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Como (des)construir um estranhofone

Edição de 10 de maio de 2019
11-05-2019
 

Na segunda semana do festival Karma – Is a Fest a programação tem uma vertente mais prática. Neste fim de semana (dias 11 e 12 de maio), é dedicado à Oficina de Estranhofones, com Samuel Coelho e César Estrela, a realizar-se no Carmo'81, em Viseu.

Como surgiu e o que é a Oficina de Estranhofones?

Isto tudo surge pelo início do nosso projeto. Idealizámos [Samuel Coelho e César Estrela] um projeto de construção das esculturas sonoras nas quais fazemos pesquisa de sons, através de materiais acústicos. Ao longo do nosso processo percebemos que o projeto poderia abrir mais valências que não fossem só a parte formativa ou a parte da instalação, então começámos a fazer workshops e oficinas. Portanto, isto é um convite que o festival nos faz para nós, num curto espaço de tempo, desenvolvermos uma peça, uma escultura sonora, com a comunidade local. A ideia é construir uma peça única com as pessoas residentes em Viseu.

Que tipo de peça será essa?

Vai ser uma peça inspirada nas máquinas de cena renascentistas, mas dado que vamos trabalhar com a comunidade não há uma definição concreta... temos uma ideia geral do que poderá ser, mas o contributo dos participantes é fundamental. Não queremos estar a delinear tudo o que vai acontecer porque, dessa forma, podemos captar e usufruir da criatividade dos participantes. O papel deles vai ser muito importante no resultado final do que poderá vir a ser a peça.

Que tipo de materiais vão ser utilizados?

Uma das ideias principais é que nós vamos trabalhar sobre as máquinas de cena. As máquinas de cena usavam muitos cilindros e coisas circulares, portanto, uma das partes fundamentais da peça que vamos usar são tambores de máquinas de lavar... isto vai ser um dos mecanismos. Vamos usar roldanas, depois uma data de complementos para fazer experimentações sonoras para perceber qual é a qualidade do som, se interessa ou não, como madeira, metal... posso dizer que o foco são as máquinas de lavar.

A Oficina de Estranhofones e o festival Karma interligam-se de que forma?

Parto do princípio que quem organizou o festival tem uma preocupação para além de poder oferecer uma parte mais lúdica, no sentido de oferecer programação musical à comunidade, também tem um cuidado de fazer com que a própria comunidade se envolva de outra maneira no festival e que se envolva mais diretamente no sentido de fazer, realmente, parte de um projeto. Para este ano surgiu esta ideia do projeto de Estranhofones e dar uma dinâmica um pouco diferente do que é que é estar num festival, que não é só ver e sentir, mas é também construir e usufruir. Acho que seja essa talvez a maior valência.

Pode desvendar mais alguma característica?

Não, acho que a característica é surpresa e vai ser surpreendente até para nós. Isto é um livro aberto, se fosse um projeto Estranhofone isolado, ou seja, nós sabíamos efetivamente o que é que vamos construir, mas neste caso vai ser uma caixa de surpresa porque os participantes também têm um papel muito importante. Portanto, é deixar a surpresa acontecer.

Depois deste workshop as pessoas vão poder usufruir do instrumento?

Sim. Depois vai ficar em exposição e quem quiser interagir com ele, interage.





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