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Edição impressa: "Merecemos estar em primeiro lugar"

Edição de 8 de novembro de 2019
09-11-2019
 

Fernando Pinto treina o Sátão, equipa que vai em primeiro lugar na Divisão de Honra da Associação de Futebol de Viseu. Nesta entrevista, explica o sucesso atual do clube, projeta o futuro e confessa a admiração por Mourinho e por Maradona.

Um campeonato também se faz de comparações. No ano passado, por esta altura, com sete jogos feitos, o Castro Daire que acabou campeão, tinha cinco vitórias e dois empates. Como é que se explica este início de campeonato do Sátão com sete vitórias em sete jogos?

É um início fantástico, sim, mas isto foi projetado já na época passada. Numa breve conversa com o presidente explicámos que, para termos sucesso no futuro, teríamos de fazer uma planificação. Felizmente que ele se mostrou recetivo a ouvir as nossas ideias. Verificámos o que o plantel tinha de bom e aquilo que podíamos trabalhar para que pudéssemos atingir o que estamos a viver agora.

O Sátão no ano passado tinha 12 pontos, hoje tem 21. Ficou a 25 pontos do líder, no final do campeonato. Acha que o percurso do clube está a surpreender os amantes do futebol distrital?

Sim, acredito que possa estar a surpreender muita gente. Para nós, equipa técnica, não porque sabemos o que temos dentro de portas. Se me perguntarem se contava ganhar todos os jogos que disputámos, sei que é extremamente difícil... Construímos um plantel que tem condições para ganhar todos os jogos que disputar. E era isso que não havia quando chegámos ao Sátão.

Para já vivem um sucesso desportivo, mas o campeonato é longo. Tem passado também essa mensagem aos jogadores?

É importante eles saberem que a prova é difícil e que, apesar de estarmos a viver uma boa fase, no futebol tudo muda de um momento para o outro, basta um ou dois resultados menos bons. Para nos mantermos assim, teremos de continuar a ser rigorosos no trabalho e na ambição. Os jogadores têm-se sacrificado: a maior parte trabalha durante o dia e mostra ter o espírito de, ao fim do dia, estar com paciência para aturar a equipa técnica, treinar à chuva e ao frio...

Havia algum objetivo desportivo específico a atingir, definido no início da época?

Vou confessar que criei vários. Começámos por querer não perder nenhum jogo na pré-temporada, ter logo ali uma mente vencedora. E depois nas cinco primeiras jornadas disse aos jogadores que tínhamos de estar em primeiro lugar com, no mínimo, onze pontos, os mesmos que o Castro Daire tinha feito no ano passado, quando foi campeão. Na altura houve jogadores que quiseram mais e disseram que iam ganhar os cinco jogos. Isso revela a ambição deles.

Está focado em ficar nos primeiros três lugares?

O que planificámos foi com essa vontade. Obviamente, que queremos ganhar os jogos todos, embora sabendo que não é possível. Agora tomámos o gosto ao primeiro lugar e queremos lá ficar e acho que é merecido até este momento.

Em que é que o futebol distrital se distingue dos campeonatos profissionais e nacionais?

Nesta altura a Divisão de Honra está a aproximar-se do que era, antigamente, a 3ª Divisão. Está muito mais competitiva, com mais qualidade e com jogadores que desceram dos nacionais para o campeonato distrital. Os clubes estão mais organizados e com mais condições para receber os atletas. Neste momento temos nesta divisão, o Cinfães, o Mortágua, o Ferreira de Aves, que já andaram nos nacionais.

Então não falta talento no distrito...

Sim, há jogadores com muita qualidade que poderiam jogar nos nacionais. O que temos de tentar perceber é porque é que não chegam lá. Não basta jogarem bem, é preciso a vertente psicológica. Hoje em dia os jogadores têm de entender que não há titulares, sem rigor no treino. Temos de treinar como equipa e isso é a base para o sucesso.

O futebol dos meios mais pequenos vive muito do apoio do público. Onde é que é mais difícil de jogar?

Estive numa casa onde vivi isso: em Lamelas é muito difícil ganhar. Felizmente fomos vencer lá no sintético. Em tom de brincadeira, fui o último a ganhar no pelado e o primeiro a ganhar no sintético novo. Os adeptos puxam mesmo a equipa do primeiro ao último minuto. Há também o Nespereira onde famílias inteiras vão ver o jogo e gosto particularmente de lá ir ver a claque fantástica que têm.

Tem algum treinador de referência?

Tenho dois a nível distrital: o João Bento e o Rui Cordeiro, trabalhei com ambos e têm muita qualidade. Depois há o mestre de todos, o José Mourinho.

Qual é ou foi o melhor jogador que viu jogar?

De todos os que vi, o melhor, para mim, chama-se Diego Maradona.





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