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Comunidade cigana integra projeto artístico de Viseu

Edição de 29 de março de 2019
30-03-2019
 

Entre maio e dezembro de 2018, os artistas do atelier viseense Centropontoarte estiveram a trabalhar com as crianças do bairro de Paradinha, habitado por várias famílias de etnia cigana. O resultado: vários trabalhos artísticos que estão expostos na Quinta da Cruz, em Viseu.

A Cáritas Diocesana de Viseu cedeu o espaço do Centro Comunitário, localizado no bairro, onde semanalmente trabalhavam técnicas artísticas com os mais pequenos. Atividades como serigrafia, tipografia, gravura ou impressão de elementos naturais, são alguns dos exemplos desenvolvidos.

“É um projeto que estava previsto beneficiar cerca de 25 crianças. Ao final do ano conseguimos contar 46”, comenta Juliana Ferreira, uma das responsáveis pelo projeto. “Conforme as atividades foram decorrendo, mais entusiasmadas ficaram as crianças, sobretudo quando começaram a perceber que os trabalhos que faziam, as telas e gravuras que pintavam, eram deles”, acrescenta.

No Centro Comunitário, em Paradinha, por norma trabalhavam com crianças entre os 6 e os 10 anos, idades que se estendiam, pontualmente, até aos 14 anos.

A propósito da interação com as crianças, Juliana Ferreira conta que no início foi engraçado. “Não todos, mas alguns têm o nome de registo (o real) e o nome de bairro. Então, apresentaram-se com o nome de registo, o que não preferem, mas depois enganavam-nos. Brincavam connosco numa forma de receção. Portanto, em vez de termos 20 miúdos, tínhamos 40 nomes... agora conhecemos os 40 nomes, com 20 caras”, descreve.

Segundo a artista, na inauguração da exposição patente na Quinta da Cruz, percebeu-se que a comunidade se uniu e celebrou a arte enquanto ferramenta de equidade.

A arte nas escolas

Para Juliana Ferreira, falta implementar a arte nas escolas. “É um período em que as crianças têm de estar o mais motivadas possível, à partida estão mais despertas para tudo o que recebem e, efetivamente, a arte é uma ferramenta para outros conteúdos”, elucida. “Com a arte conseguimos trabalhos de Estudo do Meio, Matemática, entre outros. E, conseguimos criar dinâmica para captar a atenção dos miúdos para outros conteúdos”, afirma.

A exposição está patente até 28 de abril com uma programação própria da oficina que complementa a oferta do serviço educativo da Quinta da Cruz. No dia 31 de março decorrerá uma oficina para famílias, ao passo que no dia 10 de abril será destinada ao público escolar. A particularidade destas oficinas é serem orientadas por crianças que beneficiaram deste projeto. Ou seja, “eu e o Carlos [artistas do Centropontoarte] estamos a acompanhar, mas quem vai dar o workshop e ensinar às pessoas a atividade – serigrafia e gravura – são as crianças do bairro que beneficiaram desta atividade”, esclarece Juliana Ferreira.

O Paradarte é uma iniciativa do Centropontoarte, que surgiu em 2014, apoiada pelo Município de Viseu e financiada pelo programa Viseu Cultura. Juliana Ferreira adiantou que já foi aprovada uma nova edição.





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