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Telas de rua

Edição de 10 de maio de 2019
10-05-2019
 

A quinta edição do Festival de Street Art, em Viseu, arrancou na quinta-feira (9 de maio) e termina este domingo (dia 12). Rosário Pinheiro, o coletivo Ergo Bandits (que aparece na foto) e Rosália Marques são alguns dos artistas da terra que participam no projeto de arte urbana que se estende a todo o concelho. O tema deste ano é a gastronomia.

A Desfolhada

A Desfolhada “O tema foi fácil, sou cozinheira”, brinca Rosário Pinheiro, que é ainda designer e ilustradora. A obra da artista, que está numa das paredes da Escola Básica de Moselos, no Campo, não deu muito que pensar, fazendo com que esta tenha chegado facilmente ao produto final. “Já queria fazer este desenho há algum tempo. É inspirado no poema de Ary dos Santos, ‘A Desfolhada’. Achei que era a junção perfeita porque o milho, o ingrediente principal desta zona, é cultivado nas aldeias, local onde também era feita a desfolhada”, explica Rosário Pinheiro. A designer revela ainda que embora esteja habituada a pintar, as dimensões da obra mudam a dinâmica. “É um desafio grande. É a primeira parede que vou pintar, e embora seja pequena, não é assim tão pequena”, sublinha. Rosário Pinheiro acrescentou o projeto, ainda não terminado, tem tido boa aceitação por parte dos locais.

#AÚltimaCeia

Ergo vem do latim “logo”, “por consequência”, ao qual foi adicionada a palavra “bandits”, e foi assim que João Pereira e Ramon Freitas encontraram o nome para a dupla artística. “Somos considerados bandidos, porque fazemos arte de rua, considerada ilegal, não é que sejamos bandidos na realidade, só somos levados como tal”, explica João Pereira.
É na Rua Nova da Balsa que o coletivo Ergo Bandits apresenta a sua obra, resultado de um acaso, mas que acarreta uma mensagem forte. O quadro de Leonardo da Vinci - A Última Ceia - foi o ponto de inspiração, ao qual os jovens adicionaram o seu cunho, mostrando uma “ceia” contemporânea. “Pegámos naquilo que já existia, uma imagem daquilo que é a tradição e decidimos transformar esse ícone na realidade dos dias de hoje”, explica a dupla. “Esse é o nosso objetivo nas obras que fazemos e não o estético, o estético é um complemento. A nossa ideia é que a obra fique na cabeça das pessoas, que parem e reflitam um bocado. É esse o objetivo da arte, é fazer questionar pessoas”, rematam João Pereira e Ramon Freitas.

Crianças à mesa

Rosália Marques é a artista mais jovem do Festival. A estudante explica que a sua obra concilia dois mundos: a arte plástica e a arquitetura. “Fiz uma instalação e não apenas uma pintura. Estou a criar um espaço, por isso a arquitetura está muito presente”, explica. Rosália Marques afirma que o convite para participar neste projeto foi uma surpresa, mas foi com muito entusiasmo que abraçou o desafio. “Foi-me proposta a intervenção na Escola de S. Miguel, e sendo uma escola primária queria criar algo direcionado às crianças. Tentei criar algo mais dinâmico para uma parede, conciliando um jardim vertical e o momento da refeição”.
Assim sendo, está a ser criado um espaço de refeição no recreio da escola, de forma a tornar aquele momento mais divertido para as crianças, pois “muitas vezes é um sacrifício”, brinca a jovem artista. Rosália Marques confessa ainda que no início achou a proposta assustadora, devido às suas dimensões e que demorou algum tempo a chegar ao projeto final. “O projeto sofreu algumas alterações, principalmente durante a execução, mas gostei muito do resultado final”, conta.





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