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Frio chega a todos

Edição de 18 de janeiro de 2019
18-01-2019
 

Com o termómetro a marcar temperaturas negativas nos primeiros dias de janeiro, o frio é um incómodo quando faltam meios para minimizar o desconforto. Da Justiça às autoridades, passando pelas escolas e centros de saúde, ainda há quem tenha de vestir roupa extra para enfrentar o inverno.

Nem as autoridades escapam

A falta de condições de aquecimento no edifício da PSP de Lamego leva a que alguns agentes trabalhem de gorro e se queixem de não conseguirem trabalhar no computador com as mãos “geladas”. A PSP de Lamego está instalada num edifício cedido pela Câmara Municipal local e, segundo José Santos, dirigente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), a instalação elétrica é antiga e não “aguenta o aumento de potência para que possamos ter aquecedores ou ares-condicionados ligados ao mesmo tempo que computadores e outros equipamentos”.

O sindicalista, que presta serviço na esquadra de Lamego, contou ao Jornal do Centro que cada vez que são ligados aquecedores a óleo ou termo-ventiladores, “disparam os quadros elétricos e os disjuntores”. José Santos disse ainda que já teve de deixar de trabalhar no computador por ter as mãos muito frias. “Não conseguia tocar no teclado”, queixou-se.

Comandante da PSP desmente

Segundo Vítor Rodrigues, comandante distrital da PSP de Viseu, não existe qualquer problema no aquecimento da Esquadra de Lamego. “É uma notícia que não sei de onde terá partido”, diz o intendente. Vítor Rodrigues acrescenta que o único problema que houve a registar “há uns tempos” dizia respeito à questão da rede elétrica que implicou que “no ano passado, com o apoio da Câmara Municipal, houvesse uma repartição entre quadros para que a ligação dos aquecedores não provocasse o disparo frequente”. Uma intervenção que, segundo o comandante, resolveu o problema. Vítor Rodrigues não entende as queixas quando “ainda há pouco tempo foram distribuídos, pela nossa Direção Nacional, ares-condicionados para Lamego. Portanto não sei de onde vem essa notícia”, realçou.

O dirigente da Associação Sindical dos Profissionais da PSP, José Santos, diz que o comandante está a mentir e desconhece onde possam estar os ares-condicionados. O sindicalista contou ainda que a falta de condições de aquecimento não se fica pelas instalações da esquadra, referindo-se também às viaturas com mais de 17 anos que não têm sistema de ar quente.

Calor em vez de frio

No edifício da PSP de Viseu os agentes não passam frio. José Chaves, da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, diz que as instalações da esquadra da cidade viseense “têm melhores condições”, por se tratar de um edifício mais recente, e que o problema da falta de aquecimento não se verifica. Ainda assim, o sindicalista refere que, de verão, a “parte sul” do edifício “aquece demais” e torna-se “quase impossível” trabalhar nas salas em que “o sol bate quase todo o dia”. “Nem as ventoinhas resolvem a situação”, referiu.

Na GNR também se “bate o dente”

No distrito de Viseu são três os quartéis que apresentam menos condições de conforto e aquecimento. Segundo a delegação do Centro da Associação dos Profissionais da GNR, as situações mais críticas verificam-se em Cinfães, Vila Nova de Paiva e Canas de Senhorim. Em Cinfães, o sindicalista Luís Silva referiu-se a um edifício antigo do Posto Territorial, em que as instalações “são frias, com infiltrações e com muita humidade”.

O mesmo se passa com o Posto Territorial de Vila Nova de Paiva. Esta sexta feira (18 de janeiro) é assinado um protocolo de colaboração, entre o município local, a Secretaria-Geral da Administração Interna e a GNR, com vista à requalificação de um edifício que “não tem condições nenhumas”.

Luís Silva apontou ainda o Posto Territorial de Canas de Senhorim que é antigo e, apesar de “ter bom aspeto, não tem aquecimento”.

A nível geral do distrito, a situação dos quartéis da GNR tem vindo a melhorar, segundo o sindicalista, devido às várias intervenções e requalificações que têm vindo a ser feitas, proporcionando “as mínimas condições”. 

Tribunais com aquecedores a óleo

Se em Santa Comba Dão quem está no tribunal já não tem de passar frio, há outros espaços na comarca de Viseu que ainda têm de recorrer aos tradicionais aquecedores a óleo ou outras fontes de aquecimento. É assim em Tondela, por exemplo, ou em S. João da Pesqueira, tribunal de proximidade onde, pelo pouco uso não se “justifica” um grande investimento na colocação de um sistema mais moderno.

Em Viseu, os utentes queixam-se de apanhar frio enquanto esperam nos corredores.

“Estamos a melhorar a climatização em vários edifícios, nomeadamente trocar os sistemas antigos que ainda usam caldeiras”, explicou Maria José Guerra, juiz-presidente da Comarca de Viseu.

A magistrada admite que há situações mais complicadas mas que estão a ser resolvidas.

“Em Viseu não nos podemos queixar. Para o público é, sim, mais complicado. O problema está nas partes comuns de passagem e no hall. Mas como resolver isso”, questionou a juiz-presidente.

Segundo Maria José Guerra, as testemunhas podem utilizar a sala a elas destinadas, que estão climatizadas.

Alunos a "tiritar" nas salas de aula

m várias escolas do distrito de Viseu a falta de aquecimento é também um problema, com queixas dos alunos que dizem estar a tremer de frio nas salas de aula. Há falta de aquecimento nos Centros Escolares Rolando de Oliveira e de Jugueiros, em Viseu, num Pavilhão da Secundária Viriato, na mesma cidade, e ainda em alguns espaços da Escola Emídio Navarro. Em Sernancelhe é na EB 2,3. Em Vila Nova de Paiva é no Agrupamento de Escolas. Em Oliveira de Frades, nos últimos anos houve registo de queixas, com alunos a levar de casa mantas e até aquecedores, mas este ano a direção decidiu não poupar e manter quentes todos os espaços.

Parte destes casos foram avançados ao Jornal do Centro pelo Sindicato dos Professores da Região Centro que está a fazer um levantamento em toda a região. “Estas situações bastam para ficarmos preocupados. O que é isto de uma escola sem aquecimento nesta altura do ano? Isto não pode ser. Tolera-se um dia porque avariou, mas não pode é a situação permanecer sem que alguém faça alguma coisa para resolver o problema”, afirmou o sindicalista Francisco Almeida, sublinhando que as crianças e jovens, mas também os professores “a tiritar de frio” não fazem nada nas salas de aulas.

“Como é que alguém estuda, trabalha, dentro de uma sala de aula gelada? Mais do que acusarmos sobre esta situação devemos exigir que o problema seja resolvido”, defendeu. Numa resposta ao Jornal do Centro, a Câmara de Viseu garante desconhecer a existência de problemas nos centros educativos do concelho, acrescentando que ninguém se queixou da situação à autarquia.

Em Sátão já há aquecimento, em S. Pedro do Sul ainda não

A falta de manutenção é a razão pela qual há centros de saúde na região de Viseu onde é preciso levar roupa extra para enfrentar o frio. É o caso de S. Pedro do Sul. No centro de saúde o equipamento de climatização não está a funcionar e a resolução do problema só deverá ser ultrapassada dentro de algumas semanas. Já em Sátão, onde havia só um pequeno ventilador para aquecer a sala de espera, a situação já está praticamente resolvida.

“As manutenções não foram feitas no passado e hoje estamos perante problemas complicados. Por falta delas, somos obrigados a fazer reparações muito caras”, explicou Cabrita Grade, diretor executivo do Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) Dão Lafões. Segundo este responsável, o maior problema está, precisamente, na climatização. “Hoje aparelhos bons estão completamente degradados e a ser alvo de constantes avarias que necessitam de reparações profundas”, sublinhou, afirmando que apesar da Administração Regional de Saúde do Centro ter colocado as situações como prioritárias “o facto é que não é assim tão fácil, até por dificuldades técnicas e de produção de equipamentos”.

O diretor executivo do ACES dá como exemplo o caso de S. Pedro do Sul. “Neste centro de saúde a climatização nunca funcionou. Quando entrei para este cargo estava convencido que no fim do Verão a situação estaria resolvida mas estamos no pico do Inverno e ainda não conseguimos desbloquear o problema que não é de fácil resolução uma vez que a empresa que fornecia as peças deixou de produzir”, contou. Cabrita Grade espera agora que o equipamento fique operacional dentro de semanas.

Relativamente ao Centro de Saúde do Sátão que, como o Jornal do Centro noticiou, os médicos tiveram de levar aquecimentos e os utentes mantas, o diretor do ACES disse que a parte do aquecimento já está a funcionar mas ainda há obras que não estão concluídas. “E é um edifício novo”, frisou para voltar a lamentar a falta de manutenção dos equipamentos nos últimos anos.





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