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Caramulo: um lugar de oportunidades onde faltam gente e investidores

Edição de 1 de março de 2019
03-03-2019
 

“A Serra do Caramulo será tudo aquilo que nós quisermos”. É esta a afirmação desafiadora feita pelo presidente do Centro de Estudos e Interpretação da Serra do Caramulo (CEISCaramulo) a propósito da discussão à volta do futuro desta região. Luís Costa assume que este desafio “nunca poderá ser construído a solo, por um só solista. Mas sim por um conjunto de intérpretes que criem novas dinâmicas e um desenvolvimento que se quer sustentável”.

“Todos os atores com responsabilidades, como todos aqueles que vivem aqui, de mãos dadas com novos investidores e com a orientação estratégica e interventiva dos autarcas que dirigem os destinos dos concelhos que integram este território único, como são os exemplos de Águeda, Mortágua, Oliveira de Frades e Tondela, devem apostar na promoção de políticas integradas e concertadas para explorar e rentabilizar os recursos inesgotáveis existentes, tendo em conta o potencial enorme que o próprio território oferece”, apelou.

Uma ideia que o presidente do CEISCaramulo lançou como semente no seminário “Caramulo e Patrimónios: Caminhos e Desafios para um Desenvolvimento Sustentável”, que contou, entre outros, com a presença do presidente da Câmara Municipal de Tondela. O autarca, José António Jesus, acrescentou, por seu lado, que o desenvolvimento sustentável da Serra do Caramulo passa pela conjugação de duas vertentes, “a sua dimensão patrimonial e as suas características naturais, apoiadas no seu potencial mais elevado, que são os seus produtos que definem e projetam os seus próprios traços identitários”.

O autarca de Tondela afirmou que o Caramulo “é um espaço privilegiado para práticas ativas de saúde para a valorização de um conjunto de atividades associadas à cultura, mas também aos espaços verdes, ao desporto de bem-estar e aventura e à sua incontornável gastronomia tradicional e ancestral”.

Falta gente

No diagnóstico efetuado, é consensual que a falta de gente no Caramulo e a sua fixação depende de uma oferta territorial atrativa. É por esta razão que o presidente da Câmara de Tondela fala em “unir pontes”, dando como exemplo o “projeto pioneiro” de criação da Rede das Aldeias de Montanha apoiada na valorização do produto turístico e na requalificação de infraestruturas básicas.

Para que este caminho possa ser um “trilho de sucesso”, José António Jesus revela que está “à espera do visto do Tribunal de Contas para uma obra de 2,3 milhões de euros para abastecimento de água e tratamento de águas residuais. Investimentos públicos que depois poderão arrastar investimento privado”.

Do ponto de vista do autarca de Tondela, “já são visíveis alguns sinais de investimento privado que estão a ganhar escala, como acontece em espaços de alojamento local e gastronomia, ou ainda na recuperação de imóveis degradados que eram antigos sanatórios e que hoje poderão ter outra função”.

José António Jesus está convicto que, hoje, o Caramulo tem muitos pontos chave de atração. “Olhando para o turismo de natureza, saúde e bem-estar, para a sua marca cultural, religiosa, patrimonial e, ainda, para o desporto automóvel, é possível desenhar novas estratégias e modelos que venham a gerar riqueza, fixar pessoas e potenciar a marca ‘Caramulo’, nunca deixando de valorizar o investimento privado, os atores locais e aqueles que contribuem para este desenvolvimento”, refere. Para isso ser possível “é necessário mais alojamento, recuperar e requalificar o parque habitacional da aldeia do Caramulo, onde existem mais de duas dezenas de imóveis abandonados e muito degradados”, assume.

“Dos antigos 19 sanatórios que a partir da década dos anos 30 chegaram a ser uma referência mundial para a cura de doenças respiratórias, ou pulmonares, dos quais apenas quatro foram recuperados para lares de idosos, restam 15 em adiantado estado de ruína e que o Município de Tondela quer recuperar para alojamento, melhorando a oferta, trazendo para a Serra do Caramulo novos residentes, que se possam fixar e trazer valor acrescentado para um território que é preciso revitalizar”, sublinhou Luís Costa, presidente do CEISCaramulo.

O património paisagístico

Um dos destaques da Serra do Caramulo vai para o seu referencial na área paisagística e que é preciso valorizar, como foi referido por diversos agentes presentes no seminário. Segundo a autarquia, há dois jardins que são espaços públicos - Jardim Jerónimo Lacerda e Jardim do Sameiro – que vão ser requalificados.

Um outro ativo importante no Caramulo são os antigos “Viveiros” que foram atingidos e danificados no incêndio de 2013 e que levou o Município de Tondela a desenvolver, em parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), “um projeto de reabilitação” deste local. “Estamos a prepará-lo para ter novas iniciativas e novas dinâmicas, em particular centradas no arborismo (parque de aventuras ou obstáculos para a prática de desportos de aventura e radicais), centradas naquilo que também é uma necessidade do território que passa pela criação de um espaço de campismo e caravanismo, que possa contribuir para revitalizar esta zona”, sublinhou o presidente da Câmara. A intenção é também integrar este parque de campismo/caravanismo na rota das “Aldeias de Montanha”, em particular em articulação com os Municípios de Oliveira de Frades e de Vouzela. “O objetivo é que se comece a dinamizar e a criar uma rede, ativando produtos turísticos locais, desde logo, o alojamento local, o património e a gastronomia”, sustentou José António Jesus.





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