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Lamego vai ter residências para estudantes do IPV

Edição de 8 de março de 2019
08-03-2019
 

É a grande novidade do Plano Nacional de Alojamento para o Ensino Superior: o polo de Lamego da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Viseu (ESTG - IPV) vai ter estudantes a morar em residências públicas.

Se Lamego não tinha qualquer oferta, Viseu já disponibilizava 320 camas. Outro dos grandes objetivos deste plano é o de no caso onde já existem residências universitárias dotá-las de melhores condições, incluindo obras nas cozinhas e nas lavandarias.

Álvaro Bonito, provedor do estudante do Instituto Politécnico de Viseu, acredita que agora os estudantes do instituto de ensino superior estão ao mesmo nível. “Até hoje, em Lamego não havia serviços de residências mas o apoio social já auxiliava os estudantes no alojamento através de aluguer de quartos e de apartamentos. Parece-me que, com este Plano Nacional de Alojamento, nesta fase podemos responder às necessidades mais urgentes, sempre pensando em aumentar a oferta das residências a curto e médio prazo”, assinala.

Enquanto provedor do estudante, Álvaro Bonito garante que nunca lhe foram colocadas reclamações relativamente ao alojamento universitário sendo que, no polo de Lamego há, aproximadamente, 450 alunos. “Por norma, os estudantes procuram-me para falar sobre atrasos das bolsas de estudo”, assinala. Talvez por isso, diz o provedor de estudante, a falta de residências em Lamego foi uma situação que se arrastou até aos dias de hoje. “O polo de Lamego poderia a qualquer momento ser extinto e, por ser ainda recente, considerou-se que precisava de se consolidar. Além de nunca ter havido, por parte dos estudantes de Lamego, uma reivindicação muito forte para que houvesse uma residência universitária”, assinala.

80 camas serão suficientes em Lamego

João Paulo Lousada, presidente da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Lamego, diz-se satisfeito com a inclusão do polo no Plano Nacional de Alojamento para o Ensino Superior. “O número de alunos que são naturais de Lamego a frequentar este estabelecimento tem diminuído, logo há maior necessidade de ocupar mais camas com os que vêm de fora. Há algum tempo que a associação de estudantes tem manifestado a preocupação de dar aos jovens deslocados sítios para dormir”, assinala, reforçando que há cada vez menos casas ou apartamentos disponíveis para quem não é de Lamego e por ali estuda.

Sentindo a necessidade de alojar os estudantes do polo, o IPV foi estabelecendo contactos com algumas instituições do concelho de Lamego. “Conversei com o Bispo de Lamego para que se pudesse ocupar o edifício da Sagrada Família, um antigo lar, que está desocupado e que daria para cerca de 20 quartos duplos, o que albergaria 40 estudantes”, assinala. Há ainda a possibilidade de ocupar o antigo seminário lamecence que se encontra atualmente em obras. Entretanto, João Monney Paiva, presidente do Instituto Politécnico de Viseu, contactou o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lamego para que se requalificasse o antigo hospital, através de fundos públicos, e torná-lo residência para 40 estudantes. “Com isto garantiríamos oitenta camas para os estudantes do polo de Lamego que, numa primeira fase, seriam suficientes para resolver alguns problemas”, refere José Paulo Lousada.

Também enquanto professor no instituto, João Paulo Lousada sente que entre Lamego e Viseu há grandes diferenças. “Lamego não tem instalações desportivas, por exemplo e, embora o custo de vida não seja muito diferente nos dois sítios, temos estradas em muito pior estado do que as do concelho de Viseu, o que dificulta a mobilidade dos estudantes deslocados.”, refere.

Viseu aumenta 200 camas

Fonte da autarquia viseense garante ao Jornal do Centro que o município adquiriu edifícios na Rua do Gonçalinho, para ali ser instalada uma residência para estudantes. Desta forma, a Câmara de Viseu assinala que irá rejuvenescer uma rua que classifica como “deprimida” no Centro Histórico viseense com a ajuda do Fundo Nacional para a Reabilitação do Edificado (FNRE). A capital de distrito já conta com 320 camas, 132 quartos duplos, 50 individuais e seis adaptados para alunos com necessidades educativas especiais, estando, à data, por ocupar 40 camas. Segundo o Plano, o IPV vai também reativar a antiga residência de estudantes da Quinta da Carreira. 

"Viver em Viseu está a ficar muito caro"

Todos os anos os estudantes têm dificuldade em arranjar casa, quer seja própria ou alojamentos (residências). Devido a essas complicações, o plano do governo é duplicar, dentro de 10 anos, a oferta de alojamento. Mas, como será que os jovens realmente vivem e em que condições?

O viseense Gonçalo Lopes, estudante do segundo ano de mestrado em Engenharia de Telecomunicações e Informática no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE), mudou-se para a capital há sete anos. Conta que optou por se candidatar ao ISCTE por saber que era uma universidade conhecida e com boa empregabilidade. No que toca a alojamento, sempre partilhou casa com amigos e as experiências “têm sido positivas”, por isso nunca sentiu necessidade de se candidatar às residências. Por um quarto paga 215 euros por mês. Mais as contas de internet, luz e gás, afirma que rondará os 300 euros. Vive perto da universidade, o que faz com que não gaste muito dinheiro em transportes. Contudo, por enquanto “não é uma opção morar sozinho porque financeiramente não é possível”.

Mónica Sousa é de Mesão Frio e mudou-se para Viseu há três anos para estudar Publicidade e Relações Públicas na Escola Superior de Educação de Viseu (ESEV). Começa logo por contar que no primeiro ano teve bolsa, mas nunca pensou candidatar-se às residências. No entanto, a experiência a dividir casa com colegas não tem corrido muito bem. Explica que, por norma, os principais problemas são “contas, arrumação, barulhos... há dificuldade em que as pessoas se ambientem umas às outras”.

“Viver em Viseu está a ficar muito caro e é difícil encontrar alojamento perto da escola. Por vezes pedem 400 euros por um T1”, diz Mónica Sousa. Desde outubro até há pouco tempo esteve a viver em Jugueiros, perto do Instituto Politécnico de Viseu (IPV). Agora que conseguiu um quarto perto da ESEV, paga 170 com as contas da luz, água e gás incluídos. “Almoço e janto sempre em casa para evitar gastar dinheiro. Mas quando morava lá em cima (Jugueiros) tinha sempre de almoçar perto da ESEV porque não tinha tempo de ir a casa e voltar para as aulas. Gastava, em média, 5 euros por dia para almoçar”, explica.

Para a estudante, uma boa solução seria existirem residências na zona da ESEV, assim candidatar-se seria uma opção. “É algo que está em falta. Para quem não tem possibilidades de ficar em apartamentos, tem de ir para as residências e, tal como me acontecia, não tem tempo de ir à residência almoçar e voltar a tempo às aulas”, comenta.

Beatriz Quinteiro é de Sátão e estudou Comunicação Social na ESEV. “Quando vim para cá comecei a procurar casa e percebi que estava fora do limite de orçamento da minha mãe e viemos a saber das residências. Inscrevi-me e fiquei lá a viver durante os três anos de licenciatura”, conta. Segundo Beatriz Quinteiro, do primeiro ao segundo ano vive-se em quartos partilhados (duas camas). Cada pessoa tem o seu guarda-fatos e uma secretária. As casas de banho são partilhadas por vários quartos. A cozinha era também partilhada por todos os quartos, havia apenas dois frigoríficos para 16 pessoas. “Não havia congelador. Não podia trazer nenhuma comida congelada. Tinha de fazer tudo no dia ou trazer previamente pronta e aquecer. Não tinha fogão. Tive que comprar uma placa elétrica para cozinhar, mas no segundo ano roubaram-ma”, comenta a estudante.

Para receberem visitas, também há algumas condições. “Ninguém pode ir para a zona dos quartos. Se fosse raparigas era mais aceitável, mas rapazes não era mesmo permitido entrar na residência feminina. Se levasse uma visita, essa pessoa tinha de ir à primeira residência (a dos rapazes) e deixar um documento identificativo, mas não podia passar lá a noite”, explica.

Em relação aos gastos, Beatriz Quinteiro diz que acabava por perder muito dinheiro em comida e transportes. “Cozinhava durante a semana, mas nos últimos dias a comida ficava estragada porque não tinha sítio para a congelar. Além disso, vivia em Jugueiros e é uma distância grande para, numa hora de almoço, estar a ir à residência fazer o almoço e voltar [para a ESEV]. Acabava por gastar mais dinheiro em comida porque tinha de almoçar fora”, esclarece.

Para a estudante, nas residências, além de estar em falta um fogão e congeladores, também são necessários ‘routers’ de internet. “Tive de comprar um cabo de ligação telefónica para conseguir que a internet chegasse ao meu quarto e, mesmo assim, às vezes não funcionava. E só havia um ou dois computadores na residência, aos quais podia aceder, mas éramos muitas raparigas e não havia sempre vaga para todas”, conta.

Beatriz Quinteiro acredita que a solução seria “a ESEV ir para o IPV ou arranjarem locais no centro histórico ou apoios para o estudante arranjar alojamento. Podiam dar o apoio monetário ao estudante e ele pagava um quarto perto da escola”, remata.





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