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Edição impressa: "Os pais têm de dar o exemplo aos filhos quando vêem os jogos de futebol"

Edição de 3 de janeiro de 2020
04-01-2020
 

2020 vai ser de festa para o Dínamo Clube Estação. A associação desportiva vai brindar aos 50 anos de atividade. Paulo Rogério, coordenador geral do clube, em entrevista ao Jornal do Centro, explica o segredo para um clube que está ainda de pé a formar mais de 200 jovens por ano. Um deles foi João Félix...

O Dínamo Clube Estação nasce em 1970. Porquê este nome?

Por causa do local onde surgiu, junto à então estação de comboios de Viseu. Começou com um grupo de amigos que tinha um gosto em comum: o basquetebol. Foram-se juntando e, a partir daí, foi-se criando a história do clube, até à data de hoje.

Qual o segredo para estarem no ativo há quase meio século?

É o associativismo. O valor família Dínamo está muito presente e torna-se mais fácil quando este valor é assumido pelo coração. É mais fácil mantermos ano após ano o gosto pelo bem que fazemos aos meninos que estão connosco.

Para o Dínamo é mais importante ter o nome do clube inscrito nas fichas de formação dos jogadores do que criar um escalão sénior?

Sim, é sempre bom para nós termos atletas que conseguiram atingir o topo. No entanto, não podemos esquecer todos os outros que estão connosco e que, acima de tudo, se tornam homens responsáveis. A formação é isto. Não olharmos para uma criança apenas como um jogador de futebol, mas sim como ser humano que é singular. Temos de tentar, de criança para criança, trabalhar a singularidade para potenciarmos o coletivo.

Esse é um dos detalhes de quem forma jogadores? Não ligar só ao talento?

Sim e isso já não é só de hoje. O Dínamo sempre teve esse valor presente. Primeiro está a criança, tudo o que fizermos pelos meninos será sempre pouco. O nosso presidente pede-nos sempre isso e passa-nos essa informação. Há que ver a criança como um todo, no desenvolvimento bio, psico e socialmente e tentarmos potenciar estas dimensões para que, se conseguir chegar a um jogador de topo, ter essas aptidões. Acima de tudo, pensar que um ser humano vai muito para além da prática de uma modalidade.

É difícil para os formadores apelarem à calma dos atletas que querem logo ser jogadores de topo?

Em termos de estrutura interna percebemos isso mesmo. Infelizmente, a sociedade atual é ansiosa. Os próprios pais têm essa ansiedade... O meio do desporto é muito mediático, principalmente o futebol. Tudo o que aparece na televisão relativamente ao futebol é uma minoria e é isso que temos de passar para as nossas crianças. Dizer-lhes que a principal atividade deles, neste momento, é a escola e a atividade complementar... é o futebol, ou o judo, ou o ténis de mesa. Para além de formarmos as crianças, temos de formar igualmente os pais que, por desconhecimento, envolvem-se neste meio e são arrastados.

Essa formação dos pais também deveria focar-se na forma como vêem jogos de futebol dos filhos?

Sim, muitas vezes é feio de se ver. Estão crianças dentro de campo que olham para nós como adultos e como exemplos. Se não formos nós a darmos esse exemplo na bancada... Nós conversamos com os pais para que saibam estar nos momentos competitivos. Transmitimos-lhes, sobretudo, calma para que deixem as crianças serem crianças.

Os árbitros também podem ter um papel pedagógico relativamente aos mais novos?

Todos os agentes envolvidos têm o dever de participar na formação das crianças. Os árbitros também estão a crescer e a aprender. E nós, que estamos no futebol, temos de perceber isso e ajudá-los a crescer no meio desportivo.

Um dos jogadores mais mediáticos que passou pelo no Dínamo foi o João Félix...

Sim, passou por cá nos sub-5, era muito novo. Nesse escalão o grande objetivo é desenvolver a parte motora das crianças. Também passou cá o Leal (Sporting e seleção nacional), por exemplo. Orgulha-nos ver estes miúdos a ficar com a ficha do Dínamo no currículo.

Que valores o João Félix pode passar aos mais novos?

Espírito de sacrifício e muita humildade e um caminho longo. As pessoas por vezes esquecem isso e colocam num patamar demasiado elevado crianças com dez ou doze anos. Em termos emocionais é um processo que tem de ser bem trabalhado.

Quanto ao futuro, que projetos estão já pensados?

Temos um protocolo com os Leões da Beira que tem o objetivo de termos o nosso espaço, um campo sintético. Pode parecer incrível, mas são 49 anos de mochila às costas, sem espaço próprio. Para além de todo o sacrifício, ainda temos esta barreira que fomos ultrapassando ano após ano. Isto vai valorizar muito mais o trabalho que temos feito até agora.





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