08 Ago
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Edição impressa: plantar em janeiro para colher em maio

por Redação

10 de Janeiro de 2020, 18:25

Foto Arquivo Jornal do Centro

Tondela e Académico de Viseu têm menos de um mês para retocar plantéis

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“Muito mais é o que nos une, que aquilo que nos separa”. A música é antiga, mas encaixa perfeitamente na realidade atual vivida por Tondela e Académico de Viseu. Separados por uma divisão, há algo que os liga: a necessidade de mudar algumas peças nos plantéis para ser possível alcançar os objetivos possíveis nesta época. Detalhe curioso: os dois emblemas do distrito acabaram 2019 em nono lugar no respetivo escalão.

O Académico de Viseu joga ainda em duas competições e pode mesmo fazer história neste mês de janeiro ao atingir, pela primeira vez, as meias finais da Taça de Portugal. Por outro lado, o Tondela já só está focado na Primeira Liga e Natxo González, técnico espanhol do clube beirão, até já admitiu sonhar com o apuramento para a Liga Europa.

Este é o cenário de ambos os clubes e, na opinião de Rui Cordeiro, treinador e comentador do Jornal do Centro, Tondela e Académico de Viseu, para já, têm somado resultados já esperados. “No caso do Tondela é o melhor arranque da equipa na Primeira Liga. Tem encontrado dificuldades, mas comparando com as últimas épocas onde só conseguiu a manutenção nas últimas jornadas, agora está a meio caminho de alcançar a manutenção. Já o Académico, ter chegado aos quartos de final da Taça é um feito incrível e, no caso do campeonato, tem tido algumas oscilações, mas tem feito resultados dentro do orçamento do clube. Tem falhado nos resultados em casa”, refere Rui Cordeiro.

Quem pode acrescentar

Concluída a análise do trajeto até esta altura, é hora de focar atenções no mercado de janeiro. João Bento, comentador do Jornal do Centro, diz que falta ao Tondela um médio que construa jogo. “Era necessário um jogador que fosse diferente de Pepelu, de João Pedro ou de Djakité. Falta um médio de ligação”, nota o comentador.

Já Rui Cordeiro diz que no clube treinado por Natxo González sente-se, sobretudo, a falta de um avançado fixo. “Faz falta um jogador tipo Tomané que faça a ligação com os avançados mais móveis que estão já no plantel. Também poderá ser preciso um outro extremo com velocidade e capacidade técnica e um defesa direito que consiga ajudar no ataque”, assinala o antigo treinador do Lusitano de Vildemoinhos.

No caso do Académico de Viseu, João Bento diz que o clube deve atacar o mercado consoante o que quiser atingir. “Estão 11 pontos acima da linha de água e a 12 pontos dos lugares de subida. Se pretender ir mais além da posição onde está deve reforçar a defesa. Parece-me que é aí que tem havido maior rotatividade, ao contrário do que acontece do meio campo para a frente, onde jogam quase sempre os mesmos e esses devem oferecer mais garantias ao treinador”, observa.

Há ainda os jogadores essenciais à equipa

Se para ambos os comentadores os plantéis de Tondela e Académico podem e devem ser melhorados, há jogadores que, na opinião de João Bento e de Rui Cordeiro, é obrigatório manter. “Quando se fala em intocáveis no Tondela, referimo-nos sempre a Cláudio Ramos. É um totalista da equipa e seria uma perda significativa se acabasse por sair”, refere, de imediato, João Bento. Rui Cordeiro concorda e acrescenta mais dois nomes. “Não abdicaria de Xavier, um jogador que, para mim, faz a diferença porque tem uma qualidade imensa e Pepelu, uma surpresa muito positiva neste campeonato”.

No que toca ao Académico de Viseu, há também jogadores que não devem sair do Fontelo. “Fernando Ferreira, pela liderança, e Latyr Fall, por ser um jogador fundamental”, argumenta Rui Cordeiro. João Bento concorda e acrescenta que seria “um crime” dispensar qualquer um dos jogadores que têm jogado “quase sempre” como médios e avançados. “Tanto Tondela como Académico têm jogadores na formação que podiam ser rentabilizados e procurar outros clubes onde pudessem evoluir na carreira”, refere João Bento.

O Jornal do Centro apurou que Rubilio Castillo, João Vigário, Rúben Fonseca e Jota podem sair do Tondela neste mercado de Inverno. Natxo González, o técnico do Tondela, diz que não é fácil contratar agora alguém que solucione os problemas e, por outro lado, está satisfeito com os jogadores. “Já jogámos melhor, já jogámos pior, mas estou satisfeito e sabemos qual é o objetivo da nossa equipa", salientou.

Rui Borges, treinador do Académico de Viseu, pede que as pessoas olhem à realidade do clube. “Temos de estar cientes das dificuldades e do poder do Académico. Estou feliz com o plantel que tenho, nunca me ouviram queixar. Só peço é que ninguém se lesione, com estes faremos um campeonato bom”, referiu. O mercado só fecha a 31 deste mês. Há, portanto, alguns dias para analisar potenciais vindas e vendas rumo aos objetivos a atingir em maio.

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