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Edição impressa: cantares de Manhouce na UNESCO em 2020

Edição de 3 de janeiro de 2020
04-01-2020
 

2020 pode ser o ano mais decisivo na história dos cantares de Manhouce. A autarquia de S. Pedro do Sul está a formalizar a candidatura destas cantigas a património imaterial da Humanidade.

Os cantares da aldeia do concelho sampedrense vão integrar uma candidatura conjunta. “Depois de uma consulta com especialistas da área e até com a experiência do cante alentejano, decidimos que, para termos algum sucesso, teríamos de fazer uma candidatura de âmbito nacional com o canto polifónico feminino”, refere Teresa Sobrinho, vereadora da cultura do município de S. Pedro do Sul.

A autarca garante que, desta forma, todos os grupos de música popular só com vozes femininas e com três ou mais elementos, podem juntar-se aos cantares de Manhouce. “A ideia é, no momento de apresentarmos a candidatura à UNESCO, integrar todos os grupos polifónicos femininos que temos no concelho”, assegura a vereadora.

O passo seguinte

Neste momento está a ser criada uma associação de canto polifónico feminino que vai incluir todos os grupos musicais interessados em integrar a candidatura. Depois disto, Teresa Sobrinho diz ser necessário recorrer a alguém que já esteve envolvido na candidatura do cante alentejano a património imaterial da Humanidade para serem cumpridos os passos necessários. “Julgo que durante este ano de 2020 conseguiremos fazer a candidatura. A questão é que estão envolvidos muitos grupos e há sempre atrasos, mas penso que ainda durante este ano vamos conseguir candidatar-nos”, assinala Teresa Sobrinho.

Manhouce na UNESCO? Já faltou mais…

Na última edição do Jornal do Centro, Isabel Silvestre mostrou a vontade de ver os cantares da aldeia de S. Pedro do Sul serem elevados a património imaterial da Humanidade pela UNESCO. “Falta trabalho e pôr mãos à obra e fazer os possíveis e impossíveis. Material temos. As cantigas já são consideradas património e estão vivas desde 1938 e eu gostaria que elas ficassem sem data, para sempre”, assinala Isabel Silvestre.

A cantora, que é a referência maior dos cantares de Manhouce, diz que mais do que a letra ou a música, é no sentimento que está o segredo para tornar estas cantigas património da Humanidade. “Qualquer que seja a música, se ela não tem a capacidade de chegar ao outro, não encanta. E esta gente cantava muitas vezes para não chorar: a emigração levava os maridos, as mulheres ficavam a cuidar da casa e dos filhos e muitas vezes o canto aliviava. Há cantigas de despedida, de amor, do dia de finados, quando se está a morrer… O sentimento está sempre nestas cantigas, seja qual for o ato. Mas é preciso estar dentro e ir de encontro ao outro”, descreve Isabel Silvestre.

Na entrevista ao Jornal do Centro, a artista diz que cantar em Manhouce é quase tão preciso quanto comer ou respirar. “Bastava uma ida à fonte com três raparigas e aparecia o cantar de Manhouce. Fosse nas seifas, nas malhas, nas romarias… O cantar faz parte de quem quer que seja nesta terra”, lembra Isabel Silvestre. Está agora nas mãos da UNESCO para torná-lo património da Humanidade.





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