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Cineasta de Viseu leva filme à Dinamarca

Edição de 30 de agosto de 2019
30-08-2019
 

Gonçalo Loureiro é um jovem realizador, de Oliveira de Frades, que parte, agora, em viagem com a sua última produção: “Sheila”. O filme, de 2018, será apresentado no Odense International Film Festival, na Dinamarca. Em entrevista, o realizador, que também faz parte do grupo Jornal do Centro, conta a sua experiência.

A estreia do “Sheila” aconteceu há cerca de um ano. Agora, parte em viagem para a Dinamarca. Como retrata este caminho?

O “Sheila” é um filme que estreou há um ano no Curtas Vila do Conde e que agora reacende com a seleção para este festival que é, provavelmente, o festival mais importante que selecionou o filme.
Trata-se de um festival que é qualificador para os Óscares e os European Film Awards. Ganhando a competição em que estou selecionado, posso, eventualmente, ser nomeado. Claro que é um cenário muito recôndito e só o simples facto de lá estar já é uma vitória.
O filme é uma produção entre a Squatter Factory e a Um Segundo Filmes, do Porto, foi financiado pela Fundação GDA (Gestão dos Direitos dos Artistas) e apoiado com o fundo de apoio às curtas metragens do Indie Lisboa 2017. Agora, à mercê desta seleção para o festival Odense é apoiado pela Fundação Gulbenkian, pela Embaixada Portuguesa em Copenhaga e pelo Instituto Camões que comparticipam a viagem. De outra forma, não poderia ir à Dinamarca apresentar o filme.

O que representa este filme “Sheila”?

É sobre uma adolescente que entra na idade adulta por força das vicissitudes da vida, das coisas que lhe acontecem, e que tem de encarar essas escolhas e decisões, por vezes um pouco forçadas. Lida com a liberdade das ações e consequências que acarretam.

Qual foi o ponto de partida para este trabalho?

É um pouco complicado falar sobre isso, mas o ponto de partida foi, sem dúvida, uma desconstrução de um ideal e ritual de beleza que encontrava em muitas mulheres, no sentido em que era algo muito padronizado. Sentia tudo muito massificado... os comportamentos, a forma de estar perante a vida, as companhias... havia ali um denominador comum, nestas mulheres, e tentei partir daí.
Esta é a minha âncora, mas não quero entrar em grandes detalhes sobre a narrativa do filme porque também é mínima. Contudo, é um pouco sobre as consequências das ações dela (personagem principal).

É a primeira vez que o filme é apresentado fora de Portugal?

Não. O “Sheila” já viajou bastante. Esteve em Espanha, na Roménia, nos Estados Unidos da América... tem feito um percurso internacional bom, através de uma distribuidora espanhola que tem feito o obséquio de o distribuir e tem voado um bocadinho.

A primeira exibição foi há cerca de um ano em Portugal. Como tem sido o feedback do público?

Tem sido muito bipolarizado. Há pessoas que gostam imenso, outras acham que, comparativamente ao anterior filme que fiz na escola (“Marasmo”), segue um caminho diferente, mais comercial talvez...
Este filme (“Sheila”) se calhar tem outro tipo de influências e de impressão digital, mas acredito que o apelo do filme é universal. Lida com questões maternais, por assim dizer... um assunto que é do foro íntimo e privado das mulheres. Portanto, acredito que seja um filme que possa tocar as pessoas tanto lá fora como cá dentro [Portugal].

Como é ver o projeto a voar?

É bom e importante. As coisas são feitas para trilharem estes caminhos e, quando isso acontece, é, de certa forma, um sentimento de dever cumprido. É muito prazeroso para mim.
Espero que orgulhe e satisfaça os colegas que me ajudaram a fazer o filme.

O que há previsto para o futuro?

Estou a trabalhar, neste momento, em duas curtas metragens. Uma que está escrita e estou a tentar obter apoios financeiros estatais. Um trabalho um pouco biográfico. É um filme catarse que explora um amor que me desolou no quarto de século e desencadeou essa crise subjacente.
E estou a trabalhar também numa curta metragem, à mercê do facto de me ter mudado para Viseu recentemente, com três jovens, aspirantes a músicos, que tentam trilhar o seu próprio caminho e o filme explora o percurso e os desvios que vão encontrar até serem sucedidos naquilo que fazem.





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