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Número de visitantes aumentou nos museus de Viseu e Lamego

Edição de 13 de setembro de 2019
14-09-2019
 

Até julho de 2018 os dois principais museus do distrito de Viseu tinham recebido 49.867 visitantes. Em 2019 foram 63.263. O Museu Nacional Grão Vasco assinalou, em julho do ano transato, 30.951 pessoas. Este ano foram 39.261. A existência de dados representativos dá, segundo Odete Paiva, diretora desta instituição, uma maior responsabilidade à instituição e obriga-a a estar em constante reinvenção. É preciso “apresentar propostas novas e inovadoras, que atraiam cada vez mais público. E públicos não só em termos numéricos, mas também uma maior variedade de público”, afirma Odete Paiva.

O espaço museológico, localizado no adro da Sé, em Viseu, teve um aumento, em igual período, de 8.310 visitantes, o que se converte em 26,8 por cento. Há três fatores que, consoante a diretora do museu, contribuíram para este crescimento.

Em primeiro, as coleções e a qualidade das mesmas. A exposição temporária “Identidades, pronomes e emoções. As regras do retrato”, que resistiu desde março até agosto, registou 21538 visitantes, um “número muito interessante” para Odete Paiva. “Naturalmente não vieram todos pela exposição temporária, vieram também visitar o museu, mas creio que uma percentagem significativa veio ver esta exposição temporária”, afirma a diretora do museu.

O segundo fator é a renovação de algumas salas do espaço museológico. “A sala da pintura maneirista e da escultura barroca tem um novo discurso museográfico e isso atraiu visitantes, sobretudo a comunidade mais próxima”, explica a responsável. Além disso, há “maior disponibilidade de recursos humanos” e por isso são feitas “mais visitas guiadas”.

Por último, o Museu Nacional Grão Vasco está “mais comprometido com as suas coleções e é mais significativo para os turistas porque temos estado a trabalhar na questão bilingue e a torná-lo mais acessível”, explica Odete Paiva. “Trabalhamos com novos públicos, tentamos que o museu capte visitantes que até aqui estavam afastados desta realidade cultural... é um trabalho que não tem sido muito expressivo em números, mas acreditamos que nos vai fazer crescer e que nos dá satisfação pelo tipo de trabalho que estamos a fazer”, acrescenta.

A diretora do museu instalado no edifício do Paço dos Três Escalões afirma ainda que há “muitos turistas brasileiros que ficam encantados com as coleções” e que “alguns asiáticos começam também a surgir”. “Vê-se que o mercado turístico está a diversificar”, conclui.

Também o Museu de Lamego, situado no centro histórico da cidade, registou um aumento de 5086 visitantes. Até julho de 2018 a instituição tinha recebido 18.916 visitantes, ao passo que, no mesmo período, em 2019, foram 24.002.

Alexandra Falcão, diretora do Museu, considera que a melhoria do número de visitantes está relacionado com o “crescimento do turismo e a procura pela região”. Acrescenta, ainda, que depende também da “programação, através da qual procuramos atingir todos os públicos”. “A relação que temos com as escolas e o aumento das visitas orientadas, realização de exposições temporárias, concertos, workshops, reflete-se neste aumento que se verifica, o que para o museu é muito importante em termos de projeção nacional e internacional. Mas também nos dá uma grande responsabilidade de procurar qualidade nas propostas que apresentamos”, assinala a responsável.

“Os resultados estão relacionados com uma forte aposta numa programação regular, sistemática, que atrai novos públicos e se tem revelado muito positiva”, clarifica Alexandra Falcão.

Em relação aos visitantes, a diretora do museu diz que há maior procura por parte de estrangeiros, “ainda que, sobretudo este ano 2019, se registe um aumento de visitantes portugueses”. Um aumento que considera estar relacionado com a redescoberta da Estrada Nacional 2. “Há muitos visitantes portugueses e espanhóis a fazê-la [a estrada] desde Chaves até Faro e, obrigatoriamente, passam em Lamego e acabam por visitar o Museu”, remata a diretora.

Porque as pessoas visitam os museus?

O Jornal do Centro esteve na rua para tentar descobrir a razão que leva as pessoas a visitar o Museu Nacional Grão Vasco.

“Viemos de férias [desde Londres]. Visitamos alguns amigos em Viseu e aproveitamos para vir ao Museu. A minha mulher [que é portuguesa] disse-me que tinha de visitar o espaço. Tento ir ao máximo de museus que posso. Até o nosso filho, de 12 anos, tem sofrido à custa disso. Não sei o que esperar da visita. Tudo o que sei é que há pinturas fabulosas para observar”, disse Titos Birder, um alemão a viver no Reino Unido.

Joana Gonçalves, de Felgueiras, pela primeira vez em Viseu, ia ter uma visita guiada ao Museu pela amiga viseense Maria Matos. “Espero que seja bom. Vejo aqui referências a pinturas e exposições temporárias”, referindo-se aos cartazes no exterior do espaço museológico que a chamavam a atenção.

“Vou ao Museu Grão Vasco porque é um sítio histórico”, afirmou, rapidamente, Sebastião Pereira, de Sever do Vouga. “Espero ver aquilo que já conheço e mais alguma coisa que possa ser agradável e me dê mais do que aquilo que conheço. Quero saber mais”, justificou o visitante, quando questionado sobre o porquê da visita.

Por último, António Condez, de Lisboa, visitou pela primeira vez o Museu Nacional Grão Vasco. “Chegámos (António Condez e a esposa) em passeio e resolvemos visitar as várias igrejas e museus que se pode ver. É a primeira vez que visitamos o Museu Grão Vasco. É um museu excecional, principalmente a parte referente a Grão Vasco. Também há outros pintores, mas ele é excecional... incluindo, também, a exposição temporária”, disse o visitante.





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