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"A Sampedrense só desceu de divisão por causa dos árbitros"

Edição de 3 de maio de 2019
04-05-2019
 

No Juízo de Comércio de Viseu há um pedido de insolvência da União Desportiva Sampedrense em que o antigo treinador Jorge Febras reclama o pagamento de dois mil euros de ordenados e subsídios em atraso. Nuno Cunha dirige o clube de S. Pedro do Sul há quase um ano e garante que nada deve ao ex-técnico. Numa conversa onde se fala do futebol distrital o presidente da Sampedrense “atira-se” às arbitragens e diz que, no jogo jogado, o Ferreira de Aves, que está em segundo, na Divisão de Honra, merece ser campeão, título que ainda pode conquistar.

É a mais recente polémica do futebol distrital. Jorge Febras, antigo treinador da Sampedrense, diz que tem a receber do clube cerca de dois mil euros que envolve ordenados, subsídios relativos a gasóleo e portagens. Como é que, enquanto presidente da Sampedrense, reagiu a tudo isto?

Eu e a direção ficámos machocados quando soubemos do pedido de insolvência feito por Jorge Febras. Enquanto profissional, ele não foi correto. Falando diretamente, ele mentiu, temos provas do que dizemos. Manuel Branco, um sócio do clube, pagava em dinheiro oitenta euros, semanalmente, a Jorge Febras, para custear gasóleo e portagens, cerca de vinte euros por cada viagem que ele fez. O clube não tinha outra hipótese de pagar e este sócio mostrou-se interessado em ajudar o clube. Falamos em cerca de mil euros. O antigo presidente deu-lhe também um carro, o motor rebentou. Foi-lhe dado outro carro e, engraçado que, também rebentou um motor ao novo carro. O clube informou-o que não tinha mais nenhum carro disponível e ele disse então que levava o carro dele e as despesas foram-lhe todas pagas. Mal saiu o artigo no Jornal do Centro contactámo-lo e ele disse-nos que nada disse e que lhe foi tudo pago. Os protagonistas, no futebol, deveriam ser os jogadores e não a equipa técnica, nem direções, nem arbitragens. Não vejo outra explicação que não o tentar chamar a atenção para Jorge Febras ter dito uma calúnia destas.

Entretanto conversaram depois desse telefonema?

Não. Chegou entretanto o pedido de insolvência e disse ao advogado de Jorge Febras que fiquei admirado porque poderíamos ter dialogado. Ligou-me mesmo há pouco [esta entrevista foi gravada na segunda-feira, dia 29 de abril, à tarde] o tesoureiro, que me disse termos recebido o processo de insolvência e que mo entregava para perceber se vamos ou não recorrer. Só hoje é que chegou essa carta registada.

Como é que recebeu este pedido de insolvência enquanto dirigente máximo da Sampedrense?

Com bastante tristeza, porque acho que Jorge Febras deveria ter mais respeito pelo clube, não por mim, mas se calhar também. O que a Sampedrense fez por ele, no ano passado, merecia ter outro tipo de respeito. Primeiro, deve lembrar- -se que um amigo tem sempre outro amigo. Nós sabemos que ele, no ano passado, aos sábados, tomava o pequeno almoço com um dirigente do Moimenta da Beira, para preparar esta época, o que, para um profissional, fica-lhe muito mal porque ainda estávamos a lutar pela subida e ele sabe que é o maior culpado de não termos subido de divisão. Levou seis jogadores da época passada para os treinar, esta época, no Moimenta.

Está a acusar Jorge Febras de ingratidão?

Sim, e de não ter sido honesto com o clube.

A Sampedrense desceu de divisão. Que explicação encontra para este insucesso desportivo?

Quando me candidatei fi-lo só por um motivo, quando algumas pessoas achavam que o melhor era acabar com o clube para acabar com as dívidas da Sampedrense. A maior parte das antigas direções do clube não pagaram a quem deviam. Se calhar é preferível diminuir o orçamento do ano passado para este ano e assim o fizemos e é um terço do da época passada. Faltou qualidade ao plantel, mas deixo bem assente que essa qualidade falhou na questão da subida, mas, sinceramente, nunca pensei que faltasse qualidade para evitar a descida de divisão. No entanto, sempre disse aos jogadores que milagres não se fazem.

Mas ficou desiludido com a prestação dos jogadores?

Muito sinceramente, não. Pode ter acontecido, alguns não se terem portado tão corretamente, mas não estou desiludido com eles.

É um tema recorrente, mas sobre o qual os adeptos nem sempre refletem. Como é que um clube sobrevive nos campeonatos distritais? A sua perspetiva neste assunto mudou, ou já pensava assim antes de se tornar presidente da Sampedrense?

Nunca pensei que fosse tão difícil. Não tinha ideia de que o clube tinha tantos processos em tribunal e esse foi outro dos problemas. A Associação de Futebol de Viseu (AFV) tem nos clubes os seus associados e nós devíamos ser mais respeitados. Quem vive dos dinheiros públicos vindos das câmaras municipais é a AFV, porque a maior parte das vezes, o dinheiro que os clubes recebem das câmaras vai para a associação.

Já fez chegar essa sua queixa a quem de direito?

Já tentei, mas há um grande problema. Em anos anteriores, a Associação de Futebol de Viseu deixou certos clubes endividarem-se demasiado. Antes de deixar os clubes endividarem-se, deviam ter tomado medidas. Agora, há pessoas que têm de pagar erros de outros e esse foi o nosso caso.

Vamos entrar no capítulo das arbitragens. Numa recente entrevista, o presidente do Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Viseu disse acreditar que nenhum clube ia atribuir culpas aos árbitros pelos resultados desportivos. Os árbitros estiveram mal nalguns jogos do seu clube?

Estamos há um mês e meio a pedir uma reunião com o presidente do Conselho de Arbitragem e estamos até agora à espera. Sinto que há alguma coisa contra as equipas de S. Pedro do Sul e não falo apenas na Sampedrense. Estive num jogo de futsal do Unidos da Estação e aquilo foi demasiado, desde expulsões a penáltis. Eu não sei o que têm contra São Pedro do Sul.

Quando diz isso fá-lo enquanto presidente ou já sentia isso enquanto adepto de futebol?

Já no ano passado se notou um pouco isso. A equipa não subiu porque houve erros de arbitragem cruciais. No ano passado perdemos a possibilidade de subir no jogo contra o Roriz, onde nos expulsaram um jogador que ainda ninguém consegue explicar a expulsão. O treinador adversário chegou a dizer que, se fosse preciso iria testemunhar a nosso favor em como o nosso jogador nada tinha feito.

Há outros exemplos?

Vários. Há três jogos que para mim... Vale de Açores e Lamego fora e Moimenta da Beira, em casa.

A Sampedrense desceu também por causa dos árbitros?

Não foi também. Foi por causa das arbitragens.

Só?

Na minha opinião, sim. Ainda agora, frente ao Ferreira de Aves, não foram marcados dois penalties a nosso favor porque não se quis assinalar porque não podiam ser marcados. Atualmente a arbitragem gosta de ser protagonista do jogo.

Em jogo jogado, entre Castro Daire e Ferreira de Aves, qual foi o adversário mais difícil de defrontar?

Na minha opinião o Ferreira de Aves tem mais qualidade e joga mais.

Há um caso que está a marcar desde há alguns meses o futebol nacional. Há jogadores estrangeiros a passar mal, há quem lhe chame escravatura. A fama negativa que alguns dos clubes vão ganhando preocupa-o?

Sim, bastante. Primeiro, penso em como esses jogadores chegam a Portugal. No ano passado, em dezembro, houve dois jogadores nossos que vieram do estrangeiro. Jorge Febras exigiu estes dois atletas e, na altura, pediu ao antigo presidente porque precisava deles para subir. Insistiu na vinda deles ao ponto de ter dito que nem que tivessem de tirar dinheiro dele. Arranjou uma pessoa do Porto para legalizar a situação, apresentaram documentação legal e depois ficámos admirados quando, passado dois ou três meses, apareceu o SEF - Serviços de Estrangeiros e Fronteiras e, afinal, esses jogadores não estava tão legais quanto isso. Pagámos uma multa da qual não tivemos culpa nenhuma. Quem quiser seguir uma política de aproveitamento de jogadores locais, dentro de dois ou três anos tirará frutos. Se forem buscar jogadores estrangeiros, será muito mau para o futebol português.

O que é que, enquanto dirigente, pensa fazer para que estes casos não se passem na União Desportiva Sampedrense?

Aquilo que fiz este ano. Não ir buscá-los.





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