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Professora usa a escrita e o teatro para incentivar à leitura

Edição de 31 de maio de 2019
02-06-2019
 

O aprender a ler transformou-se na descoberta de um novo mundo. Foi essa paixão que levou a que Lúcia Morgado, professora bibliotecária, começasse a escrever livros infantis. Foi a ouvir as irmãs a ler que a escritora descobriu a magia da leitura.

Professora de português/inglês há 30 anos e professora bibliotecária há 10, via no curso de ensino do 1º ciclo uma oportunidade de conhecer Portugal. “O facto de poder ser transferida para vários pontos do país era um fascínio, pois permitia-me conhecer novos sítios tal e qual como os livros”, revela Lúcia Morgado. Ser professora permite-lhe “semear o bichinho da leitura pelos mais pequenos”, pois para ela é nesta idade que se ganham as raízes e o gosto pela leitura. Para a docente, as famílias motivam cada vez menos a leitura entre as crianças e já não se faz uma compreensão eficaz dos textos.

Durante o percurso académico na Escola Superior de Educação de Viseu, a bibliotecária escrevia poemas para o jornal da Associação de Estudantes. “Era uma forma mais direta de chegar às pessoas, no fundo era adolescente, altura em que temos muitos sentimentos e que gostamos de mostrar as coisas de uma forma diferente, de forma revoltada por isto ou por aquilo e a poesia permitia-me dizer isso em poucas palavras”, confessa. Na fase atual da sua vida optou pela prosa, pois tem objetivos diferente e quer que a sua escrita leve outro rumo. Continua a escrever poemas, mas para oferecer a familiares e amigos.

O seu primeiro livro, “A Magia dos Pequenitos”, foi escrito com os alunos da Escola Básica 2, 3 de Nelas e teve duas edições. Os livros que se seguiram contaram sempre com a ajuda de amigos, professores e alunos. “Eu acho que escrever sozinha nunca é um trabalho completo porque por mais ideias que possamos ter, temos de ter o feedback das outras pessoas e juntando as nossas ideias com as dos outros o livro vai sair muito mais enriquecedor”, admite a professora.

Lúcia destaca o livro “Uma mão cheia de histórias”, que foi escrito em colaboração com Rita Almeida, professora e amiga. Cada história que escreviam tinha de ter uma mensagem importante a transmitir. Este livro, que foi um desafio proposto pelo presidente da Câmara de Mangualde, conta com as ilustrações de Luís Almeida, amigo da escritora. Para além de ilustrador, Luís Almeida, também fazia os cenários para os teatros de divulgação do livro que a bibliotecária organiza.

Lúcia Morgado conta que o último livro publicado, “Um livro feliz”, surgiu da vontade de uma aluna de Mangualde. A escritora foi contactada pela professora da estudante que lhe contou que a aluna tinha o sonho de ilustrar um dos seus livros. “Fiquei muito feliz por puder concretizar o sonho dela e a partir daí surgiu esta obra que é realmente um livro muito feliz”, expressa.

A paixão pelo teatro

O teatro é também uma das paixões da escritora e recorda uma história da infância. “Quando era pequenita havia um circo que ia à minha aldeia e eles chamavam sempre pessoas para participar em alguns números e eu ia sempre, o meu pai até me dizia que eu um dia ia com o circo [risos]”. Para a docente, o teatro é uma maneira diferente de dizer as coisas e enquanto está a escrever os livros já está a imaginar como irá ser as suas apresentações.

A escritora em todas as apresentações chama os alunos a participar no teatro, pois acredita que ficam muito mais atentos ao que está a acontecer. Recorre a vários personagens do livro “Uma mão cheia de histórias”, como, por exemplo, as personagens Lili e Bruxa Guxaguxa, para fazer as apresentações de teatro. “Eles virem ter comigo e chamarem-me Lili porque eu desempenho a personagem Lili e dizerem que já comem ervilhas, que já leem livros antes de dormir, revela que eles realmente aprendem”, sublinha com orgulho.

Lúcia Morgado também admite que fica muito emocionada com certos “mimos” que os alunos das escolas onde vai apresentar os livros lhe dão, como por exemplo apresentações das suas histórias. A professora bibliotecária conta que os alunos da Escola Básica João de Barros, onde leciona, “deliram” com os seus livros e relembra um episódio engraçado: “o meu livro “Uma mão cheia de histórias” vai na quarta edição e cada edição tem uma cor de capa diferente, eu tenho alunos que compraram os quatro livros para os ter com as diversas cores, mas o interior não se altera”.

Em relação ao Plano Nacional de Leitura (PNL), a escritora considera que inicialmente o plano foi muito importante para que as pessoas percebessem a importância da leitura e para equipar as bibliotecas. No entanto, acredita que algumas regras que foram surgindo já não conseguem motivar os alunos a ler. A professora bibliotecária acredita que, apesar de haver uma ou duas obras intemporais no PNL, a maioria delas não se adequam à realidade atual. “Acho que devia haver mais liberdade, deviam ser os professores a decidirem quais os livros a trabalhar com os alunos até porque devemos trabalhar os livros de acordo com os estudantes que temos à nossa frente. Se nós partimos sem a motivação dos alunos aquela leitura não resulta”, diz a docente.

A escritora considera que há vários autores que por terem uma vasta obra publicada têm “sempre o sucesso garantido” e que depois há outros que “têm boa obra”, mas que as editoras não estão interessadas em lhes dar projeção.





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