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Edição impressa: As voltas que o socorro dá

Edição de 29 de novembro de 2019
30-11-2019
 

A saída da equipa do INEM (helicóptero e Viatura Médica de Emergência e Reanimação – VMER) de Santa Comba Dão para Viseu deixou apreensivo quem diariamente tem de prestar socorro às populações. Elementos da proteção civil e do próprio INEM queixam-se que ficou uma área grande (sul do distrito de Viseu e parte do de Coimbra) sem socorro de proximidade quando é o próprio Instituto Nacional de Emergência Médica que diz que os meios são selecionados de acordo com a distância do local da ocorrência. “A diferença poderá estar entre ter o socorro em 15 minutos ou, por exemplo, 40 minutos”, alertaram já vários bombeiros.

Neste momento, as duas VMER que existem no distrito estão sedeadas em Viseu e são estas equipas que, em situações mais graves de assistência médica, têm a primeira intervenção. Há ainda as ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV e em Viseu estão estacionadas em S. Pedro do Sul, Tondela e Moimenta da Beira), as viaturas que são do INEM e as que estão afetas aos bombeiros (ambulância à qual é dado o nome de Posto de Emergência Médica), a que se juntam ainda os meios da Cruz Vermelha.

“Temos vários meios, mas não são os suficientes. Claro que é sempre preciso mais”, concorda, quase unanimamente, quem todos os dias está no terreno.

No socorro, são várias as entidades que atuam e tudo começa com o número 112. Ao marcar estes três números (que são também os utilizados na Europa), inicia-se todo um procedimento que tem de ser rápido. “Os canais estão bem definidos, o que não quer dizer que não se possa melhorar”, começa por dizer fonte ligada à proteção civil. E uma das melhorias passa pela triagem quer “do lado de quem está a receber a informação, quer de quem a está a prestar”. Esta é “a parte mais importante”, reforça.

Desde 2017 que quem estiver no distrito de Viseu e ligar o 112 (ver infografia página 12) a chamada vai cair num dos operadores (PSP ou GNR) de uma grande sala no Porto, unidade à qual é dado o nome de Centro Operacional do Norte (CoNor). É a partir daqui, e em tempo real, que começa a triagem e o alerta para os meios. Todas as ocorrências passam por aqui porque é onde está instalada uma plataforma tecnológica que permite receber várias chamadas em simultâneo e com tecnologia para cidadãos surdos, através de vídeoconferência.

Se for um caso de polícia, é para as autoridades de segurança que a situação é reencaminhada. Se for um incêndio é alertado o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS), neste caso de Viseu. Se for doença ou acidente com vítimas é o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU de Coimbra) que avalia no mais curto espaço de tempo os pedidos com o objetivo de determinar os recursos necessários e adequados a cada caso.

“Num acidente de viação, por exemplo, se houver vítimas encarceradas, é o CODU que transmite a informação ao CDOS que são necessárias viaturas de desencarceramento. Se por acaso os veículos afetos ao INEM estiverem todos a serem usados, podem acionar os meios dos bombeiros”, exemplificou a mesma fonte.

Mesmo em caso de incêndio é o 112 que se deve ligar, isto porque o sistema que está no CoNor tem georeferenciação e uma plataforma tecnológica partilhada por todas as entidades de socorro e segurança.

A configuração da prestação de auxílio à população com este novo modelo, segundo os últimos dados do INEM, permitiu já retirar algum tempo às chamadas de triagem e um socorro “mais rápido” às vítimas.

E é precisamente esta rapidez que é contestada com a saída do helicóptero do INEM de Santa Comba Dão para Viseu. Com a aeronave foi a VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação) que lhe está afecta e que é “cobiçada” pelos concelhos que ficam entre Viseu e Coimbra e são atravessados pelo IP3.

O aparelho saiu de Santa Comba Dão por ordem da ANAC (Autoridade Nacional de Aviação Civil) por a pista não cumprir com os regulamentos exigidos. A solução foi a deslocalização para Viseu, mas há quem coloque a hipótese da aeronave se mudar para perto de Coimbra. Uma possibilidade que as autoridades de socorro do sul do distrito de Viseu rejeitam. A vontade é que o helicóptero e a VMER regressem a Santa Comba Dão que já tem uma história de quase 30 anos ao serviço da emergência médica.

“Tenho esperança que as entidades consigam reverter em pouco tempo as divergências relatadas pela ANAC que nos surpreendeu com o fecho da helipista”, desejou Hélder Costa, comandante dos Bombeiros Voluntários de Santa Comba Dão que explicou que os problemas “estão relacionados com os canais (obstáculos) de entrada e saída” do espaço.

Além dos bombeiros, também os autarcas e médicos desta região já manifestaram a urgência em ter este meio de socorro rápido no sul do distrito de Viseu, lembrando tratar-se de uma zona que é atravessada quer pelo IP3, uma das vias que mais acidentes tem, e pela linha da Beira Alta.

A resposta de proximidade

A equipa que opera o helicóptero e a VMER é constituída por cinco elementos. O comandante e segundo comandante da aeronave, a que se juntam o mecânico, um médico e um enfermeiro. São estes dois últimos elementos que também estão na VMER que, segundo os bombeiros, é acionada com frequência, até porque em resposta de urgência é “sempre o meio mais próximo que vai”.

E a rapidez no socorro é uma das razões apontadas para que a equipa da VMER regresse novamente ao local de origem. As autoridades reforçam que este meio não era só para os concelhos de Santa Comba, Mortágua ou Carregal do Sal, mas abrangia uma área mais alargada como Oliveira do Hospital, Arganil e Tábua. “A diferença está entre ter o socorro em 15 minutos ou, por exemplo, 40 minutos”, como alertaram já vários bombeiros. O helicóptero, por outro lado, é “vital” para as zonas de serra.

A nível nacional

1.339.594 chamadas atendidas pelo 112 em 2018

93 acionamentos por helicóptero, 48.137 por VMER e 18.095 por SIV, de janeiro a junho de 2019





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