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O rock, quando nasce, é mesmo para todos

Edição de 25 de janeiro de 2019
26-01-2019
 

Uma sala, um ambiente familiar, força de vontade, vozes e muita música. A receita está dada, o sonho tem cinco anos e chama-se “A Voz do Rock”. Ana Bento, a mentora do grupo, dá o arranque ao ensaio com uma sugestão musical. “Pode ser a Taipa, Sr. Ferreira?”. O tema foi celebrizado pelos “Batatas a Murro”, uma banda mítica de S. Pedro do Sul. Este é, aliás, outro dos grandes objetivos d’ “A Voz do Rock”: agarrar em temas do rock regional e complementá-los com outros sons mais conhecidos. “Não ponham as guitarras muito alto”, pede Ana Bento.

A música arranca. “Deste-me um cigarro encostado à parreira, eram mais de cem mirones, lá para os lados da Musgueira...”, canta António Ferreira, ao estilo estrela rock dos anos oitenta. O coro pelo meio grita “Levaste” ao qual António responde com alma rockeira: “com uma taipa nas costas”. A letra sai-lhes naturalmente, tão natural quanto a forma como o grupo se formou.

A ideia era desafiar o destino e mostrar que não há impossíveis. “Gosto de não estar na zona de conforto e achei que era importante proporcionar a estas pessoas a oportunidade de pisar um palco de uma forma profissional. Era um desafio espetacular porque propocionava rasgarem e ultrapassarem os seus limites. Acredito que isto é um exemplo de forma de estar que é muito positivo”, refere Ana Bento.

Aniversário

O grupo prepara uma atuação especial para o quinto aniversário. A data exige rigor e há notas a corrigir. Ana Bento interrompe nova música, desta vez dos Xutos e Pontapés. “Contem até dois na cabeça e só depois cantam a próxima parte”, referiu. Acerto dado, nova tentativa.

O grupo levanta-se e Ana Bento pede intensidade. “Começamos todos com força esta parte. É que se não parecemos um grupo de velhinhos de oitenta anos”. Solta-se uma gargalhada geral e alguém diz de pronto, com ironia, que ali não há gente de oitenta anos. “Nem sequer há velhinhos, quanto mais”, diz a rir um dos participantes do coro. João Costa faz parte do grupo há dois anos. “Vim para aqui porque calharam a falar nisto, trouxeram-me para aqui e arranjaram-me este emprego”, diz, sorridente. “Já canto deste pequeno, eu nasci a cantar e hei-de morrer a cantar. A minha paixão é a música”, refere.

Lisete Castro vai a caminho dos 85 anos e não tem dúvidas de que estar neste grupo lhe faz bem à alma e à voz. “Os professores não deixam passar nada, são malandros. (risos) Andamos a ensaiar para sermos afinadinhos, se não era uma vergonha. Temos de nos portar bem e estou preparada para o quinto aniversário. Nada de nervos, toma-se um chá de camomila”, diz Lisete que diz nunca ter preparado a voz.

“É todo o espaço que cresce com o teu ser”. A frase é de uma canção dos Xutos que o grupo vai recriar e levar para o dia de festa. O concerto está marcado para o Carmo 81, este domingo à tarde.





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