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Floris Schaap: "Antes do último jogo já sabia que ia ser despedido"

Edição de 8 de fevereiro de 2019
08-02-2019
 

Floris Schaap chegou ao Académico de Viseu há um ano como adjunto de Manuel Cajuda. Em janeiro deste ano assumiu a liderança da equipa a convite da administração da SAD. Nos últimos quatro jogos só conseguiu um ponto. Admite culpas e erros, mas lamenta ser dispensado na semana em que chegam os reforços que sempre pediu. Antes da última partida em Arouca já sabia que ía ser dispensado. Elogia António Albino que diz ser “enorme, mas sozinho não consegue”.

Esta dispensa foi uma surpresa ou nem por isso?

Não é surpresa. Já tínhamos falado do convite do Académico ao novo treinador, a 2 de fevereiro (sábado), um dia antes do jogo em Arouca. Eu recebi, no dia 31 de janeiro (quinta-feira), mensagens a darem conta que o Académico já tinha contratado um novo treinador e que iria ser anunciado na segunda-feira (4 fevereiro), como veio acontecer. Portanto, eu e os jogadores já sabíamos que qualquer que fosse o resultado em Arouca eu seria dispensado. Era um treinador a prazo.

Foi mais fragilizado para o jogo de Arouca?

Claro que sim. Os jogadores estavam comigo e essas notícias não ajudam a fortalecer o grupo de trabalho.

O que faltou ao Académico para fazer uma época mais tranquila e lutar pela subida de divisão como se falava no início da temporada?

O principal é a organização, que já não era boa e piorou do ano passado para este. Eram precisos reforços que não vieram. A situação financeira do clube, com pagamento de salários nem sempre em dia, mas que agora está regularizada, criou sempre uma grande instabilidade. É certo que o presidente do clube fez um grande esforço, contratou alguns reforços, mas só agora no final do chamado mercado de inverno, nos últimos dias do mês de janeiro. O presidente do Académico tenta resolver os problemas, dá tudo para o clube, mas sozinho é muito difícil.

Como se motiva uma equipa que, com regularidade, não recebia os salários a tempo e horas?

Não é fácil. E é bom saber que a grande maioria dos jogadores não tem grande salários e precisa desse dinheiro para viver. Mas até nisso temos de dar os parabéns ao presidente que, nesta altura, tem os salários em dia. Durante toda a época nunca estivemos tão bem como agora.

Custa mais ser dispensado nesta altura quando chegam reforços? Deviam-lhe ter dado mais uma oportunidade?

Estou de consciência tranquila. Dei tudo o que tinha. Não foi o suficiente. Tenho a minha parte de culpas. Era preciso ganhar mais jogos e fazer mais pontos. Os problemas financeiros e de reforços e que agora se resolveram já veio tarde. Isso é que eu tenho pena. Depois houve alterações ao calendário, aprovadas não sei por quem, e tivemos, no mês de janeiro, quatro partidas em 12 dias e muitas lesões. Não são desculpas, mas torna-se mais difícil. Houve jogos em que não tinha um ponta de lança ou um avançado disponível. O N´sor, o nosso melhor marcador, está lesionado há quatro jogos. Não interessa encontrar culpados agora é seguir em frente. 

O Académico precisa de investidores?

O presidente é enorme, tenta resolver tudo sozinho só que não consegue. As infraestruturas não são as melhores do mundo, mas há dois campos relvados. Era preciso mais organização, um ginásio, melhores balneários. Era fácil. A cidade merece um clube na Primeira Liga, mas a maioria dos adeptos não conhece a realidade. Ter um clube na Segunda Liga custa muito dinheiro.

Como é que se prepara fisicamente uma equipa profissional de futebol sem um ginásio?

Tem que ser nos treinos de campo. Com exercícios de força, barreiras, saltos…

Mas era melhor que fosse num ginásio?

Há treinadores que nunca vão ao ginásio, depende do preparador físico. Mas, pelo menos uma vez por semana, seria bom.

Como é que se construiu a ideia, no início da época, que era para subir?

Não sei como surgiu isso…

Foi um erro assumir-se esse objetivo?

Provavelmente sim.

Mas o grupo não foi formado pela equipa técnica liderada por Manuel Cajuda onde o Floris era adjunto?

Mas se calhar não se contratou os jogadores que se queriam porque não havia disponibilidade financeira. Depois pediram-se reforços para a segunda parte da temporada e demoraram a chegar.

Nesta altura a equipa do Académico tem potencialidades para fugir aos lugares de descida onde se encontra nesta altura?

Tenho essa certeza. O grupo é fantástico e trabalha muito. Com os reforços, que têm qualidade, e com a recuperação dos que estão lesionados, vão de certeza conseguir. O grupo é unido e coeso, são amigos uns dos outros, o que é muito importante. Quando se está no fundo da tabela também é preciso um bocadinho de sorte. Sorte nas lesões, sorte no jogo.

A luta pela permanência vai ser até à última jornada?

O campeonato da Segunda Liga é muito competitivo. Na classificação, as equipas estão muito próximas umas das outras. Quando se tem duas vitórias seguidas pode dar-se um salto e ir para o meio da tabela. O Académico tem é de ganhar pontos. Os outros também vão pontuar. Vai ser difícil mas penso que vai ser possível. Com o novo treinador pode também haver um outro espírito que pode ajudar. Espero que saiam rapidamente das posições de descida. Os jogadores merecem, o presidente merece e a cidade merece.

O Académico tem estrutura para a Primeira Liga?

Tem de haver mais organização e mais profissionalismo.

Porque é que um jogador lesionado do Académico demora sempre muito tempo a recuperar?

O clube tem excelentes profissionais no departamento médico, mas faltam instalações e equipamento para trabalhar. Quem quer ir para a Primeira Liga tem de ter isto bem organizado. Mesmo para a Segunda Liga isto não serve, é o mínimo dos mínimos. Dizem-me que há clubes piores. Mas o que é que nós temos a ver com isso? Temos é que olhar para nós.

Qual é o futuro do treinador Floris Schaap?

Vou ficar por Viseu, mais uns dias, depois regresso ao Algarve, onde tenho a minha residência, para descansar um pouco, porque estas últimas semanas não foram fáceis. E depois logo se vê. Estou disponível para outros projetos e desafios. Já trabalhei no estrangeiro, pode ser uma possibilidade.





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