A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

Edição impressa: "É difícil ter sucesso no Sátão"

Edição de 10 de janeiro de 2020
10-01-2020
 

Depois de sair do Sátão, Fernando Pinto deixa críticas à falta de estrutura do clube. O antigo treinador diz que há pressões para que certos jogadores joguem, pede que seja dada estabilidade ao novo treinador e chega a contar que tinha muitas vezes de ter de sair do estádio e ir, ele mesmo, apanhar as bolas que saíam do recinto para que os treinos não fosse interrompidos.

Porque saiu do Sátão?

Acima de tudo porque estou no desporto, como estou na vida. Enquanto me sentir feliz e com condições de desempenhar bem o meu trabalho fico. A partir do momento em que não estou feliz, prefiro sair e dar lugar a outro.

Porque é que deixou de estar feliz?

A Desportiva de Sátão é uma equipa especial. Nós (equipa técnica) quando chegámos o ano passado ao clube encontrámos um balneário amorfo porque os resultados não estavam a aparecer. Percebemos que era preciso o clube estruturar-se para que no futuro pudesse ser mais forte. No fim da época, quando o presidente nos propôs a renovação, dissemos-lhe que o nosso projeto seria a aposta na formação.

Ficou um ano no Sátão. O que falhou?

Está a haver um desvio naquilo que estava traçado e isso não vai trazer sucesso ao Sátão. Iniciámos o campeonato só com vitórias. Já nessa fase fomos encontrando situações de jogadores descontentes porque não jogam e de adeptos que, mesmo ganhando, nunca estão satisfeitos.

Daí ter dito que o Sátão é um clube especial?

Exatamente. O presidente do Sátão dá tudo pelo Sátão, passa dia e noite no clube, mas precisa de se rodear de pessoas que o possam ajudar.

Lidera muito sozinho?

Exatamente. O futebol é muito complexo. As pessoas não podem só querer contratar meia de dúzia de jogadores bons e querer subir de divisão. Temos de ter uma estrutura que suporte tudo. Veja a quantidade de treinadores que passaram no Sátão e não conseguem ter sucesso. Estão lá um ano e depois vão embora e chegam a outro clube apanham estruturas fortes e têm sucesso. No Sátão tens de ganhar logo e sempre e não se consegue perceber que há outros clubes, com estruturas mais fortes, que envolvem mais gente e estão mais preparados do que o Sátão. Repare no que aconteceu ao Mortágua: esteve no Campeonato de Portugal, desceu para a Divisão de Honra e, nesta altura, no ano passado, estava a meio da tabela. O que fez a direção do Mortágua? Manteve a equipa técnica, a maior parte dos jogadores e está a ter sucesso.

Tomou a decisão de sair há muito tempo?

Ando há um mês a pensar nisto. Mesmo a ganhar jogos havia descontentamento. No Sátão um treinador parece que tem de pôr um jogador a jogar só porque tem muitas pessoas na bancada a apoiá-lo. Como o presidente está próximo dos adeptos, é muito fácil ir fazer-lhe queixas. Há muita pressão externa no Sátão.

De todos os clubes por onde passou foi o mais difícil de ganhar?

Não direi isso. Talvez seja o clube onde é mais difícil criar um rumo para o sucesso. Mesmo ganhando, é-se criticado.

Jogou contra Cinfães e Mortágua. Quem lhe criou mais dificuldades?

Perdemos ambos os jogos, mas sentimos que tínhamos equipa para ganhar. No jogo do Mortágua aconteceu uma situação que não é normal: o guarda-redes que ia jogar teve uma indisposição e não pôde jogar e o outro, que normalmente tem ficado no banco desde o início do ano, tem tido algumas dificuldades em jogar. Desde a pré-época que não tenho os guarda-redes a treinar. Ambos, por infelicidade, apresentaram-se lesionados. Como é que uma equipa treina três vezes por semana sem guarda redes e quer subir de divisão? Impossível. Nós estamos a treinar os jogadores e, quando as bolas saem do estádio, temos de ir buscá-las para o treino não parar. É assim que os adeptos pensam que o Sátão vai subir? É impossível.

Já é conhecido o próximo treinador. Que conselhos deixa a João Lage?

É um treinador competente, desejo as maiores felicidades do mundo. O João tem duas opções: ou só olha para a vertente desportiva, querendo ganhar ao domingo, ou organizando o clube, de forma a que dentro de dois ou três anos possa subir de divisão. É uma opção dele. Na minha opinião o caminho é dar estabilidade ao clube.

Sai do Sátão de consciência tranquila?

Sim, com uma palavra de gratidão a todas as pessoas que me ajudaram: o presidente, os capitães de equipa, alguns jogadores mais velhos que sei que sentem as coisas e ficam descontentes quando vêem o treinador ir embora. Mas há jogadores mais jovens que lhes é indiferente o treinador entrar ou sair, querem é jogar. Sei que fizemos um grande trabalho.





  • 2002 - 2020 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT