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Ciclistas de Viseu são campeões no Brasil

Edição de 1 de novembro de 2019
02-11-2019
 

Tiago Clamote, ciclista natural de Viseu e que representa atualmente o Vasconha BTT Vouzela, juntamente com o seu parceiro Tiago Silva, foram os grandes vencedores da 10.ª edição do Brasil Ride, na categoria de Masters. Viseu foi também representado por Tiago Ferreira, atual campeão europeu de XCM, que em dupla com o colega de equipa Hans Becking, venceu a prova na categoria de Elite, mas essa é uma entrevista que pode ler na edição da próxima semana... para já, vamos ficar a saber como um enfermeiro que teve de pedir à mulher para ir trabalhar conseguiu o “quase impossível”.

Esta é a segunda prova mais importante do calendário do BTT mundial, o que traz uma enorme dificuldade em termos físicos, mas também em termos financeiros para ciclistas “amadores” como é o caso de Tiago Clamote. O ciclista viseense aceitou o convite para participar nesta competição, mas precisou de angariar patrocínios para poder suportar todos os custos inerentes à sua presença. Na memória, ficam momentos e histórias para contar sobre esta experiência única que viveu em terras de Vera Cruz, algumas desvendadas na entrevista dada ao Jornal do Centro.

Como é que surgiu esta ideia de participar no Brasil Ride?

O delinear da ida para o Brasil Ride começou a surgir por causa do grupo de amigos, sobretudo o Ricardo Gonçalves que é um dos embaixadores do Brasil Ride cá em Portugal. Surgiu o convite para saber se podíamos ir e se estaríamos interessados. O problema é que nestas coisas às vezes há os convites mas não há os patrocínios.... Como eu faço dupla com dois colegas - o Michel Machado e o Tiago Silva – este útimo acabou por me confessar que era uma das provas que ainda não tinha feito a nível mundial e que gostaria imenso de ir, desde que eu pudesse. Entretanto, o ultimato foi a autorização da minha “Maria” e a partir do momento em que ela disse que sim, que se eu não gastasse dinheiro da família que poderia ir. Tentei tudo por tudo para arranjar patrocínios e lá consegui ir.

Como é conciliar a preparação física com o trabalho?

É difícil, alguma coisa fica sempre para trás. A minha rotina, enquanto enfermeiro, é trabalhar por turnos e tenho um duplo que é num lar. Basicamente o meu dia a dia é sair de casa - às vezes tento levar os meninos à escola – e estar no lar das 9h00 até há 13h00. Depois saio às 13h00 e às 13h15 estou pronto para ir treinar até às 15h30 – às 16h00 vou fazer tarde e trabalho até às 00h00 no Hospital de Tondela, vou dormir e a rotina repete-se. Ao fim de semana treino cerca de três horas.

Para além da conquista no Brasil Ride, que memórias e que histórias é que ficam?

Só ficam histórias boas. Aquilo basicamente foi a corrida das nossas vidas. Nós já fizemos várias, mas quando estamos ao pé da elite mundial e conseguimos ir na roda deles são imagens que nos ficam para toda a vida. É o sonho de alguns meninos. Eu já não sou menino, já tenho 40 anos, mas é o sonhar no momento, o acreditar que é possível e um dia de cada vez. As coisas correram bem. Nem que viva outros 40 anos, nunca vou ter outra experiência como esta. Foi mesmo marcante em todos os aspetos, é praticamente indescritível.

Como foi a história da tenda e da chegada com a pedaleira solta que tanto se falou nas redes sociais? Quer contar?

Nós dormimos em tendas e começou a chover de noite. As condições são iguais para todos, mas só que os campeões têm condições um bocadinho melhores. Alguns até tinham tendas com refrigeração, enquanto que nós tínhamos tendas individuais. Então, o Tiago não dormiu nada de noite porque andou a tentar pôr o impermeável dele por cima da tenda para não se inundar. É que chovia lá dentro. Tudo isso são pormenores que influenciaram a prova no dia a seguir porque não houve tanto descanso e houve mais stress no arranque. Em relação aos problemas mecânicos que tivemos, são coisas que acontecem, só que durante a corrida quando nós vamos a disputar o primeiro lugar, aquilo mexe connosco. Quando cheguei ao fim e vi que tinha a pedaleira com folga, estava para aí a 10 ou 15 quilómetros de terminar, pensei que ou tinha de ir a correr ou o Tiago teria de me empurrar porque poderia deixar de conseguir pedalar. São questões que fazem subir o pulso, que temos de gerir durante a corrida. Houve outra que também me aconteceu que que foi saltarem-me os apertos das sapatilhas... Felizmente esses azares não ditaram o insucesso na nossa corrida.

 





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