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Ginecologia e obstetrícia do Hospital de Viseu são uma referência internacional

Edição de 20 de setembro de 2019
20-09-2019
 

O serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Centro Hospitalar Tondela-Viseu (CHTV) quer estar ao lado dos melhores que existem na Europa (em termos de validação), um objetivo que pode estar para breve. Avaliadores de um colégio da especialidade estão esta sexta-feira nas instalações da unidade de saúde e Francisco Nogueira Martins, atual diretor do serviço, assume que a meta é a de “marcar a diferença” em Portugal. A assinalar 60 anos, a aposta, desde o início, “sempre foi a diferenciação do serviço”.

“Eu sempre achei que tínhamos de crescer à medida da Europa. Não é ser megalómano, não. Eu quero ter um serviço de referência com nível europeu e foi por isso que nós pedimos a edoneidade, para ser um serviço de formação europeu. Não temos intenção de trazer estrangeiros para Viseu, não temos intenção de fazer disto uma bandeira, mas temos a intenção de fazer valer aquilo que todos os dias fazemos. As pessoas acreditam que efetivamente nós somos bons. Queremos, realmente, ser muito bons”, realça o especialista que está no hospital desde 1988 e à frente do serviço desde 2009.

Segundo Nogueira Martins, são várias as “pérolas” que a Ginecologia e Obstetrícia têm e que são certificadas pelas estrelas máximas que todos os anos são atribuídas pela Entidade Reguladora de Saúde. Uma delas está na Unidade Funcional da Mama. “É uma das verdadeiras pérolas”, reforça, destacando o trabalho que o médico Cortez Vaz faz desde que criou, em 1997, a consulta da patologia da mama. “Este tipo de patologia implica uma formação específica e diferenciadora, o responsável pela unidade tem investido na formação e investigação. É inovador na cirurgia oncoplástica conservadora e na técnica do gânglio sentinela para o tratamento do cancro da mama”, exemplifica.

Já a Unidade de Medicina Fetal é “mais uma pérola” porque “mudou o conceito do diagnóstico pré-natal em Portugal”. “Esse conceito trouxe não só técnicas em que nós fomos praticamente pioneiros, como ainda hoje procuramos que o estudo do feto seja feito o mais precoce possível, oferecendo às grávidas a ecografia do 1.º semestre acompanhada da respetiva análise bioquímica”, aponta.

Oncologia sem listas de espera

O serviço de Ginecologia e Obstetrícia é composto por oito unidades. Além das duas já referenciadas, Nogueira Martins realça também o trabalho e a “necessidade” que houve em criar a Unidade de Oncologia, tendo em conta a elevada incidência da patologia e o facto do serviço ser de referência também para os doentes da Guarda. O que marca a diferença, e enquanto não chega a radioterapia, é que “não há listas de espera” e para as consultas e cirurgias sem ser oncológicas existe o “tempo de resposta garantido por lei”. “Está é uma das nossas grandes vitórias”, assinala.

“Nós respondemos a todos os tratamentos de oncologia e até com alguma inovação. O Dr. Nuno (responsável pela Unidade) trouxe para Viseu um desenvolvimento nas técnicas laparoscópicas, algumas delas pioneiras, e não há lista de espera”, realça. O médico lamenta, no entanto, que a radioterapia, prevista com o Centro Oncológico já anunciado, não tenha ainda avançado. “Seria fundamental, assim como o Hospital de Dia que aqui funciona num espaço exíguo”, afirma, esclarecendo, no entanto, que a radioterapia é forte na ginecologia, mas não chega a representar 30 por cento das doentes tratáveis.

Para o diretor, as unidades funcionais são a base de todo o serviço, desde a Unidade de Medicina Materna, onde é tratada toda a grávida doente, à Unidade Funcional de Interrupção da Gravidez, passando pela Unidade de Patologia Cervical, pela Medicina de Reprodução e pela Unidade de Ginecologia Urológica e Pavimento Pélvico. “Além das unidades, temos também os setores e o da formação é o mais importante de todos. Hoje recebemos alunos de todos os hospitais do país que escolhem este serviço para fazer o estágio”, realça , com orgulho, Francisco Nogueira Martins que volta ao início da conversa para reforçar a ideia que “nós queremos ser muito bons”.

Nasceram mais de 134 mil bebés

Foi em 1959 (12 de julho) que abriu a Maternidade de Viseu. O “criador” foi Nogueira Martins, não o Francisco (atual diretor do serviço de Ginecologia e Obstetrícia), mas o Abel. É a este médico que se deve o princípio da atividade hospitalar em Ginecologia e Obstetrícia. Já nos anos 20, logo após terminar os seus estudos, foi pioneiro na luta contra o parto no domicílio que considerava “um sinal de atraso civilizacional”. O aumento do movimento e a importância da melhoria dos resultados levaram a que em 1952 se juntassem a Abel Nogueira Martins os médicos Manuel de Sá Correia e Joaquim Alfaia. O trabalho desenvolvido pela equipa fez com que lhes fosse atribuído para a Maternidade o pavilhão que tinha sido construído para as doenças infecciosas. De então para cá, e até dezembro de 2018, já nasceram na Maternidade de Viseu 134 mil 144 crianças, o que dá uma média de 2313 por ano. Os anos 80 foram os “mais profícuos”.

Número de partos

  • 1968 - 1.303
  • 1978 - 2.450
  • 1988 - 3.250
  • 1998 - 2.654
  • 2008 - 2.434
  • 2009 - 2.321
  • 2010 - 2.287
  • 2011 - 2.324
  • 2012 - 2.147
  • 2013 - 1.915
  • 2014 - 1.797
  • 2015 - 1.886
  • 2016 - 1.965
  • 2017 - 1.850
  • 2018 - 1.856

Internamento em 2018

Obstetrícia - 2.001 doentes, demora média de 3,79 e taxa de ocupação de 55,2 por cento

Ginecologia - 761 doentes, demora média de 4,52 e taxa de ocupação de 94,4 por cento

Meios humanos

26 médicos do quadro, seis médicos internos de especialidade, 62 enfermeiras, 32 assistentes operacionais e cinco assistentes técnicos

Cronologia histórica

1959 – 1979

- Inauguração da Maternidade a 12/7/1959. A equipa inicial era constituída por dois médicos, duas irmãs religiosas e dois auxiliares de ação médica.

- Em 1960 é nomeado o primeiro diretor dos serviços de Ginecologia e Obstetrícia, Abel Nogueira Martins, e dois adjuntos: Joaquim Alfaia, tendo depois sido substituído por António Carlos dos Santos Laranjeira, e Manuel de Sá Correia.

- Em 1972 foi inaugurado o pavilhão préfabricado (cerca de 30 camas) a título provisório (duração prevista de cinco anos) e que se “aguentou” até 1997.

- Em 1973 construi-se um edifício anexo, ligado ao primeiro pavilhão, e no R/C instalou-se o serviço de Ginecologia, com sala de operações e três enfermarias (24 camas).

- Em 1975 foi criado o Bercário para os recém-nascidos de risco com duas enfermeiras.

1980 – 1989

- Foram adquiridos os primeiros cardiotógrafos para monitorização da grávida em trabalho de parto e a oferta da Fundação Calouste Gulbenkian permitiu ter o primeiro ecógrafo para uso exclusivo na Obstetrícia.

- Em junho de 1986 são separados os Serviços. Nomeado diretor de Obstetrícia António Laranjeira e do serviço de Ginecologia António Augusto de Almeida. Processo conturbado que levou à divisão pelas duas unidades dos já poucos médicos e recursos existentes.

- Em 1987 foi criada a Neonatologia.

- Em 4 de janeiro de 1988 foi colocado no Serviço de Ginecologia Francisco Manuel Calheiros Nogueira Martins (atual diretor do serviço).

1990 - 1999

- Em 1990 é criada a Unidade de Patologia Cervical (coordenador Francisco Nogueira Martins).

- Em 1996 deu-se início à Visita da Maternidade, um projeto pioneiro da equipa de enfermagem que se mantém até ao presente.

- Em 1996 foi realizada a primeira mastectomia.

- Em 17 de Junho de 1997 deu-se a mudança para o novo hospital. As parturientes passaram a estar em quartos individuais (oito quartos) sendo possível a presença permanente de acompanhante.

- Em 1998 foram criadas as Unidades Coordenadoras Funcionais Materna e Neonatal.

2000 - 2009

- A 1 de junho de 2004, de forma pioneira a nível nacional, teve início, em estreita colaboração com o Serviço de Pediatria, o Programa Alta Segura.

- A 1 de novembro de 2004 iniciou-se a analgesia epidural no trabalho de parto.

- Em 2007 iniciou-se a pesquisa do Ganglio Sentinela na Cirurgia do Cancro da Mama.

- Em 2008 iniciou-se a Prevenção do Rapto dos Recém Nascidos (uso obrigatório das pulseiras sinalizadoras).

2010 - 2019

- Excelência Clínica e Centro de Referência.

- Em 2011 iniciou-se a cirurgia oncoplástica do cancro da mama.

- Em 2015 e 2018 o CHTV obteve a certificação como Hospital Amigo dos Bebés. Foi também implementado o projeto Nascer Utente.

- Em 2019 foram adquiridas novas camas de parto mais funcionais e modernas com comando elétrico e instalada uma porta automática na Sala de Partos para maior facilidade na saída de emergência e mais privacidade na entrada.





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