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Elas pedalam... e bem!

Edição de 14 de junho de 2019
16-06-2019
 

Na região de Viseu o ciclismo é uma modalidade que concentra um grande número de praticantes, na sua maioria homens, mas elas também pedalam, ainda que em menor número. Exemplo disso são Ana Tomás, atleta do BTT Seia, e Flávia Lopes, atleta do Vasconha BTT Vouzela. São duas ciclistas da região de Viseu que competem a nível nacional e internacional e que contam com inúmeras conquistas no seu currículo.

Tudo começou com voltas domingueiras aos 12 anos de idade. Ana Tomás ia com o pai e um grupo de amigos, Flávia acompanhada pelo seu tio. O gosto foi aumentando e aos 14 anos já entravam em algumas competições.

Com o passar do tempo, a prática da modalidade tornou-se cada vez mais constante e a competição passou a ser uma rotina. Ana Tomás destaca “os cinco títulos de campeã nacional no XCO”, mas não esquece “as vitórias em campeonatos nacionais, provas no estrangeiro e Taças de Portugal”. Por outro lado, Flávia Lopes afirma que “qualquer vitória é importante”. No entanto, destaca o título de “Campeã Nacional de Meia Maratona em 2013”.

Quando questionadas sobre como olham para a representação das mulheres no ciclismo nacional, a opinião é unânime e ambas as ciclistas afirmam que “o ciclismo feminino teve um grande crescimento”. Mas, Flávia Lopes assegura que “ainda não é fácil uma mulher conseguir viver do ciclismo aqui em Portugal”.

Sendo esta uma modalidade em que o número de homens praticantes é bastante superior ao de mulheres, a ciclista do BTT Seia afirma que “essa distinção cada vez se observa menos” e acrescenta: “é bom que assim seja, cada vez mais as mulheres demonstram que têm tanto valor quanto os homens e que conseguem igualmente grandes feitos e conquistas”. A atleta do Vasconha BTT Vouzela concorda com a colega e assegura que “não existe grande distinção na modalidade que pratico, que é o XCM (Maratonas BTT)”.

Numa perspetiva do ciclismo na região de Viseu, as duas ciclistas partilham da mesma opinião e falam num decréscimo dos praticantes desta modalidade, não só na região, mas também a nível nacional. Flávia Lopes afirma que “no que respeita a mulheres ciclistas em Viseu, ainda há muito poucas” mas “hoje em dia já se nota que há mais”, assegura.

Os treinos

Como a preparação para uma época repleta de provas é fundamental, as duas atletas desvendam como é a sua rotina de treinos, que começa no inverno, antes da época ter o seu início oficial.

“A minha preparação para a competição baseia-se em treinos com e sem bicicleta. Antes de se iniciar a época, faço sempre uma pré-época, com treinos de bicicleta, corridas, caminhadas e também de ginásio. Durante a época os treinos são praticamente todos de bicicleta. Para além do treino é também importante ter uma boa alimentação e, claro, o descanso é fundamental”, conta Ana Tomás.

“No Inverno treino sempre mais horas, entre 14 a 22 horas por semana, uma vez que não costumo ter muitas provas. Nesta altura também faço ginásio e corrida e os treinos de bicicleta tanto podem ser em estrada ou BTT. No resto do ano os treinos variam mais entre as 12 horas e 20 horas por semana. Durante a semana treino no máximo 2 horas, ou seja, normalmente no máximo 50 quilómetros. Uma vez que trabalho, acordo pelas 6 da manhã e faço o treino antes de ir trabalhar, e ao fim de semana compenso e faço entre três a seis horas de treino”, afirma Flávia Lopes.

Quanto à alimentação, as ciclistas dizem que “durante a época é bom ter uma alimentação mais controlada e saudável” onde devem “evitar doces e carnes gordas”.

Como a vida para as duas atlelas não é apenas em torno do ciclismo, têm que conciliar a prática da modalidade com o trabalho.

Ana Tomás afirma que “desde miúda que sempre fui bastante organizada e consegui arranjar tempo para tudo. Agora com o trabalho tem sido igual. Quando há vontade e se gosta daquilo que se faz, consegue-se conciliar tudo”.

“Há 5 anos quando comecei a trabalhar custou-me um pouco, pois acordo todos os dias por volta das 6 da manhã e vou treinar antes do trabalho. Hoje em dia já não me custa acordar cedo, às vezes já nem de despertador preciso”, diz Flávia Lopes.

Para tudo existe uma motivação e para Ana Tomás o seu ídolo é o seu tio, Tiago Ferreira, que já foi Campeão Mundial e Europeu de XCM, e que conta com bastantes vitórias nos campeonatos nacionais também. “É sem dúvida um ídolo e alguém que admiro muito”, afirma a ciclista.

Já Flávia Lopes diz que quem a inspirou para começar a prática do ciclismo foi o tio, que “também pratica, mas em modo de passeio”. “Hoje em dia quem me inspira mais é o meu namorado (Michel Machado – campeão nacional de ciclocrosse), também ele pratica o mesmo que eu, no entanto só treinamos juntos ao fim de semana quando temos treinos compatíveis. Os meus pais são também fundamentais, eles sempre que podem acompanham-me nas provas, e lá dão uma força extra, sempre me apoiaram imenso”, realça.

Num olhar para o futuro, as ciclistas foram questionadas sobre quais são os seus objetivos. Para Ana Tomás passa por “conseguir continuar a conciliar o trabalho com o ciclismo e, o mais importante, continuar a divertir-me e a ser feliz em cima da bicicleta, como tenho sido até hoje”.

Já Flávia Lopes é mais concreta e afirma que os seus objetivos vão continuar a ser sobretudo a Taça de Portugal de XCM, e o Campeonato Nacional de XCM. “Vou querer continuar a fazer também os Grandes Fundos em estrada e a fazer provas por etapas, provas que duram entre dois a seis dias seguidos”, conclui. 





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