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Dada Garbeck: misantropia a solo

Edição de 17 de maio de 2019
18-05-2019
 

Este fim de semana, o Karma – Is a Fest leva ao palco do Carmo’81, em Viseu, artistas que já estão familiarizados com a cidade. Dada Garbeck atua este sábado (18 de maio).

No ano passado esteve em residência artística com a peça D. Audaxviator no ciclo Solos e Solidão promovido pelo Carmo’81. Como é regressar a este espaço num novo festival?

É ótimo. Eu tenho uma relação muito boa com o Carmo’81. Gosto muito do espaço e das pessoas, por isso estou empolgado por voltar a Viseu. Na verdade, já toquei no Carmo cinco vezes com projetos diferentes. Com El Rupe, com o meu projeto a solo Dada Garbeck e, a última vez, com o Ricardo Martins.

Este ano estará em residência artística no projeto Sr. Jorge. O que se pode esperar desta experiência?

Eu não sei bem, na verdade. Por isso é que vai ser uma experiência. Basicamente é pegar naquilo que o Sr. Jorge (organista na Igreja da Misericórdia de Viseu) faz melhor que ninguém: cantar fado. Os temas, desta vez, são todos originais e compostos por pessoas diferentes do projeto. As músicas já estão feitas. Agora a questão, depois da residência, da criação com sintetizadores e de juntar a parte eletrónica com o fado, vai ser a experiência que vamos ter. Podem esperar uma coisa, pelo menos, diferente.

Também estará presente na conversa ‘Ouvimos Karma?’...que faz parte deste festival...

Sim. Pode ser uma conversa com muita dinâmica, com pessoas que têm opiniões diferentes sobre o assunto que vai ser discutido – como é que os artistas conseguem viver da arte e outro tipo de conversas.

O que espera desta edição zero do Karma?

Acho que já está a começar muito bem e sinto que está a ser e vai ser um festival que vai marcar, de certeza, Viseu, mas não só. Pela boa comunicação que tem tido está a ser transversal ao país, porque o Carmo’81 conseguiu, na minha opinião, condensar num mês bandas que, para mim, são mesmo interessantes e do mais interessante que se faz em Portugal. Tudo junto no mesmo festival. Se pudesse exportar bandas para mostrar o que Portugal tem para dar de bom, a maioria dessas bandas estariam presentes. Por isso, acho que a programação está mesmo muito bem conseguida, não falando de mim [risos], falando mais dos outros, não me quero incluir nisso, seria estranho, mas o festival está a ser incrível e vai ser mais ainda.

Numa entrevista referiu que o seu último álbum – The Ever Coming – tem uma narrativa em que um homem velho decidiu enclausurar-se e sair da sociedade, não sendo um misantropo. Em que medida é que essa narrativa poderá ser uma maneira sua de estar na vida?

Na verdade, isso não era para se saber, mas é um pouco o espelho da forma como vivo nos dias de hoje. Ando um bocado afastado da sociedade, mas não quer dizer que não goste de pessoas. Não sou propriamente um misantropo. Estou numa fase da minha vida mais isolada. Sempre toquei em muitos projetos musicais. Dada Garbeck, um projeto a solo, nasceu precisamente com essa vontade de estar sozinho e de estar comigo mesmo. É só uma necessidade desta fase. Por acaso, este concerto de Dada Garbeck vai ter um baterista convidado. Não é o Ricardo Martins, mas será outro. Mas sim, é um bocado um espelho da minha atual fase.





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