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Luís Aleluia: "Os artistas precisam que gostem deles"

Edição de 7 de junho de 2019
08-06-2019
 

Luís Aleluia começou aos 10 anos a representar e ganhou visibilidade no grande público com as “Lições do Tonecas”. O ator chega a Viseu para, com Vítor Emanuel, apresentar “Saídos da Casca”, este domingo (8 de junho) à tarde, no Auditório Mirita Casimiro. O espetáculo ainda vai passar este sábado (dia 7) por Vila Nova de Paiva.

A carreira do Luís Aleluia já vai longa, mas há quatro anos, entre 1996 e 1999, que se destacam. “As Lições do Tonecas” marcaram para sempre a sua passagem pela cultura portuguesa. O que é que este programa lhe trouxe, exatamente?

Era um programa simples e sem pretensões de género algum, mas que agarrou o público de uma forma extraordinária e transversal. Agradava tanto ao avô como ao neto. Ainda hoje me agradecem os serões passados em família a ver o Tonecas. O meu trabalho era acompanhado por um grande ator, o Morais e Castro. Foi alguém que me ensinou muito e tinha valores como o empenho, a ligação e o respeito com o outro. Isso falha muitas vezes no nosso meio artístico.

Portugal vive hoje melhores dias na Cultura?

Vivemos um tempo de globalização. Hoje há uma curiosidade pela história de Portugal, quer-se perceber como é que um povo tão pequeno dominou o mundo. Hoje já não com os barcos, mas através da internet, que é também uma forma de navegação.

Fez parte da direção da Casa do Artista. Essa experiência marcou-o?

A ideia nasceu do Armando Cortez e do Raul Solnado. Prestigiou-me estar envolvido num projeto bem fundamentado e estruturado, com uma filosofia extraordinária, que defende os artistas portugueses. Foram 12 anos de trabalho voluntário e apercebi-me da vulnerabilidade da nossa profissão e o quanto precisamos que o povo vá ao teatro e goste dos seus artistas. Vivemos de afetos e, quando deixamos de cantar ou representar, morremos um pouco. Lanço uma ideia: porque é que as pessoas não escrevem cartas às pessoas que estão na Casa do Artista a agradecer-lhes o que fizeram? É um gesto bonito e eles precisam disso.

A esse propósito, os portugueses estimam os artistas?

Sim, muito. O que conta é que no fundo, ao fim de muitos anos de carreira, depois de o artista ter passado por altos e baixos, ele ficar guardado no coração dos portugueses e o povo é agradecido. Portugal tem um povo de afetos e a arte promove-os. Então fica tudo ligado: público e artistas. O público não esquece os artistas de uma determinada época em que a arte não era tão volátil. As pessoas não apareciam só numa temporada, hoje em dia as vedetas nascem num programa de televisão. Levava-se tempo e as pessoas aprendiam a gostar desses artistas. Muitas vezes não temos tempo de gostar dessas vedetas feitas quase em aviário. Infelizmente, isso acontece, e muitos deles têm um talento extraordinário.

Chega a Viseu dentro de dias. Tem memória de atuar na cidade?

Lembro-me de ter ido aí com a Ivone Silva e o Camilo de Oliveira. Mas, mais recentemente, fiz aí a animação do turismo senior da Inatel e todas as quartas-feiras durante um mês e meio ia a Viseu atuar. É uma terra de afeto, de gente boa, que sabe acolher os artistas. Aliás, como todas as pessoas do norte... Há um outro Portugal.

O que é que vamos poder ver no “Saídos da Casca”, este domingo, dia 9, às 16h, no Mirita?

São dois atores em palco e fazemos 18 personagens. Muitas vezes olha-se para as peças pelo número de atores e isso não está certo. Quantas vezes vemos cinquenta atores em palco e aquilo não vale nada. E já vi grandes monólogos, com apenas um ator durante toda a peça. A qualidade vê-se na peça e no texto. O segredo está em atualizar os textos e, no nosso caso, interagimos com o público. “Saídos da Casca” conta a história de duas pessoas que estão a escrever um programa de televisão para apresentar a um diretor de programas. À medida que se lembram de ter ideias, fazem vários quadros. É quase como uma revista, as personagens mudam de roupa e de registo.





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