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Museu do Regimento de Infantaria 14: Passado, presente... e o futuro?

Edição de 4 de janeiro de 2019
05-01-2019
 

Dentro do quartel do RI14 existe uma coleção museológica que passa um pouco despercebida. Aqui conta-se a história de um regimento que nasceu há muitos anos no Parque Aquilino Ribeiro, em Viseu.

Entramos no edifício principal do Regimento. Somos recebidos por duas representações de personagens importantes: Viriato e D. Nuno Alves Pereira, o patrono da infantaria. Pela escadaria observa-se a evolução da bandeira, a maioria pertencente ao regime monárquico.

A segundo furriel Inês Lopes, que nos fez a visita pela coleção, começa por fazer um apanhado do símbolo da unidade, bem como dos seus elementos. O touro é alusivo à época de Viriato e remete-nos para uma invasão romana. “Reza a história que Viriato juntou 300 touros bravos, lançou fogo aos chifres desses touros e soltou a manada em fúria contra aquele exército”, explica. Já as aguias significam “as cinco vitórias que Viriato teve perante imperadores romanos que nos tentaram atacar”, acrescenta.

A coleção museológica divide-se em quatro salas, todas no mesmo piso. Na primeira podemos observar, desde logo, uma imagem das instalações do antigo ‘Quartel dos Terceiros’ no Parque da Cidade, onde esteve até 1950.

Esta secção aborda as invasões francesas. Apesar de termos sido invadidos três vezes “o 14 teve uma participação especial da 3ª invasão liderada por Massena”, elucida a porta-voz. Aqui estão expostos manequins que revelam os fardamentos utilizados na época com pormenores que simbolizavam o Regimento de Infantaria 14, como o colarinho e as mangas brancas. No entanto, a peça que mais se destaca nesta área e nada tem a ver com as invasões é uma bandeira feita em seda pura, bordada com ouro de 18 quilates e tem aplicações de rubis e esmeraldas. “[Esta bandeira] é muito especial para o nosso regimento. Foi oferecida pela rainha D. Amélia como agradecimento aos militares do 14 pelas escoltas que faziam entre Viseu e S. Pedro de Sul, pois a rainha fazia os seus tratamentos termais lá”, conta.

A segunda sala leva-nos até à Primeira Guerra Mundial, onde houve a morte de milhares de militares portugueses inclusive do RI14. “Temos uma maquete alusiva a todos esses militares, mortos em combate, que é a maquete do soldado desconhecido”, comenta a guia, sendo que a estátua real se encontra no Largo Mouzinho de Albuquerque, em Viseu.

Há que referir a imagem do coronel Vale de Andrade, que denominou a parada do RI14, um homem que teve uma participação importante na primeira guerra. “[O coronel] fez algo considerado milagroso – passar uma trincheira e ir até ao troço inimigo era algo considerado impossível. Ele tinha uma missão: pegar em 100 homens, ir destruir o inimigo e voltar. Fez isso mesmo sem uma única baixa”, aclara a segundo furriel. Uma das peças que se destaca nas vitrines é uma máscara de gás. Segundo a guia, a guerra química dificultou muito os portugueses na Primeira Guerra. “Nós não tínhamos forma de nos proteger. Então, os nossos aliados [ingleses] emprestaram-nos máscaras de gás. Embora nos tivessem emprestado esse material não significava que soubéssemos utilizá-lo devido ao facto de os portugueses terem partido para a guerra muito mal preparados, mal fardados e sem consciência daquilo que iriam enfrentar”.

Aníbal Milhais foi outro militar com um papel notabilizado na altura. Conseguiu, sozinho, “reter o avanço dos alemães perante a nossa trincheira portuguesa”. Uma das armas que lhe deu apoio para tal foi a metralhadora Lewis, exposta no espaço.

Passamos à terceira secção, dedicada às guerras coloniais. Ao longo da sala podem observar-se vários guiões de militares da unidade que partiram para os três teatros de guerra principais: Angola, Guiné e Moçambique. Aqui percebe-se, também, a evolução do armamento (algum ainda hoje utilizado em missões). Estão expostas armas como uma espingarda automática G3, uma pistola Parabellum, revólveres, entre outras.

Uma das características mais interessantes da guerra colonial era a parte do ensino. “A maior parte dos militares ia para lá analfabeto. Então, na medida do possível, os sargentos oficiais davam aulas aos militares para que eles pudessem ser instruídos”, explica a porta-voz do RI14. Além da vantagem de se tornarem instruídos, isto permitia aos militares trocar cartas com madrinhas de guerra – “jovens senhoras que se voluntariavam para trocar correspondência com estes militares para que eles se pudessem sentir mais entusiasmados, mais alegres para continuar a missão”. Aqui estão caixas métricas e manuais simples.

Por fim, na última sala. Esta destinada a um militar – Bartolomeu Sizandro Ribeiro Artur que teve um papel fundamental na área das artes. “Isto é extremamente importante porque mostra o papel do militar não só num teatro de guerra, mas sim na sua interação com a sociedade. Este senhor era muito dotado naquilo que dizia respeito à escrita e à pintura”, comenta a segundo furriel Inês Lopes. Na mostra encontram-se aguarelas e capas de livros pintadas por ele.





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