A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

Armindo Araújo: talento, trabalho e vontade de vencer

Edição de 7 de junho de 2019
09-06-2019
 

O palmarés é vitorioso. Pentacampeão nacional de ralis (de 2003 a 2006 e em 2018), Armindo Araújo é o único português bicampeão mundial de ralis de automóveis de produção (2009 e 2010). Muito prático e objetivo, as palavras ‘princípios’, ‘trabalho’ e ‘resultados’ são repetidas ao longo desta entrevista a par com o navegador Luís Ramalho. Um exclusivo Jornal do Centro, em vésperas de terem ganho, entre os portugueses, a 53.ª edição do Rally de Portugal.

O piloto de ralis de 41 anos que já competiu em todos os continentes, não tendo tradições familiares na competição, diz que o desporto automóvel já nasceu com ele. Mesmo antes dos ralis,“ddesde muito miúdo só pensava em motas”, lembra Armindo Araújo que teve a primeira mota com 6 anos. Com 14 anos começou a fazer as primeiras provas do campeonato nacional de Enduro, tendo sido campeão no ano de estreia, em 1995. As quatro rodas chegaram também “quase como uma brincadeira, depois de ver um rali perto de casa, em Santo Tirso”. Decidiu experimentar e foi conquistando alguns pódios.

Para o navegador Luís Ramalho, que o acompanha desde 2018, ano em que foram campeões, o percurso foi diferente. Para o radiologista de profissão, os ralis já estavam na família e esta foi a 16.ª participação no Rally de Portugal.

Começou em 1992, como piloto no Rali de Amarante, também por um acaso, “com carro, capacete, fato, luvas… tudo emprestado, menos a vontade”, tendo o irmão Miguel Ramalho como navegador. Ali as coisas “correram bem demais”. Andou até ter orçamento.

Só depois de 1999, com Rodrigo Ferreira, fez a estreia “a andar ao lado de alguém”, algo que confessa foi uma coisa “estranhíssima” porque nunca se tinha imaginado naquele lugar. Mas, as coisas foram acontecendo e já lá vão 27 anos de carreira.

Ao lado de Armindo Araújo, é campeão nacional de ralis em título.

Dos troféus ao mundial

No ano de estreia, em 2000, Armindo Araújo foi campeão na categoria de Promoção de onde passou para o campeonato nacional do Troféu Saxo… para continuar a vencer.

Nessa altura, diz ter investido em si próprio ao decidir fazer também o Rally de Portugal, o Rali FCPorto e o Rali Vinho da Madeira. Preparou-se “da melhor maneira e o mais rápido possível para que, se surgisse uma oportunidade, pudesse dar o salto para outro patamar”, recorda. O que veio a acontecer. A partir de 2002, dá-se o ingresso na equipa oficial da Citroën, assumindo-se na altura como o piloto mais jovem de sempre a representar uma marca.

Deste percurso, Armindo Araújo lembra que, “no fundo, também temos que ter um pouco de ‘sorte’ na vida. “Trabalhar para estar no sítio certo à hora certa e esperar que tudo corra pelo melhor”, sublinhou.

Depois de dois campeonatos ganhos pela Citroën, veio o desafio da Mitsubishi com mais dois títulos nacionais que a marca conquistou pela primeira vez com o Grupo N em Portugal. Este sucesso viria, em 2007, a ajudar a que Armindo Araújo alcançasse o patamar do mundial.

Com a mesma estrutura que tinha em Portugal, o piloto conquistou para a Mitsubishi o título mundial de 2009 com o Evo IX. Dali, passou a piloto de desenvolvimento da Mitsubishi Japão, participando no projeto do Lancer Evo X com a ‘Ralliart Itália’. Em 2010, a marca teve o primeiro título mundial em Itália.

Em 2009 e 2010, quando conquistou o título, confessa que “foi saboroso até porque tinham passado por muito para chegar ali”. Recorda “os anos mais difíceis do Grupo N, que tinha os pilotos que hoje estão no WRC como Nasser Al-Attiyah, de Andreas Mikkelsen ou de Ott Tänak, num campeonato difícil e muito disputado. “Quando conseguimos vencer foi um sentimento de dever cumprido a vários níveis”. O piloto sublinha que “foi uma vida inteira a pensar em chegar ao topo dos ralis e esse título fica para a história como um dos bons trabalhos que Portugal fez no desporto mundial”.

A experiência no WRC e os anos em pausa

Tendo liderado quase todos os projetos em que esteve envolvido, Armindo Araújo acredita “que é o piloto que deve liderar e mostrar o caminho que deve seguir”.

Em todas as equipas onde esteve tentou que a sua ideia prevalecesse de modo a que as condições se adaptassem ao estilo de condução. “Quando isso não aconteceu”, recorda, “os resultados não foram bons”.

Em 2011 e 2012, haveria de passar para o campeonato do mundo onde correu pela equipa oficial da Mini, no WRC. O pentacampeão nacional em título retirou-se dos ralis, saindo da WRC Team Mini Portugal, a equipa que, a partir do Rali da Suécia, deu lugar à Armindo Araújo World Rally Team com que iniciou, em Monte-Carlo, a época de 2012. “Saí a meio desse ano porque não concordava com a falta de estruturação do projeto”, confessa.

Depois da etapa da Mini, Armindo Araújo ainda teve hipóteses de correr com o terceiro carro quer da Citroën quer da Ford, mas não foi possível reunir orçamento para responder às exigências e o projeto não chegou a ser realidade. Depois disso, entendeu que “não havia mais nenhum projeto que fosse um desafio e portanto acabava ali a passagem pelo mundial”.

O período de retiro durou mais de cinco anos, tempo passado “sem sequer entrar num carro de ralis, vestir um fato de competição ou pôr um capacete”, confessa. Foi uma altura em que fez “coisas completamente diferentes” e que, revela, “não foi tão difícil como as pessoas imaginam… Foi um virar de página completo e foquei-me noutras coisas da minha vida e acho que até foi bom!… Não fiquei a remoer e a viver do passado. Andei com a minha vida para a frente até que olhei para um projeto que me é apresentado de forma profissional. Quando voltei foi com toda a garra e os resultados estão aí”.

O regresso para o pentacampeonato

Em 2018, acordaria de um sono profundo de novo para a competição. Integra o projeto da Hyundai, para o qual convidou Luís Ramalho porque, diz, “queria um ambiente familiar na minha equipa”. O resultado foi a conquista do campeonato nacional. “Um regresso que correu bem”, reconhece. “Os princípios e os valores que a marca defende coincidem com os meus. Muita vontade de vencer e muita dedicação”, revela o piloto. Este ano, diz Armindo Araújo, “estamos a trabalhar e a lutar para repetir o feito”.

Fazendo uso da experiência, reconhece que “hoje é mais fácil fazer uma análise às provas, saber os momentos de atacar e de defender, perceber o carro que temos em mãos para saber aproveitar o máximo potencial”. E é essa experiência e sentido prático que coloca no presente. “Eu e o Luís temos aprendido muito com o Hyundai. Um carro muito competitivo, com as suas exigências, mas temos que saber tirar tudo o que de melhor ele tem para traduzir isso em resultados desportivos”, completa.

O Rally de Portugal

Armindo Araújo venceu a edição 53 do Rally de Portugal na prova pontuável para o Campeonato de Portugal. No final da prova, o piloto confessava que tinham ganho tudo aquilo que queriam. “Foi um fim- -de-semana fantástico, memorável e estamos super-contentes”, declarou. Depois de vencer para o nacional, em contas que fecharam a meio do segundo dia de prova, Armindo Araújo continuou em competição e foi o melhor português nesta edição do Rally de Portugal, tendo levado a Hyundai a conquistar 1.º e 2.º lugares para o Campeonato Portugal de Ralis, a par com Bruno Magalhães.





  • 2002 - 2019 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT