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Portugal e Macau unem-se com artistas de Viseu

Edição de 25 de outubro de 2019
26-10-2019
 

De Viseu para Macau, podia ser o título de uma qualquer peça de teatro, mas a verdade é que se tornou a experiência mais marcante nas jovens vidas de Gabriel Gomes e Sofia Moura. Os atores que estavam noutro projeto no Teatro Viriato, ‘O Presente de César’, foram convidados a integrar um festival na região autónoma chinesa e que foi administrada por Portugal durante centenas de anos. “A Ana Vargas, uma atriz do Porto, com quem fizemos o ‘Labirinto’, já tinha ido lá apresentar um espetáculo. Pediam jovens com menos de 30 anos”, começa por contar Gabriel Gomes.

A peça chamada ‘First Set’ foi criada propositadamente para a apresentar neste encontro de teatro. “Começámos a idealizá-la quando discutíamos sobre a arte e as regras, comparativamente com o que acontece no desporto. Optámos por colocar como cenário um campo de ténis alternativo e jogámos com a ambiguidade destes dois mundos: a arte e o desporto com a competição pelo meio”, descreve Sofia Moura. A experiência, dizem, foi “desafiante e totalmente diferente do que alguma vez tinham criado” e demorou alguns meses a ser concretizada.

“Ensaiamos durante o mês de maio, tivemos duas semanas intensivas em junho e uma semana também forte em agosto, antes de viajarmos para Macau. Lá também ensaiámos algumas vezes”, adianta Gabriel Gomes.

Viseu e Macau, dois mundos diferentes

A ideia de apresentar uma peça em português fora de Portugal entusiasmou os elementos da companhia de teatro, mas havia receios. “Não estava só o nosso nome associado, estávamos a representar Portugal. Havia um nervosismo acrescido. Estávamos preocupados sobre o que o público ia achar da peça, se ia achar demasiado alternativo”, explica Gabriel Gomes. Sofia Moura, por outro lado, acrescenta que a confiança foi aumentando à medida que os dias passavam. “Houve boas reações e isso contribuiu para ficarmos mais aliviados, houve uma pessoa que ficou completamente emocionada”, lembra.

Como a estadia por Macau ainda durou uma semana, ambos tiveram mesmo de apreciar a gastronomia local e os sítios mais marcantes. “A memória que mais me ficou foi ter provado a gelatina de carapaça de tartaruga”, refere Gabriel que não consegue terminar a ideia porque Sofia interrompe através de uma manifestação de repulsa. “Eu não provei, que fique registado”, assinala.

A gelatina, conta Gabriel, “é muito amarga, mas estranha porque a servem com uma espécie de xarope que serve para aliviar, no entanto dizem que é muito saudável”.

Já Sofia traz de Macau memórias ligadas ao património. “Vimos um espetáculo feito numa piscina gigante. Era uma espécie de ‘Circo du Soleil’, mas com mergulhadores e com uma narrativa do princípio ao fim. E os pandas! Fomos a uma reserva de pandas”, relata.

De Macau recordam um povo muito fechado. “De um modo geral à primeira vista as pessoas são um pouco rudes, mas não são arrogantes. Tentam ajudar, mas são demasiado pragmáticas e, por isso, parecem um pouco brutas”, frisa Gabriel Gomes.

Quanto ao futuro, esperam poder apresentar obra teatral noutros pontos do mundo com a ajuda de Dennis Xavier, que musicou a peça, Heloíse Rego que produziu e de Vítor Freitas que ficou responsável pela iluminação.





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