A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

Os tesouros deixados por Luís de Albuquerque na Casa da Ínsua

Edição de 8 de março de 2019
09-03-2019
 

Quando se chega à quinta onde está localizado o antigo Solar dos Albuquerques, somos surpreendidos pela sua envolvência. O núcleo museológico inserido neste edifício barroco está integrado no projeto de recuperação e requalificação de um importante acervo patrimonial, que resultou de uma colaboração entre a Visabeira Turismo e o Museu Nacional de Arte Antiga.

Para Susana Cardoso, responsável pela unidade hoteleira, este museu acresce valor à Casa da Ínsua, bem como à história nacional. “Veio diversificar e aumentar a oferta turística para os nossos clientes, mas também está aberto ao público em geral, tendo em conta que ainda existe uma vertente agrícola englobada no espaço de queijaria, produção de vinho e a vertente hoteleira com espaços históricos que apresentam artigos relativos à história da família Albuquerque”, explica.

O museu está dividido em três espaços: o da família fundadora, vivências e renovação; a antiga serralharia que conta a vertente agrícola que a casa dispõe; e a sala braziliana.

A visita começa pela área dedicada aos fundadores da Casa da Ínsua, onde funcionava o antigo lagar. Expostas estão imagens, por ordem genealógica, do tetravô de Luís de Albuquerque até ao seu irmão João de Albuquerque. Aqui viaja-se até ao século XVIII, altura em que Luís de Albuquerque foi convidado, por Marquês de Pombal, para ser governador e capitão general da capitania de Mato Grosso (Brasil). Da mostra fazem parte elementos que remetem para as suas viagens ou que pertenciam à antiga casa, como objetos de caça indígenas, armas brasonadas e mapas.

“Depois de toda uma necessidade de renovação, apesar de Luís de Albuquerque não ter usufruído tanto como pretenderia da casa, o seu irmão, João de Albuquerque, acabou por trabalhar na reconstrução da casa. A primeira a ter eletricidade em Portugal”, como dá conta Susana Cardoso enquanto se observa uma imagem que representa a central elétrica.

A antiga serralharia dá a conhecer a vertente agrícola da casa. Da mostra fazem parte algumas máquinas que foram recuperadas. “Trabalhava-se essencialmente a vertente de carpintaria, serralharia e da produção de vinho, que ainda hoje é produzido pela Casa da Ínsua, queijos e compotas”, comenta a guia. Ainda se vêem as linhas construídas para transportar por carris os produtos até ao andar superior do celeiro.

O espaço ‘Braziliana’ está reservado para uma mostra permanente de mapas e ilustrações originais do século XVIII – um acervo cedido pela família Albuquerque e recuperado pelo Museu Nacional de Arte Antiga. Os mapas aqui reunidos apresentam um levantamento topográfico da zona de Mato Grosso. “Por mais que existissem tratados havia uma necessidade e preocupação de estabelecer os territórios portugueses por parte da coroa”, afirma Susana Cardoso. “Luís de Albuquerque acabou por trazer mapas desde 1772 onde identifica os vários rios, a fauna e a flora, o território. Para combater o avanço espanhol conseguiu fortificar alguns espaços com a construção de fortes com nomes de algumas cidades portuguesas como o Forte de Coimbra ou o Forte Príncipe da Beira. Todos foram feitos numa base de controlo da invasão espanhola”, explica.

No espaço podem ver-se vários desenhos que representam a flora e fauna locais, uma compilação da história natural brasileira.





  • 2002 - 2019 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT