A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

Fazem o trabalho de oito cirurgiões

Edição de 25 de outubro de 2019
25-10-2019
 

Os números estão acima da média. Enquanto que a Organização Mundial de Saúde (OMS) estipula que cada médico deve fazer 600 consultas por ano, no Centro Hospitalar Tondela Viseu (CHTV) cada um dos três clínicos, afetos ao serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular, realizou cerca de mil atendimentos.

“É o maior serviço de cirurgia vascular do interior do país neste momento”, assume António Simões, diretor da unidade que abrange cerca de 550 mil habitantes dos distritos da Guarda e da Covilhã, além de Viseu. Segundo os rácios da OMS, “para este número de habitantes deviam ser oito cirurgiões”. “Durante dez anos fomos dois. Entrou um especialista no ano passado (2018) e mais outro este ano”, explica António Simões.

Os cirurgiões operam três vezes por semana, o que dá uma média entre 400 a 500 cirurgias por ano. “Quando há ‘doentes a mais’ fazemos períodos suplementares para não os deixarmos muito tempo em espera. Há 11 anos que não sai um doente daqui para ser operado noutro hospital, a não ser que a doença seja muito complexa e precise de ser tratada num centro altamente diferenciado como, por exemplo, em colaboração com a cirurgia cardíaca que não temos”, esclarece António Simões.

“Aqui trabalhamos ao nível de qualquer hospital”, acrescenta o cirurgião vascular. “O que os grandes hospitais vendem é que os pequenos serviços operam umas ‘coisitas’ e não é bem assim. Antes pelo contrário. Se fizer as contas, qualquer um de nós aqui opera mais do que os grandes hospitais porque é a dividir por mais”, sustenta.

O que é a angiologia e cirurgia vascular?

É uma especialidade que se centra no estudo e tratamento das doenças do sistema circulatório, para além do coração e do sistema nervoso central, ou seja, foca-se nas patologias das artérias, veias e linfáticos. Os serviços com que mais trabalha são Nefrologia, Cardiologia, Anestesia e apoio ao pé diabético. Varizes, aneurismas da aorta e doença arterial periférica são alguns dos problemas com que este serviço mais lida.

“Embora não seja mediaticamente muito visível, é transversal a doenças gravíssimas do ponto de vista da qualidade de vida, por um lado, e da própria vida, por outro”, elucida o diretor do serviço.

A equipa de Angiologia e Cirurgia Vascular no CHTV é constituída por quatro especialistas, um técnico de ecodoppler (exame frequentemente realizado), e enfermeiros. “Precisava de mais técnicos, enfermeiros e tempo para apoiar os enfermeiros”, frisa o diretor de serviço.

A equipa de enfermagem

São 17 os profissionais de enfermagem afetos a este departamento. Fernanda Mesquita, chefe de enfermagem do Serviço, conta que o grupo é jovem e trabalha em sintonia “para que se possa dar o melhor apoio e qualidade aos pacientes”.

“A Cirurgia Vascular no pós operatório é muito exigente, necessita de muitos cuidados e atenção por parte dos enfermeiros”, refere, adiantando que, por isso mesmo, estes profissionais necessitam também da experiência dos médicos para não deixarem passar “qualquer coisa que possa causar danos ao doente”.

Depois de uma operação vascular um dos problemas que requer mais atenção é a ocorrência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou de um enfarte, daí que a equipa de enfermagem tenha que estar “muito” atenta “a todo o tipo de situações”. “As tardes de bloco e as noites a seguir são muito complicadas. Tem de se estar mesmo alerta. Nesse aspeto, a população hospitalar não está bem ciente disso. A cirurgia vascular é uma área muito exigente que pode causar danos ao doente, se não forem devidamente diagnosticados e se [os profissionais de saúde] não estiverem de alerta para determinados sintomas”, sustenta Fernanda Mesquita.

Segundo esta responsável, o serviço deveria ser reforçado com mais enfermeiros dada a complexidade da área, mas não só. Os 17 elementos que integram a equipa também trabalham noutras especialidades, como Urologia ou Ortopedia, o que acaba por causar constrangimentos na unidade.

Simpósio em dezembro

Com o objetivo de atrair mais profissionais para a área da Angiologia e Cirurgia Vascular, a unidade vai realizar um simpósio em dezembro. Intitulada “Primeiros Encontros de Angiologia e Cirurgia Vascular do CHTV”, a iniciativa vai debruçar-se em sessões sobre patologias frequentes, arteriais e venosas. O diagnóstico dos pacientes, o tipo de tratamento adequado a cada doente e a abordagem a realizar num pré e pós operatório são alguns dos temas a tratar. Uma das matérias práticas que será mais trabalhada é a área dos pensos. “Embora o Hospital, a nível de internamento, não tenha contacto direto com a úlcera crónica, é importante passar a mensagem que existe e quais as armas que temos para as combater”, salienta António Simões.

Através do simpósio, o corpo hospitalar vai aproveitar, ainda, para contactar com Juntas de Freguesia a fim de fazer ações de sensibilização junto da população. “Há falta de conhecimento, na população em si, sobre esta área. Ainda hoje é difícil convencer alguns pacientes que os problemas circulatórios que têm são por causa do tabaco”, exemplifica o cirurgião.





  • 2002 - 2019 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT