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Com 48 anos, ainda é dono da defesa dentro das quatro linhas

Edição de 24 de maio de 2019
25-05-2019
 

Foi o irmão mais velho, Carlos Cartaxo, que na década de 80 jogava no Viseu e Benfica, que incentivou Fernando Cartaxo, conhecido apenas por Cartaxo, a jogar à bola, com a permissão dos pais. E foi nos iniciados do Viseu e Benfica que o defesa, natural de Viseu, começou a dar, a sério, os toques na bola, decorria a época 83/84. No Viseu e Benfica permaneceu até à temporada 88/89. Nessa altura deu o salto para o Académico de Viseu. O jogador contou ao Jornal do Centro que foi observado “por um diretor do Académico” que o convidou a ingressar no clube.

Segundo Cartaxo, “jogar no Académico dava mais prestígio porque estava no Campeonato Nacional”. Mas ainda antes de ingressar no clube academista teve oportunidade de integrar a mítica Seleção de Esperanças sub 20 que em 1989 venceu o campeonato do mundo de Riade, na Arábia Saudita. Uma breve participação que teve um sabor amargo devido a uma lesão (fratura da tíbia e do perónio) que o obrigou a ficar em Portugal. Cartaxo lembra que esteve um ano sem jogar e que viu passar “uma grande carreira”.

Mais tarde, uma zanga com o treinador do Académico de Viseu levou o jogador até Peniche, onde jogou até 1996. Na temporada seguinte o defesa regressou à região de Viseu para jogar no Grupo Desportivo de Mangualde, clube onde ainda joga há mais de 20 anos. Segundo Cartaxo, de 48 anos, não existe qualquer segredo para a união que o liga ao clube mangualdense. “As pessoas gostaram de mim, receberam-me bem e eu também gostei da cidade”, explica.

Fernando Cartaxo admite que a posição de defesa não dá muito espaço para brilhar e marcar golos mas garante que é um dos papéis mais importantes numa equipa.

Sente-se privilegiado no Desportivo de Mangualde

Os 48 anos de Cartaxo permitem-lhe um estatuto para treinar de forma menos intensa que os colegas. “Os misters deixam-me à vontade para eu fazer o que posso, ao meu ritmo”, conta. Com os diretores e treinadores que ao longo dos 20 anos têm passado pelo clube de Mangualde, o defesa realça o bom relacionamento que tem existido. Com os colegas de equipa, Cartaxo, que tem idade para ser pai de alguns, sente-se acarinhado e respeitado. “Tento ajudá-los naquilo que posso e sei porque também já passei pelo mesmo”, refere. A par do futebol divide o tempo com a profissão. É distribuidor de produtos alimentares numa empresa que tem sede em Mangualde.

Subida à Divisão de Honra

Na próxima época, o Desportivo de Mangualde vai jogar na Divisão de Honra da Associação de Futebol de Viseu. Uma subida merecida, na opinião de Cartaxo. “Foi muito bom, o clube estava a precisar de subir. Deve-se ao muito trabalho de toda a equipa”, diz acrescentando que o objetivo para a próxima temporada passa pela manutenção.

Se Fernando Cartaxo vai fazer parte da equipa ainda não é oficial. “Por mim continuo a jogar, estou disponível se os responsáveis entenderem que ainda posso ser útil. Mas se tiver que sair também estou preparado”, conta o jogador. Ainda assim, o defesa gostaria de continuar ligado ao clube de Mangualde porque, como diz, sente-se mais mangualdense que viseense.

"Cartaxo é jogador do Mangualde até quando ele se achar capaz"

Apesar das limitações da idade, o treinador do clube mangualdense realça o conhecimento e a experiência de Cartaxo como sendo mais valias para a equipa. Ricardo Duarte, conhecido no mundo futebolístico como Mangualde, disse ao Jornal do Centro, que o defesa “é uma referência no balneário para todos os colegas de trabalho e mesmo para os que sobem a sénior”.  O treinador, que na 1ª Divisão foi um dos técnicos mais novos, garante que o jogador de 48 anos ainda é útil ao clube “por tudo o que ele dá no treino e em campo”. Quanto à continuidade no plantel, Ricardo Duarte deixa essa responsabilidade para o próprio Cartaxo. “Enquanto ele quiser é jogador do Mangualde. É uma referência para o clube. Só ele pode decidir até quando se sente capaz para continuar a jogar”, conclui.





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