A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

A Casa das Correntes preserva o património de Carregal do Sal

Edição de 1 de fevereiro de 2019
02-02-2019
 

No ano de 1988 o edifício que pertencia a Manuel Soares de Albergaria, poeta e padeiro, foi adquirido pelo município de Carregal do Sal para albergar as coleções de pintura provenientes do Círculo de Cultura do concelho. Deste grupo de pessoas, destacava-se a figura de Luís Almeida de Melo que, à época, era conservador do Registo Civil em Carregal do Sal.

A visita guiada pelo espaço museológico tem, portanto, início na sala Luís Almeida Melo, no primeiro andar. Exposta está uma coleção de pintura criada a partir de uma iniciativa sua, como dá conta Paula Teles, a nossa guia. “Era [Luís Almeida Melo] uma personalidade culta que nos anos 50 contribuiu muito para a dinâmica desta vila”, afirma.

Este acervo deve-se à ação empreendedora de Luís Almeida de Melo, bem como a sua ligação cordial com pintores conhecidos da época. “Desenvolveu um conjunto de contactos com diversos pintores que já tinham o seu nome afirmado nas artes como Maria Helena Vieira da Silva que contactou com os seus colegas que se encontravam em Paris e que, gentilmente, cederam obras para hoje figurarem nesta coleção”, explica Paula Teles. Da mostra fazem parte obras de Maria Helena Vieira da Silva, Marcelino Vespeira ou Cândido Portinari, que se inserem em movimentos artísticos como o Surrealismo ou o Neorrealismo.

Ainda no mesmo andar, existe uma área destinada ao escultor Aureliano Lima, que nasceu em Carregal do Sal. Estas obras remetem-nos aos anos 70. Peças de ferro recuperado e policromado, gesso, pedra e em madeira fazem parte da mostra de um “artista de vanguarda” que “tem bastante ousadia nas formas das esculturas e enriquece o legado deste museu”, declara a responsável.

A sala de arqueologia é o espaço que condensa o património e testemunho do passado. Aqui estão objetos que datam de seis mil anos a.C., provenientes de escavações arqueológicas realizadas no final do século XX pelo concelho de Carregal do Sal. A ordem cronológica da exposição guia os visitantes desde a Pré-História à Idade Média, destacando-se os objetos dos monumentos megalíticos que datam do neolítico à Idade do Bronze. “É sempre importante depois de passar por esta sala visitar os monumentos megalíticos nos sítios arqueológicos do concelho e que possuem um legado patrimonial diversificado”, remata Paula Teles.

Seguimos até ao piso térreo para a última sala do museu, a de etnografia. “Aqui encontram-se reunidas as atividades que estiveram ativas, sensivelmente até aos anos 80. Trabalhava-se com todo o conjunto de artefactos que estão [aqui] reunidos”, começa por explicar a guia. Da exposição fazem parte objetos ligados à lavoura, à carpintaria e à vinicultura, representativa desta região do Dão. Exposto está, também, um alambique que servia “para produzir aguardente após o fabrico do vinho”, comenta.

Neste espaço de preservação de bens materiais, o principal objetivo é divulgar o património e promover visitas aos monumentos espalhados pelo concelho de Carregal do Sal.





  • 2002 - 2019 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT