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"A diferença de capacidades é o maior trunfo do grupo"

Edição de 5 de julho de 2019
07-07-2019
 

Pioneiro nos palcos portugueses, o grupo “Dançando com a Diferença” tem desempenhado um papel significativo quando se fala do envolvimento de pessoas com e sem deficiência no meio artístico. Desde 2011, que o trabalho de Henrique Amoedo, diretor artístico deste projeto, tem sido divulgado no Teatro Viriato, em Viseu. Em parceria com algumas associações da cidade, o “Dançando com a Diferença” chegou, em 2017, a Viseu, com um foco mais artístico.

Para Ricardo Meireles, ensaiador do grupo, “a diferença de capacidades é o maior trunfo” e de onde sai a “própria qualidade, criatividade e originalidade”. “Essa diferença que cada um tem é o ingrediente especial que torna o grupo tão coeso”, afirma . Atualmente, são perto de 40 pessoas que fazem parte de projeto.

O grupo foi sendo descoberto de maneira diferente por cada um dos participantes. No caso de Cuca, conheceu-o através da televisão. “Eu soube do grupo através de uma reportagem televisiva, que falava sobre o Telmo, que acaba por ser um dos rostos do grupo, neste caso na Madeira, e por um acaso, por um imprevisto vim cá parar e gosto muito de cá estar”, conta.

Alguns dos atuais alunos não viam na dança um grande futuro, muitos deles nem gostavam de dançar. É o exemplo de Jorge Lopes. “A dança sempre foi uma coisa que eu não gostava, não estava mesmo à espera que visse a fazer, mas a partir do momento em que eu entrei neste grupo comecei a descobrir a dança numa perspetiva diferente, não de uma maneira mais clássica, digamos assim, mas numa perspetiva mais pessoal ”, afirma.

As dificuldades não são as mesmas para todos. Enquanto que para uns é executar um movimento, para outros é decorar os passos ou até mesmo toda coreografia.

O que também não falta são as atuações, que de certa forma fazem com que o grupo se destaque, mas também fique conhecido pela sua originalidade e qualidade. Estas são as alturas em que o nervosismo também paira no ar. Sara Lourenço diz que sempre que vai atuar “as pernas começam a tremer”. O primeiro espetáculo ocorreu em dezembro do passado, no Teatro Viriato, com o nome “Endless”. Retratou o Holocausto. Participaram mais de 40 bailarinos, com e sem dificuldades motoras.

“Nestes jovens e adultos, percebe-se que o amor ao grupo se sobressai, se não fosse isso, muitos deles iam passar os dias em casa, ou numa instituição sem fazer nada. Para muitos, é um momento de liberdade, deixar o corpo fluir. É sair da sua zona de conforto, durante 1 hora por semana”, explicam os coordenadores.

O grupo tem um sentido diferente para cada um. Cada bailarino define-o à sua maneira. Palavras como “carinho, amor, magia, compaixão, felicidade, fantástico, amoroso, confiança, poder, maravilhoso, arte, alegria, determinação, resiliência, afeto, respeito, sentido, empatia, sentimento, surpreender”, podem significar muito a quem pede tão pouco.

Este projeto mostra que o trabalho e a persistência permitem ultrapassar os limites e as dificuldades de cada um, mostrando a todo o mundo que são capazes de fazer o que pensavam ser impossível e que é dançar.





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