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Edição impressa: água 100% segura só em três concelhos

Edição de 6 de dezembro de 2019
06-12-2019
 

S. João da Pesqueira, Santa Comba Dão e Viseu são os três municípios com a “água mais segura” para beber, de acordo com o último relatório da ERSAR (Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos), um “selo de qualidade” relativamente ao controlo feito em 2018 e que no ano anterior era ostentado por Lamego e Cinfães e que agora o perderam. Os “bons municípios” vão ser premiados numa cerimónia a realizar na próxima semana.

Os novos dados da ERSAR indicam que apenas oito concelhos, dos 25 em análise na região de Viseu, melhoraram a qualidade da água no consumidor. Sátão foi quem teve o melhor desempenho. Em 2018, no total do país, 36 concelhos (34 em 2017) registaram um indicador de 100 por cento de água segura, sendo que 16 foram na região Centro.

“Com estes dados verifica-se haver uma melhoria no indicador água segura de 0,21 por cento em relação ao ano de 2014, podendo afirmar-se que a água na torneira do consumidor é de confiança porque, além de estar bem controlada, é genericamente muito boa”, confirma esta entidade.

O setor do abastecimento público em Portugal tem sofrido nos últimos anos uma significativa evolução com a ERSAR a assegurar que “hoje 99 por cento da água controlada é segura, quando em 1993 este indicador se cifrava apenas nos 50 por cento”.

A entidade explica que as eventuais situações com valores de água segura inferiores a 95 por cento não significa que exista risco para a saúde humana, na medida em que todas as situações de incumprimento dos valores paramétricos são “acompanhadas pelas autoridades de saúde de forma a avaliar e salvaguardar a proteção da saúde humana”.

Mas, se na torneira a água que chega é “de primeira” na maioria dos casos, a entrega em alta (a parte da captação até à distribuição) nem sempre apresenta valores de referência. “Apesar do panorama global ser muito positivo, os resultados na torneira do consumidor não apresentam o mesmo desempenho verificado nos pontos de entrega em alta, justificado pela maior complexidade técnica na gestão das redes de distribuição em baixa comparativamente às redes de distribuição em alta”, explica esta entidade. Em muitos casos, os sistemas estão obsoletos e outros a ser requalificados. Ainda existem alguns aspetos que carecem de melhoria.

“Nos últimos dois anos estas entidades não conseguiram identificar as causas de cerca de 50 por cento dos incumprimentos dos valores paramétricos detetados, sendo fundamental que melhorem os seus processos de monitorização e investigação de forma a ser possível identificar as causas dos incumprimentos e assim atuar sobre as mesmas”, alertam os responsáveis.

A média de Portugal em 2018, para o indicador água segura é igual a 98,63 por cento, sendo que 209 em 278 concelhos (75% do total - 10 não forneceram dados) apresentam um bom desempenho.

Segundo a ERSAR, a partir deste ano terá início a terceira geração da avaliação e acompanhamento do sistema de água e resíduos que terá como grande alicerce a avaliação do risco. Isto é, a introdução de critérios que definirão os parâmetros a controlar com maior ou menor frequência de amostragem em função do histórico da qualidade da água, das caraterísticas da água bruta, dos tratamentos aplicados e das demais especificidades de cada sistema de abastecimento. Tudo para “eliminar ou reduzir potenciais riscos”. 

E a água nos fontanários? Pode-se beber?

O recurso à água de fontanários não ligados à rede de distribuição pública é um hábito antigo em Portugal, nalguns casos relacionado com o facto de uma pequena parcela de população ainda não ter acesso a água canalizada nas suas habitações em pleno século XXI.

Em relação ao controlo da qualidade dos fontanários não ligados à rede pública existentes em zonas com abastecimento público, não constituindo, por isso, uma origem única de água para consumo humano, as entidades gestoras têm optado por não efetuar o controlo, preferindo colocar placas informativas de água não controlada.

Dos dados recolhidos verifica-se que cerca de 90 por cento dos fontanários de origem única possuem um sistema de desinfeção. Apenas na região Centro persistem ainda fontanários de origem única de água sem desinfeção, embora o esforço efetuado pelas entidades gestoras na correção desta situação seja “assinalável” e consubstanciado no facto de na região Centro ter aumentado em cinco pontos percentuais a percentagem de fontanários com desinfeção da água que passou de 81 por cento, em 2017, para cerca de 86 por cento em 2018.

Nas ações de fiscalização junto das entidades gestoras, a ERSAR tem vindo a confirmar a existência de locais servidos por fontanários que são considerados origem única de água e, por isso, têm de ser controlados. Para garantir a qualidade microbiológica, as entidades gestoras devem, como medida de salvaguarda da proteção da saúde humana, assegurar a desinfeção da água, procedendo à verificação de conformidade através da sua monitorização.





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