de uma “rede piloto”, sem limite de tempo máximo para a resolução da avaria”, esclarece a empresa. Mas a Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE) garante que “sendo postos da rede piloto, os contadores são de responsabilidade da MOBI.E”.

Apenas os postos de Tondela e Mangualde foram instalados ao abrigo do Projeto “E3DL - Eficiência Energética e Ambiental nos Centros Urbanos de Dão Lafões”, garantiu, numa nota enviada à redação do Jornal do Centro, a Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões que foi quem liderou este projeto. Em Viseu, apenas quatro, na Avenida de Salamanca, na Central de Camionagem, na Avenida Messias Fuschini e no Monte de Santa Luzia. Um total de nove, dotados de painéis fotovoltaicos.

Na mesma nota, a CIM adianta que os postos de Mangualde se encontram em manutenção “devido a atos de vandalismo”, não fazendo referência aos que se encontram em Viseu e afirmando que em Tondela funcionam em pleno (informação contrária dada pela MOBI.E). Em relação à responsabilização da manutenção dos postos em caso de avaria, a CIM parece não ter dúvidas. “Considerando que os pontos de carregamento são propriedade dos municípios, a manutenção dos mesmos é da sua responsabilidade”.

A Associação UVE revela, ainda, que “a próxima fase do projeto, que a tutela garante ser até ao fim deste ano, será concessionar em concurso público todos estes Postos de Carregamento Normal a Operador Posto Carregamento para que sejam estes a manter e cobrar a operacionalização dos seus postos”. Contudo, “os municípios poderão e deverão fazer pressão junto da tutela, nomeadamente o Ministério do Ambiente, para que a reparação seja efetuada”.

No dia em que a equipa do Jornal do Centro saiu à rua, e depois de já ter contactado com a MOBI.E para obter informações sobre os equipamentos avariados, encontrou em dois dos postos de carregamento uma equipa de trabalhadores a fazer a ligação à rede dos mesmos.

À hora de almoço ainda não funcionavam. Mas a UVE explicou. “Muitos desses novos postos instalados pelos operadores aguardam que a EDP Distribuição ligue o ramal de alimentação, pois foram aumentadas as potências e para isso novas cablagens em alguns casos”.

Autarquia descarta responsabilidades

Almeida Henriques, presidente da Câmara de Viseu, garante que os postos “não são da responsabilidade da autarquia”. “Nós não só reportámos ao Ministério da Economia, designadamente à Secretaria de Estado da Energia, que tem esta responsabilidade, como temos manifestado o nosso descontentamento por Viseu não ter sido contemplada com os postos de carregamento rápido”, avança, acrescentando que o número de veículos elétricos que existem na cidade justificaria a instalação de mais equipamentos. “Além de termos poucos postos de carregamentos, alguns deles não estão ativos”, lamenta.

Boas notícias para breve

O presidente do município avançou, ainda, que “há, agora, um novo projeto que foi autorizado a uma empresa privada, que irá criar uma segunda rede de carregadores”. “Também no projeto dos novos parques de estacionamento em Viseu, todos vão ter também locais de carregamento”, remata.





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