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Edição impressa: "Deus queira que o Académico chegue às meias-finais"

Edição de 10 de janeiro de 2020
10-01-2020
 

Estádio do Fontelo, 22 de abril de 1979. Na altura, como hoje, havia esperança em fazer história. O Académico recebia o Sporting de Braga e, sob as ordens do treinador Orivaldo, fez alinhar de início Vaz, Vinagre, Chico Santos, Teixeirinha, Pedro Paulo, Rachão, Penteado, Alberto, Orivaldo e... Basto.

João Manuel Basto Cardoso, o jogador que ainda hoje é o mais utilizado na história do Académico. História que começou a ser escrita numa derrota no campo do Salgueiros e foi preenchida com 96 golos. Detalhe curioso: é ainda hoje o jogador do Académico com mais golos na Taça.

Hoje, 41 anos depois, Basto sente que tudo é possível. “Deus queira que passem às meias finais. Estou confiante que sim, o Académico tem valor para isso”, diz. Do jogo de 1979 frente ao Braga restam poucas memórias, mas ficaram algumas.“Tínhamos uma grande equipa. Julgo que foi a que subiu à Primeira Divisão. Mas o Braga já na altura era um clube importante, tirando os três grandes era a equipa principal. Perder com o Braga não foi um problema, era a lógica”, recorda.

Do plantel bracarense destacava-se um nome: Quinito. Curiosamente, não marcou nenhum dos dois golos com que o Braga eliminou o Académico da prova rainha. “Era um jogador muito simples, ao contrário, por exemplo do Vítor Batista que jogava na mesma altura no Vitória de Setúbal. O Quinito era muito humilde, o Vítor era mais reguila”, descreve. De Quinito, para além dos golos que alguns adeptos recordam, ficou a expressão: pôr a carne toda no assador. Na prática, a frase que de vez em quando se ouve no futebol, significa arriscar tudo, pôr os melhores jogadores em campo.

Do antigamente para os dias de hoje

Tal como em 1979, o jogo dos quartos de final acontece no Estádio do Fontelo. “O Académico nessa altura tinha apoio tanto fora como em casa. Era uma equipa que tinha uma massa associativa muito vibrante. As pessoas esperavam a semana toda pelo domingo para ver o futebol, andavam ansiosas por ver o Académico jogar. Era uma massa associativa impecável”, lembra Basto. Aliás, na altura, os jornais destacavam exatamente o apoio dos adeptos: depois dos três “grandes”, era em Viseu onde mais gente via futebol.

O atleta que fez 353 jogos com o símbolo do Académico diz ter saudades desses adeptos. “Hoje não há comparação nenhuma”, reforça. Alguns dos jogadores que alinharam nesse jogo já faleceram, mas Basto garante que, quando se encontram, lembram esses tempos. “Hoje toda a equipa ataca e defende. Naquela altura um defesa central nunca subia à área, nem um ponta de lança vinha defender. Era raro o lateral que passava o meio campo para cruzar a bola para a área. Eram jogos diferentes”, assegura.

O VAR é também histórico

Este jogo vai ter vídeo-árbitro (VAR). A Federação Portuguesa de Futebol decidiu que os árbitros de todos os jogos dos quartos de final vão ter o auxílio da tecnologia. Daí que, nos últimos dias, tenha sido discutido o local do jogo. O jornal do Centro sabe que é efetivamente no Estádio do Fontelo que o encontro se vai realizar. Académico e município de Viseu reuniram no sentido de ser colocada uma estrutura de iluminação que, posteriormente, poderá ser removida. Por um lado é assegurada uma melhor transmissão televisiva e, por outro, é fundamental para a tecnologia do VAR funcionar.

O Canelas até chegar a esta fase viveu um momento peculiar: defrontou duas vezes o mesmo adversário. Na primeira eliminatória venceu o Valadares Gaia que, depois, foi repescado. Tornou a encontrar o clube nortenho na terceira eliminatória, tendo, de novo, vencido. Além do Valadares Gaia, caíram aos pés do Canelas, o Ançã, o Pedras Salgadas e Sertanense. O Académico tenta fazer história chegando às meias finais, onde nunca esteve. Para chegar esta fase deixou pelo caminho o Rabo de Peixe, o Real de Massamá, o Feirense e o Desportivo de Chaves. O Jamor está ali tão perto e a história do Académico pode viver novo momento alto.





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