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Há Assembleia Geral do Académico de Viseu este sábado

Edição de 8 de março de 2019
09-03-2019
 

Ainda há muito para discutir no Académico de Viseu. Os sócios do clube ainda não viram respondidas todas as questões e querem, este fim de semana, que sejam esclarecidas as dúvidas na assembleia geral que era para ter acontecido há cerca de duas semanas. Mas, afinal, o que querem saber os sócios?

Segundo Cristóvão Francisco, porta-voz do movimento “Juntos pelo Académico”, grupo composto por sócios academistas, o tema principal a ser discutido será “a relação entre a SAD e o clube, algo que ainda não percebemos”. “É vital que seja explicado aos sócios de que forma é que isto está a ser gerido e nós vamos lá para isso”, refere Cristóvão Francisco que explicou ao Jornal do Centro que “ ainda não há protocolo entre o clube a SAD”.

Neste momento, o Académico de Viseu tem sido alvo de várias críticas e descontentamento por parte dos sócios e adeptos que já viram dois treinadores a abandonarem o clube que se encontra nos lugares do fundo da tabela.

SAD e Clube. Afinal, de quem é o quê?

Criada em 2015, a SAD do Académico de Viseu foi uma das exigências de António Albino para se recandidatar à presidência do clube. Depois de muita especulação sobre quem ficaria com a SAD do Académico (falou-se em investidores brasileiros e também portugueses), ficou acordado que 49 por cento do capital social pertenceria ao clube, sendo os restantes 51 por cento entregues a António Albino em troca dos empréstimos que fez ao Académico. Esses 51% ficaram a pertencer à empresa SportVision, também liderada por António Albino, e que tem como acionista a esposa do, na altura, diretor desportivo André Castro. O ex-diretor acabou por sair do Académico de Viseu depois de divergências com o presidente do clube academista, numa altura em que o agente de futebol Jorge Mendes era equacionado para a compra da SAD a António Albino, algo que André Castro confirmou ao Jornal do Centro na altura da saída.

Agora em tribunal corre um processo entre António Albino e André Castro. “Está lá muito dinheiro meu no Académico de Viseu. Tenho dinheiro na SAD e no clube”, começa por dizer o ex-diretor desportivo. “O senhor Albino quer que eu receba apenas o que eu investi. Isso é tudo muito bonito mas os três anos que andei a trabalhar num projeto inovador e que funcionava, para ele não conta para nada. Eu invisto num clube e só recebo o que meti. Ele (António Albino) transformou tudo o que investiu em ações. Não me parece justo”, justifica André Castro. O ex-diretor desportivo da equipa academista deixou também uma sugestão para resolver o diferendo. “Se ele deixar para os sócios a maioria do capital e os sócios, neste caso, o clube, pagar o que ele investiu, eu também aceito o mesmo para mim. É que isto foi lucro para o senhor Albino e empréstimo para mim”, refere ainda.

Sobre o caso Jorge Mendes, André Castro recorda que foi nessa altura que o presidente do clube decidiu não avançar com “um compromisso certo”. “Andei três anos a meter dinheiro e a perder o meu tempo para nada. A única coisa que ganhei foi um amor pelo clube que ainda tenho”, admite. Embora se tenham feito várias tentativas não foi possível ouvir o presidente da SAD e do Académico de Viseu, António Albino.

Promessas feitas..mas não cumpridas

Na altura da criação da SAD, António Albino prometeu a todos os sócios do clube que coisas novas estavam para vir. Subir à Primeira Liga foi o objetivo mais sonante mas que ainda não aconteceu. Além disso, o presidente do Académico de Viseu garantiu também que ia ser criado um centro de treinos e formação.

Processo em tribunal pode ditar descida de divisão

É um dos casos que certamente vai suscitar a curiosidade dos sócios esta semana. Decorre em tribunal um processo entre a Federação Portuguesa de Futebol, a Liga e o Académico de Viseu sobre o facto de, em maio, a equipa ter assinado um documento que comprovava que tinha todas as dívidas saldadas. Contudo, a acusação refere que os pagamentos foram feitos apenas após a assinatura desse mesmo documento. Manuel Cajuda e mais alguns jogadores já foram prestar declarações. Pedro Ruas, presidente da Assembleia Geral e advogado do clube, justificou ao Jornal do Centro que o processo ainda está “numa fase instrutória” e ainda deverá demorar algum tempo até que seja tomada alguma decisão.

Caso o Académico de Viseu seja declarado culpado pode ser mesmo sancionado com a descida de divisão, castigo que Pedro Ruas assume “não deverá chegar a tanto”. Explicou, também, que os contratos desportivos são feitos com pagamento até ao dia oito de cada mês e que esse documento “foi assinado no dia cinco ou seis de maio”. “No fundo, não entramos em incumprimento”, refere o presidente da Assembleia.

Dessa forma, é nesta Assembleia que se esperam ver esclarecidas todas as dúvidas relativamente à gestão do clube que, por estes dias, não tem estado do agrado dos sócios e também dos adeptos.





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