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Maioria dos atropelamentos em Viseu ocorre nas passadeiras e à tarde

Edição de 1 de novembro de 2019
01-11-2019
 

Nos primeiros nove meses do ano registaram-se nas estradas do distrito de Viseu 92 atropelamentos, que causaram quatro vítimas mortais, sete feridos graves e 83 ligeiros. Os números foram avançados ao Jornal do Centro pela GNR e pela PSP.

As estatísticas existentes nesta altura apontam para um possível aumento do número de acidentes deste tipo, já que em todo o ano passado foram contabilizados 95 atropelamentos. Em 2018, as autoridades anotaram seis mortos, 15 feridos com gravidade e 80 leves.

A Guarda Nacional Republicana garante que na sua área de atuação “não existem pontos negros” no que toca a atropelamentos, salientando “que a definição de ponto negro, de acordo com a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, é ‘um lanço de estrada com o máximo de 200 metros de extensão, no qual se registou, pelo menos, cinco acidentes com vítimas, no ano em análise’”.

Já a PSP tem bem identificados os locais onde mais ocorrem os atropelamentos em Viseu e Lamego. Na cidade de Viriato as vias onde este ano se deram mais desastres deste género foram as avenidas Emídio Navarro, da Europa, Eng.º Nobre da Costa, Luís Martins, Dr. Alexandre Alves e Académico Viseu. Em Lamego, esta problemática teve especial enfoque nas avenidas Dr. Alfredo de Sousa e Visconde Guedes Teixeira.

Analisando com mais detalhe os dados referentes a Viseu, constata-se que dos 34 atropelamentos registados entre janeiro e setembro, a grande maioria (25) ocorreu em plena passadeira. Este ano este tipo de acidente ocorreu sobretudo no período da tarde (17) e na manhã (10). Há ainda a registar um atropelamento durante a madrugada.

Quem tem culpa?

Na opinião da GNR, mas também da PSP, os atropelamentos são provocados quer pelos condutores, quer pelos peões. Os automobilistas têm muitas vezes culpa porque desrespeitam a sinalização luminosa, não utilizam as luzes de cruzamento em condições de visibilidade reduzida, estacionam indevidamente nos passeios e em outros locais destinados aos peões e a menos de cinco metros ou em passagem assinalada para travessia das pessoas. “Ultrapassagem em passagem assinalada para travessia de peões e a não moderação da velocidade na aproximação” a uma passadeira são outras das causas apontadas pelo relações públicas da GNR de Viseu, o tenente-coronel Pedro Gonçalves.

Já o comandante da Polícia de Segurança Pública de Viseu, o superintendente Vítor Rodrigues, sublinha que “a colocação e a visibilidade das passadeiras por parte dos condutores são preponderantes”. Dando como exemplo a Avenida Alexandre Alves, em frente ao centro comercial Palácio do Gelo, “quem sobe em direção à rotunda de Nelas, encontram-se duas passadeiras separadas por cerca de 100 metros”, sendo que “a primeira é iluminada e a segunda não”. “Os atropelamentos em passadeira que têm acontecido [nessa zona] têm ocorrido na não iluminada e é uma das avenidas considerada ponto negro nesta temática”, considera.

Para além da má iluminação, o responsável máximo pela PSP no distrito alerta igualmente para “a má colocação de algumas passadeiras”. A que foi pintada junto ao comando da força policial, na Rua D. António Alves Martins, é um desses exemplos. “A passadeira está colocada numa descida que impede que a mesma seja vista pelos condutores. O grau de dificuldade na sua visualização aumenta havendo viaturas estacionadas nas proximidades. É outro dos motivos que consideramos preponderante nos atropelamentos em passadeiras”, sustenta.

Já na opinião de Fernando Machado, instrutor de condução automóvel, na generalidade, as passadeiras em Viseu “não estão mal situadas”, admitindo, todavia, que uma ou outra pudesse ser corrigida por estar implementada numa zona com árvores de grande porte que retiram a visibilidade de quem vai ao volante, como acontece junto à rotunda Paulo VI, junto ao McDonald’s.

No entender deste especialista, as passadeiras junto às rotundas não constituem um problema de maior porque nestas zonas, os automobilistas já têm que circular a uma velocidade mais baixa para fazerem as manobras necessárias para seguir o caminho que pretendem.

“Os atropelamentos acontecem acima de tudo por causa do excesso de velocidade com que alguns automobilistas se aproximam das passadeiras. Eles só respeitam se houver as chamadas bandas cromáticas para obrigar a moderar a velocidade ou se houver semáforos, caso contrário a velocidade é um bocado elevada”, defende.

O peão

Os automobilistas têm que ter “os olhos bem abertos” e estar atentos à estrada, mas algumas vezes é o peão que não cumpre o código da estrada e não toma os cuidados necessários. “Por vezes a localização da passadeira convida a que o peão atravesse a estrada fora da mesma”, avança o superintendente Vítor Rodrigues, adiantando que fora destes espaços destinados à passagem em segurança “o principal motivo deve-se à negligência dos peões”.

Recordando que é impossível ter uma passadeira em todos os locais, o responsável pela força de segurança defende que o atravessamento fora destas zonas “é perigoso e um risco desnecessário, mesmo que a tentativa ocorra com o máximo de cuidado”.

Já o relações públicas da GNR acrescenta um outro fator a ter em conta: os telemóveis e os auscultadores, com que muitas pessoas circulam na rua, e que só potenciam o risco de acidente.

O instrutor Fernando Machado, que diz andar muito a pé, chama a atenção igualmente para a desatenção das pessoas na hora de atravessar as passadeiras. Pelo que constata “há um descuido na forma como o peão aborda a passadeira”. “Ele pensa que a partir do momento em que lá coloca os pés tem a prioridade absoluta e muitas vezes atira-se de forma imprudente, algumas vezes a correr, e não dá tempo de reação ao condutor para imobilizar o veículo”, diz.

O técnico de condução automóvel critica ainda os cidadãos que atravessam a rua fora dos locais assinalados quando têm uma passadeira nas proximidades e lembra que a lei prevê a aplicação de coimas, que variam entre os 10 e os 50 euros, para quem se faz à estrada e tem uma passadeira a menos de 50 metros.

Mais sensibilização

Guarda Nacional Republicana e Polícia de Segurança Pública concordam com as causas dos atropelamentos e ainda com o que é preciso fazer para baixar os números deste flagelo. A principal medida, segundo a polícia, “passa pela consciencialização dos condutores e dos peões”.

“Não creio que mais medidas repressivas e uma campanha, como já foi realizada, de tolerância zero resulte, pois uma vez que esta polícia abrande a fiscalização tudo volta ao mesmo. Na minha opinião, este tipo de atitude e comportamento é cultural e educacional e só mudará quando se investir nestas áreas”, defende o superintendente Vítor Rodrigues.

O instrutor Fernando Machado partilha a mesma análise e também considera que só com mais sensibilização é que o cenário em Portugal poderá mudar. Lembra que já participou em ações com as crianças e que elas depois foram para casa e alertaram os pais para os comportamentos que devem ou não ter.

A GNR sublinha que já se encontra a promover ações de sensibilização junto da população, integradas na campanha “Vamos Refletir”, desenvolvida em parceria com a empresa pública Infraestruturas de Portugal, e que visa “sensibilizar o maior número de cidadãos, com especial incidência para crianças, jovens, idosos, peões e utilizadores de bicicletas, patins, trotinetes, skates, etc.”, alertando-os para a nefasta problemática da sinistralidade. rodoviária e da necessidade de proteger os utilizadores mais vulneráveis”.





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