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Espetáculo de novo circo arrisca as acrobacias da vida em palco

Edição de 27 de setembro de 2019
28-09-2019
 

“O ‘Vão’ é um espaço vazio aqui representado por uma estrada perdida no meio do nada que pode ser em qualquer lugar”, começa por explicar Vasco Gomes, diretor artístico do espetáculo, após terminar o ensaio no palco do Teatro Viriato. A ideia, segundo o artista, é retratar um percurso de vida – as suas dificuldades, adversidades, fluxos interiores e externos que preenchem o vazio.

A ideia nasceu de uma espécie de ponte, a partir de uma “ligação que desaba e nós ficamos no meio de um vazio inesperado em que duas pessoas se encontram nos extremos deste vazio”, explica Vasco Gomes, referindo-se à personagem que ele e Leonardo Ferreira, acrobata, interpretam em palco. Ao longo da peça, com duração de cerca de uma hora, há seis fases distintas. Autocontrole é a primeira parte que arranca com Vasco Gomes a equilibrar um computador portátil com a mensagem “Auto Ajuda – Cena 4”.

Magnetismo é a segunda fase, na qual se começa a ver interação entre as duas personagens. Enquanto um debita frases como “Aprender a cair antes de aprender a voar” ou “Quanto maior é a subida, maior é a queda”, o outro faz movimentos e danças com um pneu de um automóvel.

Depois seguem-se as fases “Autoconfiança” e “Abismo da Incredibilidade”. Chega, finalmente, a parte de “Vencer o Vão”. Aqui vê-se o intérprete Leonardo Ferreira a atirar-se em queda livre de um escadote alto ou a fazer acrobacias num poste. A peça chega ao fim na fase “Tudo Acaba Bem”.

Quando questionado acerca da opção de dividir o espetáculo por fases, Vasco Gomes esclarece que são, de certa forma, os períodos pelo qual o ser humano passa na vida. “São [as seis fases] as adversidades que se transformam em danças, coisas magníficas. E nos momentos em que parece que tudo desaba surge a eterna procura de equilíbrio, uma espécie de auto ajuda, aqui um pouco ironizada, um auto controlo que nos tenta reerguer, fazer continuar... sempre nesta ideia do ciclo: que as adversidades se tornem o caminho e a fluidez”, elucida.

No que toca ao cenário e objetos utilizados, o diretor artístico diz que a ideia foi experimentar o cruzamento entre as peças de um automóvel e de um espetáculo (como luzes, por exemplo). “A ideia da estrada é o tal Vão, uma espécie de vácuo e rapidamente encontramo-nos num universo quase automobilístico de peças e pedaços de carros perdidos, como se uma vida tivesse decomposta e aqui representada por partes de carros... e outras malas que aparecem com muitas surpresas”, justifica. “Espero que o público perceba que cair e levantar às vezes é a mesma coisa [risos]”, conclui Vasco Gomes, referindo-se à mensagem que pretende transmitir com o espetáculo de circo contemporâneo onde o risco e a ilusão conduzem o público através da acrobacia e manipulação de objetos.





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