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Carta gastronómica resgata receitas afastadas da mesa

Edição de 1 de fevereiro de 2019
01-02-2019
 

A autarquia de Viseu avançou já com um inventário do receituário como primeiro passo para a certificação de alguns dos produtos endógenos da região. Está, também, a desenvolver uma carta gastronómica com uma equipa que envolve um antropólogo (Alberto Correia), um historiador (Luís Fernandes) e um crítico gastronómico (Fernando Melo). No ano em que o concelho se assume como destino nacional da gastronomia, Viseu quer tirar partido da boa fama que tem à mesa.

“O processo de certificação é uma ambição que não pode deixar de estar presente. Criámos uma equipa interna para iniciar o trabalho do inventário que, depois, permitirá avaliar produto a produto, caso a caso, para, então, se avançar com a certificação não só a nível gastronómico como também artesanal”, começa por explicar Jorge Sobrado, vereador da Cultura e do Turismo. Segundo o autarca, o trabalho começou a ser feito com o linho de Várzea de Calde para, depois, se avançar para a Broa de Vildemoinhos.

Mas, para já, é a carta gastronómica que vai fazer o levantamento e o mapeamento do que define a mesa e a gastronomia da Beira Alta. Trata-se de um repositório de receitas, práticas e hábitos alimentares que vão desde o século XIX até aos dias de hoje. “A carta fará um mergulho no passado. É o resultado de um levantamento daquilo que se mantém vivo ou em condições de ser revitalizado aos dias de hoje. Será feito um mapeamento daquilo que ainda é possível provar e experimentar”, realça Jorge Sobrado.

De acordo com o autarca, esta carta terá uma ambição maior que o concelho e abrangerá a região Dão Lafões. “Embora haja alguns pratos especificamente ligados ao concelho de Viseu como o Rancho ou a broa de Vildemoinhos, existe uma gastronomia beiraltina que tem Viseu como uma comunidade de consumo”, justifica.

É unânime que em Viseu se come bem mas, alerta Jorge Sobrado, “estamos a esquecer-nos de alguns hábitos com o padrão de genuinidade e de qualidade”. “Temos uma base de comida saudável que queremos valorizar. Há pratos, receituários e produtos endógenos que hoje não são tão conhecidos como, por exemplo, o feijão papo de rola ou a feijoca de Viseu”, sublinha.

Segundo o vereador, todo o trabalho que vai ser desenvolvido ao longo do ano servirá para “o resgate de algum cabaz de produtos da Beira Alta que, por vezes, não estão tão presentes na nossa mesa, nos nossos hábitos alimentares, mas que fazem parte da nossa identidade rural e da nossa história”.

Mais de 30 iniciativas

A carta gastronómica é uma das ações que a autarquia planeou para o ano dedicado à “boa mesa”. Ao longo do ano estão programadas várias iniciativas que têm como objetivos os de demonstrar que em “Viseu se come bem” e que o património gastronómico cultural é um eixo turístico a ser valorizado.

E são mais de 30 as propostas para todos os meses até final de 2019 onde a gastronomia é o ponto em comum. A elaboração do Roteiro Aquiliniano de Gastronomia é uma dessas propostas. Pegando nas referências gastronómicas nas obras do escritor que nasceu em Sernancelhe, são feitas várias sugestões do que se pode e onde se pode comer. É uma revisitação “pela boca” da obra de Aquilino Ribeiro.

O vereador da Cultura destaca ainda outros eventos que já se realizam em Viseu e que este ano vão ter no seu centro a comida. É o caso do Festival de Street Art, as marchas populares, as Cavalhadas de Vildemoinhos e a própria Feira de S. Mateus. “Vamos também organizar um ciclo de conferências ao longo do ano onde se liga a gastronomia e o resto... à política, à fé, à saúde”, desvenda.

A “boa mesa” vai também passar pelos museus, pelas peças de teatro e pelos mercados ao longo de 2019. “Vamos organizar um roteiro de mercados locais nas freguesias e já está criado o roteiro do Viseu Rural para quem quiser visitar e conhecer as nossas povoações”, diz Jorge Sobrado.

Planos de ação para o turismo

O plano de ação para “Viseu 2019, Destino Nacional de Gastronomia” surge depois de “2017, Ano Oficial para Visitar Viseu” e “Viseu, Cidade Europeia do Folclore 2018”. Ao longo deste ano está montada uma operação que assenta em quatro eixos que pretendem tornar Viseu como “destino turístico cultural de excelência”. Na apresentação, o presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, destacou o lançamento do concurso público para a execução do projeto Viseu Arena e o lançamento da loja de turismo de Viseu, no mercado 2 de Maio.

A futura loja de turismo e posto de informação, a instalar no Mercado 2 de Maio, na zona histórica da cidade, que vai ter uma cobertura, será, segundo Almeida Henriques, um espaço “com várias componentes, além do acolhimento do turista, também uma lógica de Viseu ‘shopping’ com a presença de artesãos” da região.

Com este plano de ações, Almeida Henriques quer aumentar o número de dormidas em Viseu, depois de, em 2017, “ter chegado, praticamente, às 200 mil dormidas” e, em 2018, apesar de ainda não haver estatísticas, “tudo aponta que se chegou à meta estabelecida de 250 mil” dormidas.

Viseu, nos últimos dois anos e meio, avançou o autarca, passou de 1700 camas, “extremamente qualificadas, e hoje há mais 350 camas, o que permite ter para oferecer 2050, sendo que essas 350 são, sobretudo, alojamento local”.

“A cozinha beirã é genuína e em Viseu temos uma gastronomia de excelência, através desta distinção deste ano, queremos promover cada vez mais, desde os nossos restaurantes mais tradicionais aos mais sofisticados, aos mais recentes ‘chefs’ de cozinha, que se têm instalado no nosso território, a verdade é que temos boa qualidade em Viseu”, concluiu Almeida Henriques.





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