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Abastecimento pode ficar mais caro por causa da seca

Edição de 5 de abril de 2019
05-04-2019
 

É uma medida que pode ser tomada em circunstâncias extremas. O município de Viseu vai proceder a uma alteração do regulamento de taxas e licenças que prevê o aumento do preço da água em caso de seca. A medida está prevista no plano de contingência que a Câmara Municipal encomendou para fazer face à falta de água, apesar de a Barragem de Fagilde se encontrar nesta altura completamente cheia.

“É uma medida extrema que é recomendada pelo Ministério do Ambiente e pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) que recomenda que se passe a prever uma alteração pontual numa situação de seca extrema”, explica o presidente da autarquia, Almeida Henriques, salientando que este aumento das tarifas pretende levar à redução do consumo de água num período de escassez.

Esta é uma solução que ainda só está a ser ponderada, pelo que o valor do aumento ainda não foi calculado. “Fica só previsto no regulamento. Se algum dia isso vier a ocorrer, a Câmara pode tomar essa medida”, explica.

Em 2017, a Barragem de Fagilde esvaziou, obrigando o município a recorrer a camiões cisterna para que a água não faltasse nas torneiras dos viseenses. Esta operação pode repetir-se já este ano. Preocupado com a falta de chuva, o executivo já iniciou um processo de contratação de autotanques que vão transportar água “para o caso de ser necessário e para o processo já estar feito”. “Este ano temos mais 1,5 milhões de metros cúbicos na barragem, com a colocação da ensecadeira, mas não sabemos bem o que o tempo nos reserva e temos que estar precavidos”, sustenta o autarca, que não esconde a preocupação com o problema, estando já o país a enfrentar uma situação de seca.

Na opinião de Almeida Henriques, a falta de água na região só se resolve com a construção de uma nova barragem, mas para isso o governo tem que informar “de uma vez por todas qual é o dinheiro que está disponível de fundos comunitários”. “É preciso que a Agência Portuguesa do Ambiente avance com o estudo da nova barragem e que se lancem as bases da construção”, defende, recordando que em causa está um investimento de 17 milhões de euros. “Fagilde tem um período de vida de sete a dez anos e portanto é preciso começar já a construí-la (barragem) para que ela comece a funcionar na altura devida”, conclui.

Sernancelhe: falta de água começa a preocupar

A situação de seca meteorológica que afeta o país já começa a causar apreensão também na zona de Sernancelhe, apesar de a Barragem de Vilar que abastece grande parte do concelho continuar com níveis considerados “razoáveis”.

Em 2017, a albufeira não apresentou grandes problemas e garantiu o abastecimento às populações, ainda assim nessa altura, e por precaução, o município promoveu ações de sensibilização junto dos habitantes. Este ano, a situação de seca também ainda não está a provocar grandes efeitos, mas na opinião do presidente da Câmara, Carlos Santiago, há que estar atento ao problema. “A água vai nos fazer muita falta”, admite, acrescentando que o concelho encontra-se num “patamar de algum controlo”.

“A nossa albufeira ainda está em níveis aceitáveis, neste preciso momento ainda não estamos em alerta. Temos algumas captações próprias, mas se a água falhar na barragem, falhará também em alguns lençóis freáticos e tem que haver aqui algum cuidado. Vamos ver como é que correm as próximas semanas e depois o município irá avançar com medidas de sensibilização para termos cuidados com os gastos da água”, explica o autarca.

Carlos Santiago considera que hoje, ao contrário do que acontecia há alguns anos, as pessoas estão mais atentas e despertas para o problema das alterações climáticas e para a preservação dos recursos naturais. É também essa consciência cívica que tranquiliza o presidente da Câmara de Sernancelhe face a esta questão da seca.

Viseu viveu período preocupante não há muito tempo

Há dois anos, o distrito de Viseu passou por uma crise sem precedentes de água, que culminou na situação de seca extrema que se prolongou por vários meses e começou na época do verão.

As altas temperaturas, a falta de chuva e, mais tarde, os fogos de outubro de 2017 provocaram uma seca extrema que preocupou autarquias, motivou a intervenção do Governo, o uso de camiões cisterna para transporte de água e a realização de campanhas de sensibilização.

Tal cenário já era previsto e falado no início do mesmo mês, ainda antes dos incêndios que devastaram a região de Viseu e motivaram a barragem de Fagilde a retirar mais de um milhão de metros cúbicos para o combate às chamas. Na altura, o então secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, admitiu o risco iminente de escassez de água nos concelhos servidos pela barragem de Fagilde – Viseu, Mangualde, Nelas e Penalva do Castelo –, se continuasse a não chover.

Para responder à situação, foram chamadas várias dezenas de camiões cisternas e corporações de bombeiros para proceder ao transporte de água até Fagilde e outros reservatórios, numa operação que arrancou nos finais de outubro. Viseu chegou a receber mais de 100 cargas por dia. O Governo deu apoio, dando 250 mil euros aos quatro municípios de Fagilde para ajudar ao transporte.

O ministro do Ambiente, José Matos Fernandes, falava de um “caso em que aprendemos muito”.

Ao fim de vários meses em sobressalto, Viseu deixou de estar em seca severa em meados de fevereiro de 2018, passando a viver desde então uma situação de seca moderada. Em março, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera confirmou que Viseu já tinha ultrapassado a seca, afirmando que a chuva repôs os valores de água no solo considerados como normais.

Para que situações como esta não voltem a repetir, foram tomadas várias medidas e estudadas outras. Entre elas, foram colocadas ensecadeiras em Fagilde para garantir o aumento da capacidade de armazenamento da albufeira. Orçada em mais de 110 mil euros, a intervenção aumentou a capacidade de armazenamento em mais 1,5 milhões de metros cúbicos de água. Fagilde tem, agora, capacidade para 4,3 milhões de metros cúbicos.

Já em fevereiro deste ano, foi revelado que a albufeira da Pretarouca, em Lamego, vai também aumentar a sua capacidade em 30 por cento, permitindo criar uma reserva em caso de seca prolongada, com a instalação de duas comportas com dois metros de altura útil no descarregador de cheias. O investimento ronda os 1,5 milhões de euros.

Empresas intermunicipais também estiveram em cima da mesa. Uma delas, a Águas de Viseu (que juntava oito municípios da região), não chegou a tornar-se realidade.





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