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Uma cirurgia ortopédica ao vivo

Edição de 28 de junho de 2019
28-06-2019
 

Na semana em que o Hospital CUF Viseu, a primeira unidade na zona Centro do país, comemorou três anos de abertura efetiva e fez um balanço da sua atividade cirúrgica. O Jornal do Centro assistiu a uma cirurgia ao joelho.

O Hospital CUF Viseu é um estabelecimento generalista, com oferta de todo o tipo de cuidados de saúde, e inovador ao nível da tecnologia utilizada. Para Eduardo Mendes, diretor clínico, a instituição já tem um historial que demonstra a atividade e um papel diferenciador na saúde de Viseu. “Começámos devagar e ‘pequeninos’ e agora já temos uma estrutura e dimensão que nos orgulha bastante. Uma evolução muito positiva quer em termos de números existenciais, quer de colaboradores. Aumentámos de 120 para 180 médicos. Do ponto de vista de capacidade de resposta existencial e do ponto de vista de diferenciação, pois aumentámos o corpo [clínico] segundo esses critérios”, afirmou o ortopedista.

Quando a CUF se insta lou na cidade utilizou o slogan “Viseu respira saúde”. “Foi o slogan que nos acompanhou no início e mostrou um bocadinho aquilo que a CUF trazia – marca de prestígio, qualidade, garante qualidade dos serviços prestados e excelência. Foi isso que nos trouxe para cá, tudo construído com base nos recursos da região”, justificou o diretor clínico.

Desde outubro de 2016 que a CUF Viseu já realizou mais de 4600 cirurgias, sendo que as especialidades mais procuradas são ortopedia, oftalmologia e urologia.

“Este bloco tem-se emancipado por aquilo que é a diferenciação do que temos feito. Fazemos aqui procedimentos complexos com um suporte enorme do ponto de vista de segurança – quer de cuidados intermédios, quer de consultas anestésicas prévias, enfim de uma rede que nos permite fazer cirurgias muito complexas. Temos uma unidade de coluna constituída praticamente por todos os procedimentos – lombar, cervical, vias interiores e posteriores – minimamente invasivos. Conseguimos fazer todas as áreas desse tipo de cirurgia”, remata Eduardo Mendes.

O procedimento antes de uma cirurgia

A consulta pré-anestésica é um dos fatores críticos de segurança porque para uma mesma cirurgia podem existir diferentes opções anestésicas. Depende da cirurgia em si, do paciente, dos riscos e benefícios. “Permite termos um espaço fora do ‘stress’, da ansiedade da cirurgia, para discutirmos e percebermos os problemas do doente. Fazemos a preparação, vemos que medicação o doente faz, fazemos essa avaliação do risco toda integrada com um momento próprio, num espaço próprio da consulta”, justifica Vítor Oliveira. Para começar, há duas questões pilares: a segurança e o conforto do doente.

Um paciente proposto a uma cirurgia tem de ir, sempre, a uma consulta pré-anestésica – uma semana ou 15 dias antes. Avalia-se e esclarece-se a preparação que a pessoa tem de fazer para a cirurgia.

“No bloco operatório, recebemos o doente no ‘transfer’ de entrada, confirmamos se é o doente correto, o nome, o procedimento. Se for operado à mão esquerda confirmamos que é à mão esquerda e até fazemos uma marca no local para que não haja enganos possíveis”, começa por relatar Vítor Oliveira, coordenador da área de Anestesiologia.

Depois de confirmar se os consentimentos cirúrgicos e anestésicos estão preenchidos, o doente é encaminhado para o bloco operatório. “[Os blocos] às vezes são sítios frios. Temos uma preocupação acrescida em aquecer os doentes porque quando o paciente está anestesiado não tem capacidade de conseguir produzir calor. Por isso é das questões mais fulcrais para melhorar até o resultado, diminuir a taxa de infeção e o risco de hemorragia. Ter o doente sempre quente e mantê-lo bem aquecido”, explica o anestesiologista. Além disso, “fazemos a ‘check-list’ de segurança, apresentamo-nos uns aos outros, identificamo-nos e fazemos antibióticos”, acrescenta.

“Há dois casos particulares: as crianças e as cirurgias complexas”, diz o médico. Com as crianças tentam que seja uma espécie de jogo. “Na consulta pré-anestésica a criança está a fazer desenhos enquanto estamos a conversar com os pais e depois vê um vídeo com uma animação que explica todos os passos da cirurgia que vai fazer. Insistimos com que um dos pais entre quando a criança vai ser operada”, conta. O pai ou a mãe veste uma farda como a dos anestesiologistas para evitar que a criança se veja num meio estranho. “Um pormenor engraçado: quando as crianças descem da enfermaria até cá abaixo [bloco operatório] temos um triciclo e eles acham sempre que isto é uma brincadeira. Depois são acompanhados pelo pai ou a mãe até serem anestesiados”, explica Vítor Oliveira.

Outra das particularidades são as cirurgias mais complexas, como próteses da anca, do joelho ou operações à coluna, em que, por norma, a primeira noite pós-cirurgia é passada na unidade de cuidados intermédios. “Por uma questão de segurança, o doente fica na unidade de cuidados intermédios, monitorizado, sempre com um enfermeiro e um médico”, elucida.

Artroscopia ao joelho

“Esta é uma cirurgia que para nós já é banal”, começa por dizer Eduardo Mendes, o médico cirurgião de ortopedia, em relação à cirurgia a que o Jornal do Centro assistiu: meniscectomia (operação ao menisco, joelho).

Para a intervenção utilizado o método da artroscopia, que permite ter acesso visual a todas as articulações. “Hoje em dia faz-se artroscopia a tudo: desde o punho aos joelhos. Tudo o que é articulação tem um acesso minimamente invasivo. São pequenos orifícios onde entra um artroscópio, um sistema de lentes e câmara com luz, para termos uma noção tridimensional. E temos uma porta de entrada de trabalho em que podemos fazer todo o tipo de procedimentos”, explica o ortopedista. Na parte ortopédica e medicina desportiva, essencialmente, hoje em dia todos os procedimentos são feitos como artroscópicos. “Fazer uma cirurgia só com duas portas de entrada, em termos de recuperação é muito mais eficiente. É a nossa prática comum”, acrescenta.

O paciente em questão tem uma rotura meniscal. Esta é uma zona incapacitante porque, segundo Eduardo Mendes, o cirurgião principal, impede a marcha e provoca muita dor, portanto “o objetivo é aliviar”. Durante a operação foi possível acompanhar o processo desde o momento em que os profissionais envolvidos se apresentaram e fizeram uma “check list” até ao término. Uma espécie de câmara – sistema de luz, feito em meio aquático – foi introduzida e conseguiu-se ver tudo: o fémur, a tíbia e o menisco interno (onde estava a lesão). Foram sendo feitas lavagens para melhorar a visibilidade enquanto foi retirado o menisco solto e estragado.

Quase no final da cirurgia Eduardo Mendes explicou que tinha de se retirar o menisco por completo pois já estava muito deteriorado. Ao terminar, voltou a verificar se foram retiradas todas as partes do menisco. Por uma questão de segurança tudo é gravado quando se realiza uma cirurgia endoscópica.

E após a cirurgia?

Terminada a cirurgia, o doente segue para o recobro, espaço onde o doente continua monitorizado com um enfermeiro e um médico de apoio a vigiar. “É onde o doente acorda da anestesia, vemos se está sem dores, sem vontade de vomitar, completamente recuperado. Só depois de estar aí é que regressa para a enfermaria, para o seu quarto, para junto dos seus familiares”, esclarece o coordenador de Anestesiologia.





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