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UHF: "Há alguns anos perdemos o contacto com Viseu e é pena"

Edição de 6 de setembro de 2019
 

Entrevista com António Manuel Ribeiro, dos UHF

Programa completo


07-09-2019
 

UHF é uma banda portuguesa de rock formada na Costa de Caparica, em Almada, em 1978. Está a assinalar os 41 anos de palcos, o que torna o grupo um dos mais antigos e em atividade em Portugal. O número de concertos não anda muito longe dos 2000 e os álbuns vendidos podem já atingir os dois milhões. Da formação inicial apenas o vocalista, António Manuel Ribeiro, se mantém na banda. UHF sobe este sábado, dia 7 de setembro, ao palco da Feira de S. Mateus.

Qual o segredo para uma banda se manter mais de 40 anos no ativo?

É um desafio. Foi um desafio constante. Saber onde podíamos ir, quanto tempo ia durar, se os nossos discos podiam vender. Foi uma descoberta porque não havia história de música jovem, em Portugal, com resultados. O que fez com que a indústria olhasse para os jovens daquele tempo de uma outra forma.

Podemos falar em quase dois milhões de discos vendidos…

Há tempos avaliei esses números por causa de uma exposição que está patente no Museu da Cidade, em Almada, “UHF pela estrada do rock”, no âmbito dos 40 anos da banda. Fiz uma série de levantamentos em termos de números, de canções, de vendas e espetáculos e fiquei espantado com alguns números que fui encontrando.

O António Manuel Ribeiro já editou seis livros. São todos sobre a banda?

Não. Só um é que é sobre a banda. É o quarto livro que se chama “ Cavalos de corrida. A poética dos UHF”. Baseia- -se no que escrevi não só para os UHF mas também em discos a solo meus e até para outros artistas entre 1979 e 2005. É um livro grande com comentários sobre os poemas e tem fotografias inéditas. Os outros livros, os primeiros três foram de poesia, o quinto é um livro sobre crónicas do mundo da música e o último retrata um caso que eu vivi de “stalking” (perseguição).

Ao longo dos 40 anos de percurso, os UHF também tiveram oportunidade de partilhar o palco com nomes somantes da música nacional e internacional. Tem sido uma aprendizagem?

No princípio foi uma faculdade. Quando entrávamos num palco internacional era preciso, primeiro, vencer os nervos, depois ganhar coragem, ter repertório e instrumentos. Não tínhamos nada disso mas aprendemos muito. Há 40 anos eu toquei com dois dos maiores artistas britânicos, em Portugal. Falo de Dr. Feelgood, que era quem mais vendia no mundo inteiro e que já não existem e com quem fiz três espetáculos. Fiz também dois espetáculos com Elvis Costello que ainda trabalha. Foi para nós estimulante.

Atualmente servem também de inspiração a outros grupos mais jovens…

Sim, é uma coisa que me espanta.

E porque apostaram na reedição do álbum “O Jorge morreu” editado pela primeira vez em outubro de 1979?

Por uma razão muito simples. Esse disco está esgotado há muito tempo. Foi o nosso primeiro trabalho. Não tivemos o apoio da nossa editora e decidimos, em 2019, fazer o disco e fizemos. Foi um disco que custou muito dinheiro para produzir. O vinil é de altíssima qualidade fabricado na Áustria, a capa é uma réplica da época mas melhorada.

O que é que ainda o surpreende nos concertos e no público?

O público (risos). A sério é o público e tanta gente. Este tem sido um ano de grande felicidade e os fãs têm apoiado muito.

Considera que o público das grandes cidades reage de forma diferente do público dos meios mais pequenos?

Não, não sinto. Eu acho que quando transmitimos verdade em cima de um palco, as pessoas reagem e reagem corretamente e participam.

Já há alguns anos que os UHF não regressavam a Viseu…

Exatamente. Há alguns anos que nós perdemos o contacto com Viseu e é pena. Gostamos de voltar.

Que expetativa tem para o regresso à Feira de S. Mateus?

Nós queremos fazer sempre melhor e diferente. Eu gosto de fazer aquilo que faço e quando vou para cima do palco é para dar o meu limite e o meu limite amanhã há-de ser outro. E esse é que é o desafio do artista. Nós vamos à procura das pessoas e o espectáculo também depende das pessoas.

Como vai ser o alinhamento para o concerto em Viseu?

Há três anos lançámos o disco “O melhor de 300 canções” e no fundo é isso que fazemos. Trazemos o nosso melhor. As canções de sucesso têm que entrar sempre. Isso é a nossa imagem, a nossa cara, o nosso sangue e a nossa alma.

Para quando um novo disco dos UHF?

Não sei, mas no próximo ano de certeza. Ainda este ano pode haver qualquer coisa, depende dos concertos.





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